Todo mundo falando bem do tal “Clube do Filme“. E eu, que nunca me conformei com a falta de adaptabilidade da instituição escola ao zeitgeist* do terceiro milênio, achei a ideia interessantíssima. Para quem não sabe, um pai que, ao ver seu filho completamente desestimulado pelos estudos, tirando notas baixas e incapaz sequer de trazer suas anotações para casa, propõe que ele pare de frequentar a escola. Em troca, o filho deve concordar em assistir a três filmes por semana, junto com o pai. A seleção não necessariamente passaria pela qualidade da obra, e acabou tendo mais a ver com a sensibilidade do pai que com qualquer critério objetivo.
Em princípio, uma bela fórmula, ainda que totalmente individual e obviamente não aplicável a outras estruturas familiares.
O livro recebeu vários elogios, especialmente pela coragem do pai ao optar por dar atenção ao filho “problemático”, ao invés de desistir, ou jogar a culpa para a escola, ou apelar para rigorosos castigos. E sob esse aspecto, de fato é uma história bonita. O tal clube do filme na verdade é um pretexto para que pai e filho convivam, conversem, troquem experiências passadas e presentes. O pai verdadeiramente guia seu filho através de um difícil fim de adolescência, até que ele encontre um caminho e consiga segui-lo com suas próprias pernas.
Mesmo com tudo isso, no fim das contas não tenho certeza se gostei tanto assim da experiência. Fiquei com a sensação de que o garoto na verdade estava meio deprimido, e não sei se teria sido o caso de fazer terapia. Sem dúvida o cinema – assim como a literatura, o teatro, a ficção de maneira geral – pode ter um efeito bastante terapêutico. Mas, sei lá, o livro me deixou um gosto amargo ao final. Uma comentarista do Blowg (da Marina W) definiu bem: o grau de melancolia de ambos é meio assustador, e me espanta que ninguém ainda tenha observado isso (pelo menos não nas resenhas e críticas que li).
-Monix-
* Ando encantada por essa palavra…
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acabei de ler o livro. eu tomei contato com esta história há alguns meses, através de um artigo na The Economist.
e estou aplicando algumas das ideias do Gilmour com meu filho.
eu achei bem legal. o livro é uma forma de nós, pais de adolescentes problemáticos com escola, sabermos que não estamos sozinhos.
o pai tbem – e achei legal isso – admite, ali no texto, que sente dificuldades em lidar com a situação.
Também achei legal. E outra coisa que me impressionou positivamente foi a forma intuitiva como o processo é conduzido – geralmente essa intuição toda é atribuída mais às mulheres que aos homens. E, acima de tudo, admirei o grau de comprometimento daquele pai com o dia-a-dia do filho. Mas o que me deixou meio ‘mexida’ (essa expressão é tão novela das oito, né? tipo: que barra, fiquei muito mexida, hahaha) foi a sensação de que os dois estavam um tanto deprimidos, sei lá, senti uma certa apatia, e até mesmo uma falta de vínculo, por mais paradoxal que isso possa parecer. De toda forma, o livro é mais bom que ruim. Beijos, Monix
Estou lendo também. Devo terminar essa semana, aí deixo minhas impressões.
Beijo