Quinta-feira, Abril 24, 2008

Sally: I’m gonna be forty.
Harry: When?
Sally: Someday.
Harry: In eight years.
Sally: But it’s there.

Pois é. Tal e qual Sally, eu vou fazer 40 anos. Um dia. Amanhã serão 38, falta pouco.
Sempre tive a estranha mania de arredondar minha idade pra cima. (Nem tentem entender.) Então já estou me considerando meio quarentona. Sinceramente, não tenho (ainda) os sintomas clássicos da crise da meia-idade. Mas algumas coisas não dá pra ignorar. É fato que a idade pesa. (E o peso, well… também pesa.) Ou melhor, a maturidade chega, meio sorrateiramente, e quando a gente percebe está se questionando sobre uma possível caminhada na rota da caretice, por exemplo. É, amigos, a gente vai encaretando com o tempo? Será?
O fato é que já sou “gente grande” há muito tempo. A adolescência acabou há duas décadas. Saí da faculdade, e não foi ontem, nem anteontem, nem semana passada: põe aí 15 anos nessa conta. O tempo de correr riscos sem pensar no dia de amanhã já acabou; a inconseqüência alegre da juventude não tem mais lugar. Digo isso com muito orgulho, e sem nenhum pingo de nostalgia. É muito bom ter noção das minhas responsabilidades, com os ônus e bônus que isso acarreta. Sim, há bônus: minhas conquistas são meu patrimônio; minha evolução como ser humano é meu benefício por estar aqui, nessa terra, na labuta diária. Foi-se o tempo do impensado. A vida agora é pautada pelas escolhas que já fiz, e pelas que tenho que fazer, todo o tempo. Com a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo.
Mas depois de tudo isso pensado e repensado, nesse período de avaliação anual que precede os aniversários, fiquei com uma dúvida bem conveniente no momento: serão os 50 os novos 40? ;-)
(Porque, como vocês já sabem, não trabalhamos com coerência.)

-Monix-

Quinta-feira, Novembro 29, 2007

Aí o Milton Ribeiro disse que “por um mecanismo que não conseguiria explicar, mas do qual tenho convicção epitelial, digo-te que a maioria de nós é mais preconceituosa nesta idade do que depois. Eu também andava de lá para cá com meus adesivos, tentando colar rótulos em coisas e pessoas. Depois, a gente desiste pois cada rótulo está associado a um contexto e o quem é revolucionário aqui é bombeiro ali e vice-versa.”

Pois é. Eu sempre ouvi muito esse papo de que na adolescência a gente sabe tudo, e conforme envelhece vai descobrindo que não sabe nada… e agora, cada vez mais, me dou conta do quanto é verdadeira essa afirmação, do quanto a gente vai sabendo menos à medida que amadurece. A soma de todas as coisas que vimos, das experiências que vivenciamos, das pessoas com quem convivemos, das diferentes culturas que conhecemos vai se amalgamando numa dúvida permanente. A capacidade de amadurecimento está diretamente ligada à capacidade de se pôr em xeque a cada momento. Quem não tem dúvida sobre suas convicções simplesmente não cresce, fica preso ao conceito, e como diz La Otra, prefere estar certo do que ser feliz.
É como aquela história da árvore, que se enverga para não quebrar.
Meu esforço atualmente é todo para me manter inteira, mesmo que flexionada.

-Monix-

Na bucha

Setembro 12, 2007



Diz que a Danuza Leão – que, como se sabe, tem 823 anos – foi dar uma aula de etiqueta na Casa do Saber, aqui no Rio, e alguém perguntou pra ela como era envelhecer. Ao que ela respondeu, segundo consta, elegante e sinceramente: “Eu não sei”.
A-do-gay.

Helê

My Generation

Maio 15, 2007



Antes que vocês se escandalizem, lembrem-se que eu não sou uma rock ‘n roll person. Daí meu analfabetismo galopante sobre ícones como o The Who, por exemplo (cujo nome eu ainda acho genial).

Pois bem: semanas atrás meu amigo Márcio me enviou o vídeo dos velhinhos ingleses cantando My generation, clássico do Who que eu não conhecia. Achei fascinante que uma canção gravada há mais de 40 anos por jovens músicos rebeldes volte às paradas na gravação do The Zimmers*, um grupo em que todos os integrantes têm mais de 70 anos. Os caras e as coroas estão bombando na internet – seja no YouTube ou na página deles no My space – cantando em alto e bom som I hope I die before I get old.

Mesmo se for uma jogada de marketing, é das melhores.

Helê
*Os andadores, em alusão aos aparelhos de apoio usados por idosos

12:20 AM

A pessoa está irremediavelmente velha quando…

Março 26, 2007



…joelhos e cotovelos passam a exigir atenção prioritária ao passar creme hidrantante pela manhã.

-Monix-

Nossas respostas

Março 16, 2007



Aos 70 anos eu quero suspirar feliz e pensar:

- Que família bacana eu construi!
Helê

- Nossa, como estou me divertindo!
Monix

- Caraca, mais de 30 anos de amizade!
As duas juntas

Queremos saber

Março 12, 2007



A idéia foi da nossa amiga Cibbele, e a gente quer saber a sua resposta.

Complete a frase:

Aos 70 anos eu quero suspirar feliz e pensar:

Duas Fridas
PS: Depois a gente posta nossas respostas.

Quando envelhecer é um privilégio

Janeiro 21, 2007

Sugestão: leia ouvindo a trilha sonora Tempo I no Dufas Dial.

A bem da verdade sempre é, porque só não envelhece quem morre – e como diz Veríssimo Meu Rei, morrer é última coisa que eu quero que me aconteça. Mas somos catequizados insistentemente, diariamente para acreditar que envelhecer só nos traz melancolia, cabelos brancos, saudade, ‘ismos’ e ‘oses’ terríveis, só perda e desolação.

Ocorre que há prazeres únicos que só o tempo traz (ainda que esse tempo varie de um para outro). E em geral são ganhos preciosos e únicos, capazes de deixar a alma leve e o coração pleno. Tanto que nos fazem pensar que todas as desvantagens são irrelevantes, tarifas quase simbólicas. Eu, por exemplo, sinto que o tempo está a meu favor quando…

*…danço com meu sobrinho Danilo na festa de reveillon o funk engraçado e o samba sincopado; quando ele me manda um mp3 de um novo cantor (e eu gosto); quando empresto meus livros pra ele. A experiência de ver crescer uma pessoa e descobri-la assim, ‘gente fina, elegante e sincera’ (como sabiamente definiu Lulu), enche você de esperança e de orgulho (mesmo que você não tenha participação na criação do cidadão). Perceber vínculos e afinidades para além dos laços sanguíneos e das convenções sociais, sacar que aquela é uma pessoa interessante, querida e ainda por cima é da sua família – que sorte, heim?!

*… penso na Andréia e me dou conta dos nossos mais de vinte anos de amizade. A gente finge que não gosta de falar sobre números nem de fazer as contas, mas é só pra disfarçar o orgulho danado de encontrar e manter uma amizade por tanto tempo, crescendo, amadurecendo, sofrendo, aproveitando a vida juntas. Oh, sim, houve momentos de maior e menor proximidade, intensidade e dedicação – afinal, uma amizade é uma relação de amor e como tal está sujeita a desgastes. Por isso mesmo é tão reconfortante saber que o sentimento e a intimidade sobreviveram ao tempo, ou por outra, alimentaram-se dele para fazer de nós quem somos, e nos manter amigas.

*… meu amigo Marcelo nos contou que vai ser pai com empolgação de menino, a alegria exalando por todos os poros. Porque ele precisou de um certo tempo – nem muito nem pouco, apenas muito particular – para permitir-se essa espera, e agora está totalmente entregue. Ele era daqueles sem-filhos convictos, sabe como? Pois é, tanto que a minha reação natural seria sacaneá-lo, lógico – como fazem os amigos, especialmente os cariocas. E eu o teria feito, não fosse tão genuína a emoção dele com essa promessa de vida no coração.

*… olho pra minha filha, todos os dias (last but not least). Essa era a ”baba” da lista porque a experiência de ter filhos e observá-los crescendo, definido personalidade, desejos, jeitos é simplesmente fascinante. Na maior parte do tempo a gente está muito envolvido na função, decidindo, educando, reprimindo, estimulando, e centenas de outros gerúndios. Mas não são raros os momentos em que a gente se encontra no papel de observador, e assiste aquela pessoa formar-se, exibindo, às vezes, um matiz ou tom parecido com os seus; em outras vezes, nuances e sons totalmente inesperados, para nosso espantando deleite de acompanhar um mistério.

E você, em que ocasiões o tempo lhe sorri?

Helê
PS: Este post vai pro Marcelo, pro Danilo, pra Júlia e pra Andréia, claro, que eu amo e me ensinam a sorrir para o tempo e receber o bom e o bem que ele oferece.
Ah, e o samba vai pra Dorival Caymmi, João Gilberto e Caetano Veloso! Hahahahaha!

Da série Veríssimo é meu pastor e nada me faltará

De todas as coisas chatas da vida, a única realmente inadiável, ao contrário de, por exemplo, visita ao dentista, é a velhice. Não gosto que me imponham coisas e a velhice é uma imposição, uma prepotência do tempo. Sou contra.

Luis Fernando Veríssimo, com a acuidade de sempre, n’ O Globo de hoje, sobre seu aniversário de 70 anos (dia 26 de setembro, um dia antes do meu).
Helê

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