Aconteceu há alguns meses, mas acho que ainda vale ser contado: foi em janeiro, no dia da posse do Obama. Eu queria assitir, claro; a cria, do alto de seus seis anos, claro que não. Ficamos negociando a tevê, eu correndo para o canal jornalístico entre um desenho animado e outro, e ela achando muito chato aquilo. Aí eu fui tentar explicar porque eu estava tão interessada. O que, vocês têm que convir, não era propriamente fácil de fazer sem ficar tudo ainda mais chato. Eu comecei dizendo que eu gostava dele, torci por ele na eleição, e que o presidente antigo era muito ruim. Acrescentei também que era o primeiro presidente negro daquele país – nada que justificasse a interrupção dos desenhos, era o que ela parecia pensar. Pra ilustrar, peguei a charge que estava no meu painel e mostrei pra ela.

Foi quando a fichinha caiu e ela fez uma cara muito espantada, perguntando:
- Mas só esse preto, mãe?!
Pra logo em seguida questionar:
- E mulher, não teve nenhuma até agora?!
Helê
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Sim, é hoje o dia de celebrar o nascimento dela, La Otra, nesse dia especial em que nascem pessoas luminosas e iluminadas (como podem atestar também a Dedéia e a Rê) ; -).


Pois é, soube que hoje celebra-se este Dia das Lojas de Discos – só mesmo eu, a Guardiã das Tradições Recentes, pra descobrir uma data que foi criada há apenas dois anos. Mas o fato é que a motivação pra criar uma efeméride como essa é algo absolutamente impensável pra mim, uma pessoa do século passado. Jamais imaginei que as lojas de discos pudessem ser ameaçadas de extinção, pois como se ouviria música sem disco? Podíamos ouvir no rádio, claro, mas como se apoderar dela, levá-la pra casa, ouvir e repetir à vontade, ler as letras, apreciar a arte do encarte? (Porque em 1900 e guaraná com rosca, gente, loja de discos vendia elepês (e não compact disc) que traziam encartes que vinham junto com o disco e eram um passe livre para a criatividade dos designers, podendo estampar fotos, ilustras, desenhos, formatos mis).
