Li recentemente o livro Em busca da alma de meu pai – e recomendo. Como promete o título, o livro descreve a trajetória edipiana de um filho em busca do pai – mítico, mitificado, herói, como qualquer pai o é (em algum momento, pelo menos).
Acontece que o pai em questão foi um dos primeiros homens a atingir o cume do monte Everest – o que fez dele muito mais que um herói familiar, e adiciona à busca do filho características bastante singulares. Desafortunadamente, Jamiling, o filho, escalou o Everest numa temporada que ficou famosa espantoso número de mortes. Não bastassem cenário e personagens como esses, o autor ocupa um espaço ambíguo, ambivalente e equidistante entre oriente e ocidente. Nasceu sherpa na Índia, em família budista, e foi educado em colégio interno inglês, graduando-se nos Estados Unidos. A vivência com essas diferentes culturas marcou profundamente Tenzing e permeia sua jornada e seu relato.
Mas não se engane, que tudo isso enriquece e adorna a história, mas o principal mesmo é a comovente busca espiritual e existencial de um filho que segue as pegadas do pai, tentando encontrá-lo e compreendê-lo. E como cantou Gil numa canção absolutamente adequada nesse caso, o final deu em nada, nada, nada,nada… do ele pensava encontrar. Vale acompanhar essa busca.
Helena Costa
Na Empadalheia, a letra de Se eu quiser falar com deus
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