O Homem de Ferro abusou da nossa boa vontade (contém spoiler)

Um milionário da indústria de armas, que além de tudo é um gênio da tecnologia, constrói uma armadura feita de uma liga de metais nobres, embute armas e foguetes, propulsores ou seja lá como se chama aquilo, e sai por aí combatendo o mal. Até aí, tudo bem. Mas precisava se esborrachar todo no momento de testar seu traje novo, e sair ileso, sem um hematoma?

Pois é.  Nós assistimos O Homem de Ferro. Assistimos a também a dezenas (ou seriam centenas?) de filmes, desenhos animados, seriados e outros produtos da cultura de massa em que heróis, monstros, vilões, mortos-vivos e outros bichos fazem e acontecem, mas sempre tem um momento em que a gente chega ao limite e diz: mas peraí, se o sapato dele estava desamarrado, como é que ele conseguiu correr sem tropeçar?

O conceito de suspension of disbelief, que poderia ser traduzido toscamente como ’suspensão da descrença’, foi cunhado pelo poeta e filósofo Samuel Coleridge, em 1817, numa tentativa de definir a relação do público com a arte. Muito antes, portanto, do Superman chegar de Krypton numa nave e ser criado por um casal de simpáticos rancheiros texanos. Segundo esta teoria estética, o espectador se dispõe a aceitar como legítimas as premissas de determinada obra de arte, por mais inverossímeis que pareçam. O público faz “vista grossa” para as impossibilidades apresentadas, contanto que elas não entrem em conflito com as premissas inicialmente “negociadas”. Ou seja, tudo bem que o Superman voe, mas não dá para engolir que só porque ele pôs os óculos a Lois Lane não vai reconhecê-lo! Isso também já é demais!

***

Bom, voltando ao Homem de Ferro:  quem for assistir, não deve sair do cinema antes do final dos créditos. E final é fim MESMO. Há uma cena imperdível tanto para os fãs do personagem quanto para fãs de outra pessoa.

(A partir daqui começa o spoiler, quem não quiser saber do que trata a cena pode ir direto pros comentários)

Ao voltar para casa, depois da última coletiva para a imprensa, Tony Stark fica conhecendo Nick Fury, um big shot da S.H.I.E.L.D., deixando aberto o gancho para um filme sobre Os Vingadores. Quem interpreta o personagem é o maravilhoso Samuel L. Jackson. Nossas fontes no universo nerd nos informaram que originalmente Nick Fury era um personagem branco; no entanto, em uma recriação dos heróis Marvel (Universo Marvel Millenium), Fury reaparece como negro – e os desenhos foram inspirados em ninguém menos que o próprio Samuel L. Jackson. Bacana, não?

As Fridas de Ferro

5 Respostas

  1. Não vi e não pretendo, porque é o tipo de filme que realmente não me interessa. Mas não deixem de ir lá na Mary W. ler o post sensacional que ela conseguiu extrair desse filme!

    Obrigada pela dica, Ju. Passei lá e fiquei de cara com a análise dela – da qual eu, obviamente, nem me aproximei quando vi o filme. E essa frase é sensacional: “E você sabe. Dê uma tarefa banal a uma mulher estupenda. E sempre haverá surpresa.”
    Beijo, Ju, boa semana.
    Helê

  2. Ainda não vi o filme. Interessante a teoria “Suspension of disbelief”, mas acho que a aceitação para a irrealidade vai além da arte. O ser humano sempre teve crenças em seres mitológicos e todos os heróis /messias / deuses e deusas/ sempre tinham poderes fora do normal e faziam coisas absurdas e saim ilesos, concordam?

  3. Ah, porcaria, por que é que eu fui sair antes de terminarem os créditos? Ah, é, foi porque marido estava junto me puxando pela manga da camisa…

  4. putz…
    eu saí no meio dos créditos, com meu filho, cantarolando o Iron Man do Black Sabbath.
    caramba. que vacilada.

  5. [...] mundial quanto uma apresentação dos Beatles na tevê (viva eles, sempre!). Ao contrário de outros apelos à fantasia, neste filme são tomados certos cuidados para que o pacto de suspensão da realidade seja [...]

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