Parabéns pra você

abraço

(Do RJ40Graus)

Helê

Laissez passer

Quando fui a Roma, lá pelo penúltimo ou último dia da viagem, eu simplesmente não queria mais atravessar a rua. Precisava ir ao banco, que ficava do outro lado da rua, e simplesmente me recusei – meu irmão precisou subir até o hotel (que ficava do mesmo lado da calçada, a propósito) para resolver a situação, porque eu realmente não aguentava mais aquele estresse. O “problema” era que, acostumada ao trânsito do Rio de Janeiro, eu achava os motoristas de Roma uns selvagens – muitas ruas não têm sinal de trânsito, apenas uma faixa de pedestres, e basta colocar o pé na dita cuja que os carros reduzem a velocidade, ou desviam, mas não param. A pessoa vai atravessando, portanto, no meio dos carros, de uma forma que para mim parecia arriscadíssima, mas que de fato funciona, e muito mais organizadamente do que me pareceu então.

Depois, vi o mesmo sistema funcionando ainda melhor em Londres e em várias outras cidades do mundo, inclusive Brasília, e em Praga paguei o mico de, ao consultar o mapa plantada estrategicamente ao lado de uma faixa de pedestres, provocar uma pequena confusão no trânsito, pois os motoristas paravam para me deixar passar… e eu continuava parada!

Ver que em outras cidades os pedestres têm prioridade absoluta me faz ver em cores fortíssimas o quanto somos motoristas mal-educados aqui no Rio. E me incluo completamente nesse grupo – volta e meio levo uma bronquinha do namorado por causa disso -, mas tenho feito um esforço danado para me condicionar a parar nas faixas de pedestre e cruzamentos, principalmente quando não há sinal. Não é fácil. Além de não estar nem um pouco acostumada, sou super distraída e às vezes nem percebo que há pessoas na calçada esperando para atravessar. Mas na maioria das vezes é mesmo uma questão de hábito: já me peguei buzinando de leve para “avisar” que estava passando, em vez de reduzir a velocidade e deixar a pessoa passar. Muito feio.

As pessoas deveriam ter prioridade, sempre. Nesse trânsito louco, é um recado que precisa ser dado.

-Monix-

Aquele lugar

Eu sei que vocês já estão guardando a Quaresma e não me aguentam mais falando de carnaval. Mas essa quem disse foi o Matheus, que tem cinco aninhos, mora no interior de São Paulo e encheu meu coração de ternura:

- Mãe, sabe aquele lugar onde tem o papai do céu assim?
- Onde?
- Assim (de braços abertos). O Rio de Janêlo, aquele lugá que o canaval não acaba nunca! Tem a menina, que carrega a bandêla. E o menino que fica com o leque e faz obrigada pra ela.

Helê

PS: Procurei um casal mangueirense, claro, mas o mais importante era achar a exata posição descrita com acuidade pelo pequeno.

Aquele Abraço, Rio!

Celebrando o aniversário dessa senhora de 447 anos , outros ângulos da cidade:

Avenida Presidente Vargas, sentido zona norte, com o relógio da Central à direita

(Skyscrapercity)
Panorâmica de Bangu, zona oeste do Rio
(Foto de Ricardo Barradas)
A antiga fábrica de tecidos (da canção Três Apitos, de Noel Rosa) em Vila Isabel, zona norte
(Skyscrapercity)
Cordovil, subúrbio (“Lá não tem claro-escuro/A luz é dura/A chapa é quente”  - Subúrbio, Chico Buarque)
(Skyscrapercity)

Oswaldo Cruz (“Casas sem cor/Ruas de pó, cidade/Que não se pinta/Que é sem vaidade” CB)

(Skyscrapercity)
Inspirada pela garbosa amiga Tati Duarte, suburbana como eu, Parasita de primeira geração, carioca apaixonada como todos .
Helê

A razão da simpatia, do poder, do algo mais e da alegria

Timoneiros da Viola, Embaixadores da Folia, Multibloco, Sassaricando, Cordão do Boitatá, Bangalafumenga, Toca Raul, Volta Alice, Baianada, Arteiros da Glória, É bom suar, A Rocha, Orquestra Voadora, Largo do Machado mas não largo do copo, Me beija que eu sou cineasta.  Tá bom pra vocês? Pra mim foi sensacional.

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Paulo da Portela, Timoneiro de 1ª hora

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Houve acontecimentos  grandiosos como os Timoneiros e lances sutis como a oração a São Jorge antes do desfile do A Rocha e Os Embaixadores da Folia cantando “Carinhoso” perto de onde desabaram os prédios no Centro. De tudo isso e mil e outras lembranças, gracejos e gestos é feito o carnaval de rua carioca.

Ele, você sabe, é o Pavão Misterioso

Foi o carnaval da consolidação dessa jovem agremiação que é o Me Chama que eu Vou, que com a presença agregadora e festiva de sua musa, uniu a zona norte à zona sul e até mesmo paulistanos (!) em suas hostes, tendo sua apoteose triunfal no já histórico desfile do  Baianada.

   

Parece que a musa teve um probleminha ao fim do reinado momesco, alguma lesão numa costela, devido ao esforço excessivo, segundo o médico. Mas o que é uma costela avariada depois de DOIS anos sem carnaval, não é, Manu? Quantas a gente tem mesmo ? Tá no lucro!

   

Não sou eu quem me navega, quem me navega é o samba e a alegria de circular pela cidade com os amigos todos, celebrando a vida, sem economia de sorriso, muito menos de gargalhada. Pois foi o que se deu nesses dias quentes e claros do carnaval 2012.

  

Reconheceu ele, né? João sem braço, oras.

Segue sendo um mistério o que faz de um bom bloco um bloco bom. Incontáveis  fatores determinam o sucesso de um desfile ou concentração. Funcionou para mim esse ano ir onde minha intuição mandou; onde ela me chamou eu fui e fui muito feliz.Talvez ajude manter a mente aberta, a espinha ereta e o quadril intranquilo, procurando vaga uma hora aqui outra li no baticum das ruas. Esta certamente é uma receita e a razão da simpatia, do poder, do algo mais e da alegria.

Beijo y mi liga

Helê

Sem mais no momento

Helê

Gentileza

Esse verão só não será o das bolinhas ou da Praça Paris porque a instalação ficou pouco tempo em cartaz. Ficasse mais um bocado e já seria eleita point da estação, como ocorre sempre aos não muito criativos editores de segundo caderno. De todo modo, “Silêncio Total em Paris” será inesquecível para quem pode usufruir da ludicidade e beleza proporcionadas pela experiência. Não por acaso, nas duas vezes que fui  tive encontros inesperados e a continuação do programa foi igualmente prazerosa: seguiu-se ao passeio circular pela praça – tradição interiorana, como bem lembrou Ana Paula – papo com amigos queridos encontrados sem muita (ou com nenhuma) combinação, regado a chopp e risadas, no melhor estilo carioca de viver, sobretudo (n)o verão.

Por tudo isso, quando vi Giancarlo Neri, responsável pela obra, tive o impulso de abordá-lo e agradecer pelo que nos proporcionou, a nós cariocas e à cidade. Só depois que ele se afastou me dei conta de que não tirei uma foto com ele. Lamentei mas ao mesmo tempo fiquei meio prosa de mim mesma, por ainda ter e seguir impulsos, e por não sobrepor o registro à fruição do momento. E quando falei com ele nem tinha visto essa placa, que achei de uma gentileza incomum :

Helê

Imperdível

É só até sábado, dia 4, então corre lá na Praça Paris, gente, para ver a instalação “Máximo silêncio”, do artista Giancarlo Neri.

Achou bonita a foto? Não traduz a experiência de estar lá, serião. Belo, lúdico, lisérgico foram alguns dos adjetivos que ouvi. E ainda tem o bônus de ver a praça ocupada por casais, grupos,  famílias, we the people resgatando um valioso espaço público que, em dias normais, fica deserto à noite. Encontrei com alguns conhecidos – o que nesta terra é  indício inequívoco de bom programa. #sigaadica

Helê

Constatação

Eu posso , tô considerando e provavelmente irei.

Mas eu não preciso viajar nas férias.  Porque eu moro no Rio.

Lua cheia nascendo na Lagoa

Helê

Vergonha

Quem mora no Rio já está acostumado a ter um lado meio guia turístico amador. Ao longo do ano, muitas vezes recebemos aquele e-mail ou telefonema tão familiar: “oi, meu amigo gringo / filho / cunhado está indo passar uns dias no Rio, você teria uma sugestão de passeio / hospedagem / balada / restaurante?”

No meu caso, é um prazer atender esses pedidos. Além do fato de ser apaixonada (ainda que nem sempre tenha razões objetivas para isso) pela cidade, desconfio que tenho mesmo uma vocação reprimida para guia turística – não é para “me gabar” não, mas meus e-mails com dicas de viagens não costumam deixar o cliente insatisfeito. :-)

Quando recebo hóspedes de fora, o único passeio a que faço questão de leva-los é um giro pelo Centro do Rio. Pode ser a Cinelândia com seus prédios históricos e o suntuoso Cinema Odeon BR; uma caminhada pela rua do Lavradio, ou a Praça XV, ou a Gonçalves Dias com a imperdível Confeitaria Colombo; a travessia da avenida Presidente Vargas com a igreja da Candelária “de costas”; ou a renascente Zona Portuária, com o charmoso Largo de São Francisco da Prainha, a Gamboa, a confusão da Praça Mauá.

Uma recomendação que nunca falta é que o visitante tire um tempinho para ir à Lapa e a Santa Teresa, dois lugares onde o Rio é mais carioca. Quem vem de fora costuma ficar muito restrito ao circuito Zona Sul – praias, e essa é só uma face da cidade – uma parte importante do que somos, mas não a única.

Por tudo isso, o acidente com o bondinho de Santa Teresa, um cartão postal valioso da cidade, é imperdoável. Não dá para aceitar o descaso das autoridades responsáveis pela manutenção dos bondes e pela segurança dos passageiros. Já seria um acidente gravíssimo em circunstâncias normais (um meio de transporte, que leva pessoas de um lugar a outro, administrado pelo Estado, tem que estar acima de qualquer dúvida no que diz respeito à segurança). Mas em se tratando de um ponto turístico importantíssimo de um município que vive de sua reputação de Cidade Maravilhosa, sinceramente, não dá para relevar nem atenuar. Espero que o luto dos próximos dias tenha pelo menos o efeito de catalisar as mudanças importantes que precisam ser feitas no sistema de bondes de Santa Teresa.*

-Monix-

* Espero porque sou de esperança. Os fatos não nos deixam muito espaço para otimismo.
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