“O segundo casamento é o triunfo da esperança sobre a experiência”. Aprendi essa frase com uns amigos que a citavam em tom de gozação, sacaneando-se mutuamente, já que vários haviam casado duas ou três vezes. Eu mesma, até ver um casal amigo reluzindo felicidade em fotos do feicebuqui, também a repetia com cinismo calculado, debochando da ingenuidade alheia. Mas algo no sorriso da Fernanda e no olhar do Maurício fez com que, depois de anos de convívio, eu olhasse para a frase e a compreendesse de uma maneira completamente diferente. O triunfo da esperança sobre a experiência. Uma conquista memorável, pois a segunda, implacável, parece invencível ante a primeira, cuja potência repousa na teimosa, que soa injustificável. E, no entanto, a esperança vence, logo ela, o azarão na disputa, o time pequeno; the underdog supera o previsível, o favorito e não apenas o derrota: triunfa, conseguindo uma vitória retumbante, goleada inconteste.
Vista desse novo ângulo, a frase engraçada vira quase poética, além de carregada daquela dose de obviedade indispensável às grandes verdades. Pensando bem, se a esperança não prevalecesse sobre a experiência a esta altura estaríamos extintos. A experiência ensina que sofremos e sofreremos, perdas são inevitáveis e o fim, certo. Mas a esperança nos acode e se impõe, débil mas determinada, quixotesca, com tamanha bravura que seguimos, incrédulos mas curiosos. O segundo casamento (ou até mesmo o 3º) reproduz essa crença atávica no incerto: teimamos em apostar no porvir, no desconhecido, no futuro e na possibilidade de fazer novamente, mas de um jeito diferente, melhor. Por isso resistimos, evoluímos, permanecemos.
Parabéns, Fefê e Maurício, por terem tido a coragem de triunfar. Sejam muito felizes! (E obrigada por me ensinarem novos significados para antigas frases.)

Helê
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