Olhando a lista dos blocos do carnaval de rua do Rio de Janeiro, na inevitável tensão em torno da escolha daqueles nos quais irei ou não, me bateu agora a forte impressão de que a escolha, essa filha da memória, é, como sua mãe, sempre afetiva.(…) Pensei ainda em escolher (critério cada vez mais importante no carnaval carioca) os blocos cheios, em detrimento dos lotados e dos insuportavelmente lotados. Tá bom, é um bom critério… é saudável. Mas meu olhar acaba sendo de outra natureza: escolho ou elimino os blocos em razão dos meus afetos; do quanto fui feliz ou infeliz enquanto choviam confetes e espuma.
(…)
Do Cordão do Bola Preta, uma lembrança do mesmo carnaval, quando saí pro bloco sozinho, e encontrei pelo menos quatro grupos diferentes de amigos, me sentido o mais querido dos homens. O carnaval faz isso com a gente, no Rio. Todo mundo se sente potencial candidato a vereador.
O blogue tem um nome ótimo – De que lado você samba? – é coletivo e acabou de nascer, não sei no que vai dar. Agora: esse texto do André é imperdível, crônica saborosa e sedutora do carnaval carioca – ou de um tipo, pelo menos.
Helê
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