Ideia na cabeça, câmera na mão – e uma vaquinha pra ajudar

Olha aqui, presta atenção: esta não é a nossa canção, mas sim o documentário que a minha amiga Paula Damasceno está preparando sobre o “The Carolina Theatre”, um cine teatro de 85 anos, ativo graças ao empenho da comunidade em Greesboro, Carolina do Norte, EUA. O que você tem a ver com isso? Muito, se você gosta de cinema e história, porque o Carolina é como aquele cinema do seu bairro, lembra? O Baronesa ou o Bruni, no Rio (citem os seus cinemas extintos, leitores paulistas, mineiros e demais). Só que esse sobreviveu e tem inúmeras histórias para contar – inclusive do tempo em que brancos e negros tinham lugares específicos para assistir aos espetáculos e filmes. O tempo passou na janela e essa Carolina viu tudo.

A diretora do documentário está fazendo um crowdfunding, ou melhor, uma vakinha para comprar a passagem necessária para finalizar o documentário. Na página Carolina 85 ela explica tudo melhor que eu, e você pode ver um teaser do filme. Eu agradeço a quem puder colaborar e recomendo naquela minha categoria máxima, dicumforça. Com 10 reais você ajuda a fazer um filme – mais barato que assistir a um, dependendo do cinema. Eu já colaborei, e você? Vai lá. Agora, não deixa pra depois  ;-) .

Helê

Gritos e sussurros

Rede de Intrigas é um filme clássico para quem estuda Comunicação. Assisti pouco tempo depois de me formar, e confesso que não gostei muito – na época, achei que o filme tinha envelhecido mal, que estava datado, que não fazia muito sentido para alguém que, como eu, estava imersa na cultura quase-cyber dos anos 1990.

A trama do filme é a seguinte: o âncora Howard Beale, cuja popularidade está em queda, é demitido da emissora e surta ao vivo. Em determinado momento do filme, ele conclama os espectadores a correrem para a janela e gritar “I’m as mad as hell and I’m not going to take it anymore”, num brado coletivo contra tudo isso que está aí. Para mim, pareceu meio caricato e inverossímil: quem iria para janela gritar, ainda mais uma frase como essa, sem um bordão claro nem objetivo específico?

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Pois é, mas o mundo gira e a Lusitana roda (gente, calma, esse slogan não é do meu tempo não, tá?) e de repente cheguei à conclusão que na era das redes sociais todo mundo grita na janela. O Twitter é lotado de pessoas repetindo “I’m as mad as hell and I’m not going to take it anymore”, sem um bordão claro nem um objetivo específico.

O interessante é que, como costuma acontecer, o “sistema” já tomou conta dessa gritaria na janela. As empresas monitoram redes, criam relacionamento, buscam relevância e tudo mais. O que não deixa de ser uma coisa boa.

Agora com licença que vou ali fechar a janela. Muito barulho.

-Monix-

Muito além do trocadilho

A primeira vez que ouvi falar no documentário Miss Representation* foi no blogue da Lola. Premiado no Festival de Sundance em 2011, o filme, dirigido por Jennifer Siebel Newson, parte de uma premissa que tem sido o mote dos debates feministas neste início de século: as questões de imagem e representação da mulher nos meios de comunicação, e, consequentemente, no imaginário das pessoas.

Sobre o retrato das mulheres na indústria cultural – seja em músicas, filmes, na moda – não há muita surpresa. Sabemos que com raríssimas exceções o cinema privilegia papéis masculinos, e mais do que isso, histórias sobre homens ou coisas que acontecem com homens. Mesmo as ‘chick flicks‘, ou comédias românticas, em última análise tratam de mocinhas independentes e moderninhas que vivem mil e uma situações… em busca do seu príncipe encantado. Sobre esse aspecto da misrepresentation, o melhor depoimento é o de Geena Davis – estrela de Thelma e Louise, um raro filme feminista cujo final é um símbolo do backlash que já estava em andamento desde os anos 1980. Geena está à frente de um instituto de estudos sobre gênero na mídia e, junto com outras pesquisadoras do tema, traz questionamentos muito interessantes durante o filme.

Mas o mais surpreendente é a constatação de que as mulheres são misrepresented (mal representadas?) não só nas áreas ligadas à cultura e ao entretenimento, mas também – e principalmente – na política. A edição do filme confronta imagens de programas jornalísticos apresentando reportagens sobre Hillary Clinton e Sarah Palin. E embora sejam duas políticas completamente diferente em todos os aspectos, atuando em espectros diferentes, uma mais velha, a outra jovem, uma adequada ao padrão de beleza vigente, a outra nem tanto… ambas foram massacradas pela imprensa. Em linhas gerais, Hillary é retratada como uma bitch, castradora, que só chegou ao poder porque o marido “caiu em desgraça”; já Sarah Palin é considerada “material de masturbação”. Difícil decidir qual das duas foi mais ofendida. (Qualquer semelhança com a presidenta Dilma e sua “faxina” ministerial não é mera coincidência.)

Não sei se é um filme fácil de encontrar – parece que no You Tube se consegue assistir a uma versão legendada. Eu demorei a conseguir assistir, mas fiquei com este nome na cabeça em busca de uma oportunidade que enfim apareceu. Se puderem, vejam. Miss Representation, mais que um filme, é um projeto pela mudança, e disseminar a ideia faz parte desse projeto.

-Monix-

* Trocadilho intraduzível com a palavra misrepresentation, que significa algo como uma representação equivocada ou enganosa.

Toca Raul

Não me considero uma grande fã de Raul Seixas, mas em sendo da geração dos “filhos da Revolução” cresci ouvindo suas músicas e assistindo a cada nova estreia de seus proto-videoclipes no Fantástico.

Talvez justamente por ter acompanhado cada lançamento ainda com pouca idade, só fui entendendo cada uma de suas músicas com o tempo. Então minha relação com a obra de Raul Seixas é bem interessante – porque o descubro aos poucos, e a cada nova face que se revela, gosto mais um pouquinho. Como Caetano Veloso, me deslumbro com a poesia de Ouro de Tolo. E também com a beleza de A Maçã, com o hermetismo de Gitã, com a graça de Mosca na Sopa.

Na minha opinião, ele tem pelo menos duas canções geniais, e ambas trazem verdades que “por terem sempre estado ocultas quando terão sido o óbvio” rapidamente se tornaram quase-bordões. Hoje não é mais preciso saber quem foi Raul Seixas para se dizer uma “metamorfose ambulante” ou um “maluco beleza”.

E vejam só, que em seu depoimento ao filme Raul – o Início, o Fim e Meio Paulo Coelho diz que gostaria de ter sido parceiro de Raul justamente nestas duas composições: Metamorfose Ambulante e Maluco Beleza. Aliás, a presença de Paulo Coelho é uma das âncoras do documentário. Carismático, generoso com o antigo parceiro, ele nos aproxima um pouco do que devem ter sido aqueles anos loucos. Em determinado momento, surge uma mosca, que ele carinhosamente espanta chamando-a de “Raul”. Mas depois não se contém, e o que acontece não conto pois vocês precisam ver.

-Monix-

Dia 22 – So you think you can dance (um musical)

Quando contei a história do filme para o meu namorado ele me chamou de feminista de meia-tigela. Afinal, esta adaptação do rapto das Sabinas mostra sete irmãos levando à força para uma fazenda isolada pela neve sete moças que não têm importância nenhuma no filme além de servirem de esposas para os rapazes.

Mas o interessante é que apesar de realmente a premissa ser essa, a personagem principal, a mais forte e a que conduz o filme na ponta dos dedos é Milly, a primeira a se casar, a mulher de Adam, o irmão mais velho. E aos poucos o afeto vai transformando a todos, tanto os irmãos quanto as “noivas”.

No elenco dos irmãos, quase todos são artistas de circo, e não apenas dançarinos. Adam canta, e os demais dançam incrivelmente, além de fazer todo tipo de acrobacias. São carismáticos, simpáticos, charmosos os irmãos Pontipee. É muito amor.

-Monix-

 

Sete Noivas para Sete Irmãos

 

 

Dia 21 – Preto no Branco (Um Noir)

Não é um filme noir segundo a definição clássica.

Mas é preto e branco, é um suspense que eu adoro, tem a Ingrid Bergman lindinha e o Charles Boyer malvadão, é uma história de arrepiar e eu queria citar este filme aqui. Então pronto: o título de hoje é À Meia Luz (“Gaslight”).

 

 

-Monix-

 

Dia 20 – Uma comédia romântica

Este é o meu confort movie, aquele que eu revejo quando as coisas estão ruins, para me lembrar de que há um lugar no mundo onde tudo termina bem. A delicadeza da história contada por Nora Ephron toma corpo nas belas interpretações de Meg Ryan e Billy Cristal – depois, ambos foram tachados de chatos, cafonas etc., mas neste filme estão no ponto alto de suas carreiras. E ainda tem a Carrie Fischer sem as tranças de princesa Leia. E os casais de verdade no sofá que depois virou inspiração pros comerciais da Brastemp. E a deliciosa cena do “I’ll have what she’s having”*, que você pode ver aí embaixo. AMO/SOU Harry e Sally.

 

 

-Monix-

* A frase não estava no roteiro – foi um “caco” incluído pela mãe do diretor, que fazia figuração comendo um lanche na mesa ao lado. :-)

Dia 19 – Um Faroeste

E eu que não gosto de faroeste tinha que escolher o mais polêmico de todos.

 

Brokeback Mountain

 

-Monix-

Dia 18 – Uma Animação

Porque meu avô querido da infância era o Bagui – uma tentativa tatibitate de apelidá-lo em homenagem à pantera Baguera -, minha animação favorita tem que ser Mogli. Porque esse nosso batalhão é uma instituição. E queremos o necessário, somente o necessário – o extraordinário é demais.

Mogli é de um tempo em que os desenhos da Disney tinham um estilo que nunca mais se repetiu – como os personagens longilíneos de 101 Dálmatas e A Bela Adormecida, por exemplo. Mas ao contrário dos outros longas do estúdio – pelo menos até então – a ambientação não era nada europeia, e sim uma floresta tropical, que combinou de modo muito interessante com uma trilha jazzística de arrasar. A dublagem brasileira também é inesquecível, cujo ponto alto é o MPB-4 cantando a música doa abutres.

Sem dúvida, meu filme de animação inesquecível.

-Monix-

Dia 17 – Brasileirão

O Céu de Suely pode não ser o filme mais badalado do cinema brasileiro, muito menos o de mais sucesso, nem do ponto de vista da crítica nem do público. Talvez nem mesmo possa ser classificado como o meu favorito, mas foi o primeiro que me veio à cabeça e acho que sei o por quê: foi um filme que me fez vivenciar o drama como se fosse meu, como se eu estivesse ali, naquele interior do nordeste. Sem nunca ter sequer passado por lugares como aqueles, eu estive lá.

-Monix-

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