Cúmulo da ironia: a gente passa a adolescência e boa parte da juventude escapando dos pais pra transar, ok. Depois, quando os filhos são pequenos, a gente só conseguir dar umazinha em paz quando a mãe dorme em casa pra cuidar do bebê.
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Deitada na cama eu abraço a Júlia completamente, em conchinha, e deliro em voz alta:
- Filha, cresce mais não, fica assim desse tamanho.
- Porque mãe? (Sempre eles, os porquês).
- Pra eu sempre te abraçar assim.
- Mas quando eu quecê você vai podê me abaçar assim tamém!
Eu sorrio e suspiro. Só não peço pra ela assinar porque ela ainda não sabe.
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Da série escatologia m(p)aterna: o que é pior, ter que parar de almoçar pra ir ”limpar” a criança – que do banheiro berra pra todo prédio ouvir que acabou…
Ou
ensiná-la a fazer sozinha sua higiene e ela aparecer na sala, enquanto você almoça, com o papel higiênico na mão perguntando se já tá limpinho?
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Férias. Nós duas no escritório, eu no computador, ela desenhando. O Gil cantando ”Eu preciso aprender a só ser”. Ela pergunta:
- Mãe, coração responde?
- Como assim, filha?
- Ele falou aí, ‘o coração respondêêê’…
Helê
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