(Da série Bis é Bão)
Conselho
Digamos que, hipoteticamente, você, querida leitora, está acima do peso. Não importa quanto nem porquê; imaginemos apenas que este indesejado excesso acumule-se em seu abdômen de tal modo que, dependendo da roupa, da cor usada, do ângulo de visão ou da imperícia de quem olha, você possa parecer grávida (ainda que ligieramente). Se esse desafortunadamente for o seu caso e alguma alma gentil oferecer lugar no metrô ou no ônibus, não vacile: sente-se. Isso, sente-se. Não se sinta derrotada, não fulmine o vivente com o olhar e nunca, jamais, recuse. Eu sei, eu sei que sua mãe ensinou você a não mentir. E também a não se aproveitar da bondade alheia. Sim, eu sei que é feio. Mas vai por mim: aceitar é melhor pra todos, ou é o mal menor. Porque se você recusa, segue-se uma cascata de eventos desagradáveis:
1) a alma caridosa insiste (porque almas dessa espécie sempre insistem);
2) você recusa de novo;
3) a criatura percebe que você não está grávida, mas gorda, fica passada e se desculpa;
4) você constata que está gorda, aceita as desculpas com ódia, e fica passada;
5) pelo menos mais uma pessoa vê tudo, percebe que você está gorda e que o outro, querendo ser gentil, deu o maior fora;
6) vocês três (se forem só 3 os envolvidos, a melhor das hipóteses) passam o restante do trajeto evitando se olhar, passados;
7) você continua em pé.
É só uma hipótese, mas vai por mim: senta. Sorri, senta e enfia a cara no jornal, fecha o olho ouvindo o mp3 ou faz que tá cochilando – pra não ter que desenvolver a mentira (vai que é daquelas donas ‘’simpáticas” que resolve saber detalhes da gravidez?) Eu sei o que a sua mãe falou, a minha também disse o mesmo. Mas nesse caso, a sinceridade só faz deixar todo mundo vexado, com a melhor das intenções e a pior das conclusões. Senta. Dos males, o mais discreto.
Helena Costa
Este post foi publicado no blogger em julho de 2005. Versão revista e melhorada.
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hehehehe, eu adoro esse post. Nunca me esqueci dele e adoro ler de novo. Acho que o mundo merecia ler essa pílula de sabedoria e sensatez by Fridas. Estou quase mandando por email pra Deus e todo mundo (posso? é sério).
Beijos, beijos!
s
Claro que pode, Sil, eu adoraria. se muder manda junto o nosso link – vai que alguém gosta e vira freguês?
Beijoca,
Helê
e quando isso acontece na fila do banco eu acho ótemo! rsrs
beijos gostosa
servindo comida requentada, D. Hele?
Brincadeirinha… eu também adoro esse post, adorei relê-lo e concordo em número, gênero e grau! Eu já paguei esse mico de parabenizar alguém por uma gravidez lipídica, e me senti péssima. E embora ninguém tenha chegado a me oferecer assento no metrô, acho que já olharam pra mim na dúvida mais de uma vez. Eu mesma já me olhei na duvida, hahahaha. e nem assim pra eu criar vergonha na cara e voltar pra academia…
Ai, Helê, essa foi ótima. Não tinha lido esse post ainda. Lembrei-me de uma vez, numa locadora, Rafa com uns 6 meses, veio uma velhinha (que até então tinha ares de inofensiva) fazer umas gracinhas com ele e comentou: grávida de novo! E eu tive a infelicidade de dizer que não. E ela, que nunca tinha me visto na vida, começou: “Ah, então você está é barriguda mesmo. Tem que fazer ginástica! Tão nova, tão bonita, não pode ficar assim não!” Eu achei a situação tão surreal, porque ela ficou se alongando nos conselhos de que eu deveria me cuidar mais, que eu só balancei a cabeça concordando e saí de lá antes de escolher o filme (e disposta a iniciar um regime no dia seguinte…)
Nossa, Dani, que mulher sem loção! Ainda deve ter síndrome de Dercy Gonçalves, que acha que porque é velha pode fazer o que quiser. Me amarrota que eu fiquei passada com a véia!
Beijo!
Noooossa… achei q só comigo aconteciam essas coisas…tenho muitas histórias dessas! Qq dia posto tb!
Beijos!!!
Imagina, menina. Acontece muito mais do que deveria.
Aquele Abraço,
Helê