
Zona do Crime é uma alegoria, ainda que bastante verossímil, sobre o que perdemos quando abrimos mão, voluntariamente, das conquistas obtidas a partir de sucessivos pactos sociais elaborados ao longo dos séculos: as instituições, a lei e a ordem estabelecida (termos que vêm saindo de moda em velocidade assustadora), o Estado de Direito. Construir muros altos para impedir o mundo exterior de entrar pode se transformar numa armadilha. Em nome de nos mantermos seguros contra o que vem de fora, talvez estejamos nos transformando em carcereiros de nós mesmos. E pode chegar o dia em que o portão do condomínio fique fechado tanto para quem quer entrar quanto para quem quer sair – um efeito colateral indesejado, mas não de todo imprevisível.

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Não sei se essa divagação faz sentido para quem não assistiu o filme. Na dúvida, assista.
-Monix-
A propósito do mesmo tema, o filme faz uma bela dobradinha com o Amor Líquido do Zigmunt Bauman (livro que ganhei de presente da sempre constante Ana Paula).
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