Sandálias e Calcinhas
Um dia desses estávamos chegando em casa depois do trabalho e o Zé me pediu para ir à padaria. Eu disse que primeiro ia trocar de sapatos, meus pés estavam doendo porque as sandálias que eu estava calçando tem umas malditas fivelinhas que no fim do dia parecem pregos.
Quando desceu do carro ele olhou pros meus pés e disse:
“Bonita essa sandália, é nova?”
E eu:
“Nova? Faz uns três anos que eu comprei esse sapato!”(aliás, elas já estão mais prá lá do que prá cá)
“Eu não reparo muito nessas coisas, você sabe. Mas me pergunta a cor da calcinha que você está vestindo hoje que eu sei. É rosa.”
Gente, pode isso? E eu só tenho uma calcinha rosa.
Pensando bem, fiquei lisonjeada. Dezoito anos e ele ainda repara na cor das minhas calcinhas. Há de se admirar uma coisa dessas.
Dani, no Pausa para o cigarro
Como eu já disse para a autora, é pra ficar mesmo; eu ficaria. Porque romantismo e tesão nem sempre estão onde nos ensinaram a procurar, mas sim onde os encontramos. E pra tanto, carece estar disposto e disponível para ser surpreendido pelo desejo nas dobras inesperadas do cotidiano…
Trilha sonora do post: Pecado Original, de Caetano Veloso

Helena Costa
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