O documento já estava pronto, aguardando o melhor momento de publicação. E eis que hoje, por volta das 15hs, inicia-se o verão – o oficial, porque o real já vigora por estas plagas, que nós cariocas somos meio desobedientes e não seguimos o calendário com a rigidez esperada. Então publique-se aqui a fundação do Me Chama, esperando que ele aqueça o coração da Manu quando a distância aumentar e a temperatura cair.
O Grêmio Recreativo Bloco Carnavalesco Me chama que eu vou saúda o povo e pede passagem, fazendo aqui sua ata de fundação, declaração de princípios e de amor incondicional à sua musa inspiradora, Manoela Mafra Vianna. Ela, a Manu que topa todas e se envia com igual entusiasmo pra Madureira e pro Leblon, circula com a mesma desenvoltura pela Pedra do Sal e pelo Baixo Gávea, sempre disposta tanto a uma noitada quanto a uma corrida – basta chamar e ter a sorte de ser um de seus muitos amigos. Amante derramada da cidade, recebe esta que é a maior homenagem que o Rio e os cariocas podem oferecer, que é ser a razão de um bloco carnavalesco.
O Me chama – que todo bloco bom tem codinome – nasceu numa conversa no posto 9, foi batizado num cervejal na Lapa e sacramentado num sambinha no Democráticos. Inspira-se no (e pede benção ao) Parasitas Garbosos, obscura agremiação de Santa Teresa, e dele reproduz a função e o objetivo, qual seja: acompanhar os demais blocos, rodas de samba, pagodes, ensaio e desfiles. Seus integrantes podem, eventualmente, usar fantasia semelhante, mas não se trata de regra rígida. Bebem destilados e fermentados, e podem até (que Deus perdoe!) não beber. Gostar de samba é mais importante que propriamente sambar, mas deles espera-se que gostem sobretudo de brincar o carnaval. Recomenda-se que os membros empenhem-se com fervor e diligência no cultivo da melhor cepa do bom humor carioca; nosso padroeiro é o Profeta Gentileza, com certeza. Fundamental ser gente boa, essa característica indescritível porém inequívoca para todo carioca sangue bom.
Possuindo as características acima descritas e conhecendo a Manu, sua inscrição será analisada pela diretoria do Bloco – cujos critérios, subjetivos e variáveis, são passíveis de argumentação quando bem fundamentada num papo regado a cerveja gelada e sorrisos. O documento ora publicado apenas oficializa o Me chama, gerado espontaneamente pela simpatia ecumênica, democrática e festiva com que a Manu foi reunindo e interligando amigos pelaí, sempre fortalecendo geral, tudo junto e misturado. Esses amigos, agora sob a bandeira do Me chama, vão dar o máximo de si para disfarçar essa saudade madrasta que a nossa musa vai deixar, se bandeando pro outro lado do oceano. Mas já sabe, Manu: se a saudade apertar muito, Me Chama que eu vou!
Me Chama em dois momentos: ainda em gestação e no dia da fundação.
Trilha sonora
Alguém me avisou, Caetano, Gil, Gal e Bethânia
Me chama que eu vou, Sidney Magal
Avisa lá, Olodum
Atrás do trio elétrico, Caetano Veloso
GRES MCQV
Presidente de Honra & Musa: Manoela Vianna
Diretora Musical: Helena Costa
Diretora de Carnaval: Patrícia Pereira
Diretora de Harmonia: Andrea Carvalho
Diretora de Evolução: Sabrina Stocco
Diretora de Percussão: Katia Simões
Diretora de Roquenrol: Daniela Yabeta
Diretora Jurídica: Beatriz Vianna (Titiz)
PS: Estão abertas as inscrições para a marcha/samba do bloco, bem como para a escolha de seu símbolo.
Helê
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