Hoje é dia nacional do samba, pretexto pra festa, cerveja e rodas de samba no meio da semana, subúrbio a fora. Uma das minhas teses não desenvolvidas - e elas são muitas! – é que o samba é o gênero musical mais autorreferente de todos. Nenhum outro fala mais de si mesmo, de seus adeptos e seguidores, sua história. Pode ser ignorância minha – bem provável – mas não vejo o rock, o forró ou o blues falando de si, muito menos com a recorrência que acontece no samba. Ele pode falar na primeira pessoa
Eu sou o samba, sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria pra milhões de corações brasileiros
Há canções sobre quem samba
Há quem sambe muito bem/há quem sambe por gostar/há quem sambe pra ver os outros sambar
Sobre quem faz samba:
O samba é meu dom
Aprendi bater samba ao compasso do meu coração
De quadra, de enredo, de roda, na palma da mão
De breque, de partido alto e o samba canção
E assim podemos seguir quase que indefinidamente. Apenas pra terminar o post a tempo de sambar um pouquinho, eu deixo esses versos que eu acho simplesmente perfeitos, de rara beleza:
O samba é o pai do prazer, o samba é filho da dor, o grande prazer transformador
E embora eu seja ‘clínica geral’, como descreve um divertido samba do Molejo, deixem eu ilustrar esse post com essa minha imagem sambista, clicada por la Otra:

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