Here burns the sun

O Rio de Janeiro, como se sabe, só tem duas estações no ano: verão e inferno – a que ora vigora. Vivemos, pois, um novo estado, entre o líquido e o gasoso: o pastoso, resultado do suor constante que nos persegue e envolve. Essa condição nos obriga a exercitar a criatividade e descobrir novas habilidades, do tipo:

- como andar pelada pela casa mantendo o decoro;
- mil e uma possibilidades de apoiar um ventilador, inclusive no banheiro
- refrescando por inteiro: como girar o corpo a intervalos regulares para que o ventilador atue de maneira uniforme (ou “a técnica do frango assado”)

Vivendo a aprendendo, mes amis.
Helê

Vai lá

Apenas uma aperitivo do primoroso texto do Simas:

A Revolta da Chibata faz cem anos em 2010. Os marujos liderados por João Candido se rebelaram contra a legalidade. O que era legal na época? Punir a marujada com um código disciplinar dos tempos da escravatura, com destaque para as chibatas com navalhas nas pontas que lanhavam os corpos dos marinheiros sem voz e sem patente. Na visão tosca dos legalistas de plantão, os marujos não passavam de bandidos que se levantaram contra a lei estabelecida. Pau neles! Nunca a distinção entre o que é legal e o que é justo foi tão aviltante na nossa história.

Vale a pena ler na íntegra.

Helê

Elementar, meu caro Watson*

Na saída do cinema, ouço o comentário:

Arthur Conan Doyle deve estar se revirando no túmulo!

As muitas faces de Holmes

Tenho certeza que muitos fãs do detetive sairão do cinema com esta sensação. Mas a verdade é que as características do Holmes de Guy Ritchie estão, todas, na obra de Conan Doyle. O que o diretor fez, é claro, foi adaptar o personagem ao cinema do século XXI, amplificando o lado “mania” e suavizando o lado “depressão” (tem personagem mais bipolar que Sherlock na ficção? Não creio que). Porrada, explosões e correria dão muito mais bilheteria que imersões melancólicas em um quarto sujo e escuro, ao som frenético de um violino mal tocado.

O Holmes dos livros é de fato pugilista, se mete em lutas corporais com relativa frequência, arromba e invade residências, bate carteiras, se disfarça de mendigo, se relaciona com os escroques da Londes fin-de-siècle, enfim, faz qualquer coisa para solucionar um mistério que o intrigue. (E embora seja em geral muito bem recompensado por isso, não o faz por dinheiro e sim por ‘amor à arte’.)

Holmes se havia erguido no sofá, e eu o vi fazer um sinal como querendo mais ar. Uma empregada atravessou a sala depressa e abriu a janela. No mesmo instante vi que ele levantava a mão, e, a este sinal, atirei meu foguete dentro da sala, com o grito de “fogo”. Mal a palavra saiu de meus lábios, a multidão de espectadores, os bem trajados e os mal vestidos – cavalheiros, cocheiros e empregadas – uniram suas vozes num só grito: “Fogo”!

(Um Escândalo na Boêmia)

Holmes é também capaz de saber onde pesquisar os diferentes tipos de fumo e a partir daí deduzir que o criminoso veio do Paquistão, pois a cinza espalhada só é utilizada em cigarros fabricados  naquela região. E é também reflexivo, anti-social, um tanto arrogante, exatamente como o imaginário popular consagrou, a partir do estereótipo criado ao longo de tantas e tantas adaptações da obra de Conan Doyle para o cinema, o teatro e a televisão.

O mérito do filme de Guy Ritchie é justamente desconstruir esse estereótipo tão caro a milhões de pessoas no mundo todo, e apresentar uma releitura bastante contemporânea, a partir de elementos do próprio personagem. Alguns considerarão uma traição ao herói; eu acho uma ousadia brilhante.

Sinceramente, para mim se há algum personagem cuja essência foi perdida nesta adaptação para o cinema é o dr. Watson.

Mas isso já é outra história. (Ou é a mesma?)

-Monix-

* Acho que todo mundo já sabe, mas não custa lembrar que o Sherlock Holmes de Conan Doyle jamais disse esta frase.

Encontro

Ontem conhecemos a Mary W.

O encontro, promovido pela lôra, contou com a participação luxuosa da nata da blogosfera carioca: Anna V., Ana Paula, Cláudio Luiz, nosotras e a Cris Cerdera, que conheci lá e cujo blogue ainda não tive o prazer de ler. Algumas ausências foram sentidas, como sempre acontece, pois é impossível conciliar agendas e interesses de todo mundo. Mas o encontro foi, como sempre, uma delícia.

O charmoso cantinho do Centro do Rio tremeu com tanta inteligência, humor e belezura juntos (com a devida modéstia pela parte que me toca, licença). Foi tanto que a happy hour se encerrou debaixo de um dilúvio.

A Mary é incrível, foi uma honra conhecê-la de perto. Adorei a oportunidade de poder elogiá-la pessoalmente… e também gostei muito de receber os elogios dela, porque convenhamos que ter uma leitora deste quilate não é pouca coisa não, minha gente. :-)

Espero que ela aproveite muito a estadia no Rio de Janeiro; que a cidade lhe seja mais acolhedora e menos agressiva. E que ela possa se sentir em casa também por aqui.

-Monix-

O amor nos tempos do modem

Ele fez o mais belo pedido de casamento ever. E ela aceitou,  of claro.

Timtim pra vocês, e tudidebão. Tenho certeza que o Livro de Aventuras de vocês vai ser dos mais bacanas – já está sendo, indeed.

Up

Helê

A maldição da 2ª peça

Vocês conhecem a maldição da 2a. peça? É assim: voce vai àquela loja bacana, onde voce nunca pisa, mas era tempo de liquidação, aí você encontra aquele vestido tudibom com preço bom.  O que voce deveria ter feito? Deveria ter comprado aquela peça e  deveria ter saído correndo da loja, botar o joelhinho no milho e agradecer aos céus pela graça alcançada.  Mas não, você fica olhando as outras peças e a moça te convence a levar… A CALÇA DOIRADA.  É isso a maldição da 2a. peça.

Ah, eu agradeço todos os dias a graça alcançada de privar do convívio virtual da Vera, benzadeus!

Helê

Em tempos de férias

Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”

Amyr Klink

Helê

Semana de moda

Helê

Pra Manu

Essa foi uma encomenda da Musa, que eu atendo agora, no segundo tempo da prorrogação . São umas canções que ela pediu pra levar na bagagem, pra lembrar do Rio, dos amigos; falam das coisas daqui, um tiquinho de lá, muito de nós.

Bom, Manu, aqui estão. Não foi uma lista fácil de fazer pela fartura de possibilidades (nunca é, indeed) . Talvez não seja a lista definitiva, mas acho que serve para embalar você nessa viagem  - que é pra longe e também pra dentro (como todas são).  Há algumas  breves justificativas, quando julguei necessário.

São Sebastião – Mart’nália

Ouvi hoje de manhã, por acaso, e  na soube hora que tinha que ser a primeira da lista, que tinha então que ser feita. É um samba em feitio de oração, como diria Noel, uma boa maneira de se despedir da cidade.

Valsa de uma cidade – Caetano Veloso

Uma declaração de amor.

Pé do meu samba – Mart’nália

Roteiro da cidade com alguns dos seus points.

Solteiro no Rio de Janeiro – Toni Garrido

Rap da felicidade – Elza Soares

Sou brasileiro – Fernanda Abreu e Mart’nália

Brasileirinho – Elza Soares e Baby Consuelo

Rio de Janeiro – João Bosco

Lá vem o Brasil descendo a ladeira – Novos Baianos

Seo Zé – Daniela Mercury e Ivete Sangalo

Feijoada Completa – Almir Guineto e Zeca Pagodinho

Exaltação à Mangueira – Chico Buarque

É hoje – GRES União da Ilha

Samba Rubro negro – João Nogueira

Na voz do “sogro”, não confunda!

Hino do Flamengo – João Bosco

Flamengo Eternally – Leandrade

Pra ensinar “pros pessoal lá”.

Sou gamado por mim – Sururu na roda

Use como mantra.

Samba da benção – Maria Bethânia

Porque é muito melhor ser alegre…

O samba é meu dom – Wilson das Neves

Ô sorte!

Não vou pra casa – João Gilberto

Para lembrar dos after-afters.

A chuva cai – Beth Carvalho

Porque em Londres chove muito,  ué.

Samba da carioca – Dori Caymmi

Pra ajudar a levantar – o que nunca é fácil…

Back in Bahia – Barão Vermelho

Casa da mãe da gente – Alcione

O melhor lugar do mundo, você vai descobrir.

Saudades da Guanabara – Beth Carvalho

Do Leme ao Pontal – Tim Maia

Aquele abraço – Gilberto Gil

Hino Nacional brasileiro – Yamandu Costa

Boa viagem, Manu. Qualquer coisa, liga :-)

Helê

Novo mesmo

Helê

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