Comentário supremo

Terça-feira, Julho 31, 2007

Quesito gaaaaaatos. Eu montaria fácil uma seleção poliesportiva multiuso (odiei chamarem a arena assim, parecia produto de limpeza). Uma não, duas. Uma nacional e outra internacional. A equipe de vôlei americana por exemplo entraria quase toda… Mas o melhor foi uma amiga minha q disse que a vontade dela era ir pros estádios com uma placa “aceito refugiados cubanos”! hahahahah

Eu tive que postar esse comentário da Renata, que eu achei o fecho com chave de ouvro do Pan, cês não acham?

Helê

Pan – fim

Domingo, Julho 29, 2007

I beg to differ. Mas é mesmo uma inglesa trocada na maternidade essa minha sócia, né, gente? Você tem toda razão, darling, não é uma coisa menor, eu também ficaria vermelha de bergonha, se a melanina permitisse.
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Desta vez, na cerimônia de encerramento, a vaia às autoridades foi democraticamente repartida entre união, estado e prefeitura.
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Que saber o que me emocionou nessa festa? Fernanda Abreu, DJ Malboro e as popozudas cantando funk. Eu fiquei pensando em que outra cidade um evento internacional e chapa branca feito o Pan abria espaço pra uma manifestação cultural da periferia, sem tentar estilizar ou folclorizar a coisa. Assim, em pleno maraca, com transmissão para as Américas, mandar que “eu só quero é ser feliz/andar tranqüilamente na favela em que eu nasci”? Achei lindo. Eu não sou fã do gênero, mas simbolicamente é muito interessante o DJ Malboro ter o mesmo espaço que o Lenine (maravilhoso como Jorge Drexler, cês viram?).

Helê

Domingo, Julho 29, 2007

No Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio

Nelson Rodrigues

Helê, dessa vez vou pedir licença pra usar uma expressão que eu adoro: I beg to differ. Não acho que o vexame das vaias da torcida possa ser reduzido a uma galhofa que passou dos limites.
Na minha opinião, o que se viu foi um público mal-educado e pouco acostumado com competições esportivas outras que não o futebol – e nesse ponto você tem razão, esperemos que eventos como esse sirvam para educar a platéia carioca. Se o Maracanã está acostumado a abrigar vaias homéricas, memoráveis, rodrigueanas, tudo certo: o futebol é um esporte coletivo, jogado para a multidão, em que a vibração da torcida faz parte do jogo. (Embora eu prefira, sempre, o apoio positivo, com aplausos, à tentativa de desestabilizar o adversário com vaias.)

O caso é que nos esportes individuais, como ginástica, tênis, hipismo, atletismo, pega muito mal vaiar um atleta. É como receber um convidado em nossa casa para o jantar e passar a noite inteira o ofendendo.

De resto, a cidade se comportou como sempre, à altura do evento internacional: como costuma acontecer, o caos anunciado virou conto da carochinha, quase não vimos engarrafamentos, não houve incidentes de grande porte. Mas as falhas da organização – e mesmo as de infra-estrutura – somadas ao comportamento lamentável da torcida, que, diga-se de passagem, teve apoio até de ícones do esporte nacional, como Oscar Schmidt, na minha opinião mancharam um pouco estes jogos que foram considerados os melhores de toda a história da competição pelo próprio presidente da Odepa.

Parece que o ufanismo histérico de Galvão Bueno e seus pastiches contaminaram a todos, e de repente virou questão de honra nacional conquistar todas as medalhas de ouro, mesmo as que não merecíamos. Tem até quem defenda a vaia, vai entender.

Embora eu não seja uma pessoa muito esportiva, ao que me conste a idéia geral da coisa, conforme ditou o Barão de Coubertin na pré-história das mega-competições-fortemente-patrocinadas, o importante era competir. E que vencesse o melhor.

-Monix-

Panamenidades

Julho 26, 2007

Ninguém mais lembra – afinal, faz 10 dias! – mas a abertura foi muito bacana, com vaia e tudo. Eu me pergunto se para os de fora não foi tão chata quanto as outras foram pra mim, porque é sempre um show sobre o umbigo do anfitrião, né mesmo? E como é que a gente traduz a Adriana Partimpim naquela cadeirona cantando Caymmi? Como é que se legenda uma força feito o Cordel do Fogo Encantado? Só em português brasileiro é que dá pra sacar toda a poesia daqueles momentos.
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Eu não sou a torcedora típica, vocês sabem que o Pacheco aqui de casa é outro. Mas depois do acidente da Tam o Pan passou a ser a melhor parte do noticiário.
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A torcida andou dando uns vexames, vamos admitir. Bem coisa de carioca, que começa na galhofa, se anima, passa dos limites e perde a loção (agora o Marcos VP abriu deu uma risadinha ali que eu vi!). Mas um evento como esses acaba servindo também para educar as platéias, espero eu.
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Prefiro destacar a as sacadas criativas, como acompanhar o Danúbio Azul com palmas (no jogo de vôlei masculino). Ou, a melhor de todas até agora: na cerimônia de abertura, o cartola mexicano cumprimenta a platéia, e inicia seu discurso:
- Hoy….
E faz a pausa que a galera aproveita e responde:
- OOOOOOOIIIIII!
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A dispensa do Ricardinho virou um babado que eu vou te contar! De fato, é uma grande notícia que o recém eleito melhor jogador do mundo, capitão da seleção, seja dispensado etcetera e tal. Mas veja bem: o técnico já falou em desgaste, estress da relação, problemas de comportamento, atraso… O que mais precisa explicar, gentem? Precisam que soletre? Ou é a sede por detalhes sórdidos?
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Eu não me acostumo com essa metamorfose do pingue-pongue, nesses eventos vira tênis de mesa!
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O astral da cidade é maravilhoso, um clima assim meio copa do mundo, sabe? O povo animado, tomando o que lhe pertence: as ruas. Foi uma cena memorável pegar o metrô no sábado, às 9 da noite, e encontrá-lo cheio, com famílias, turistas, grupos de amigos.

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Agora vem cá, memoráveis mesmo são os garotos da natação, heim? Aquele bando de menino sarado, criado a toddynho, com aqueles corpos intermináveis, amplos, belíssimos. O verdadeiro espetáculo do crescimento, benzadeus!

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Só um lembrete: Obina voltou!

Helê

8:37 AM
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Panamericano Lado B

Segunda-feira, Julho 16, 2007

Enquanto quase todo mundo aqui no Rio está garantindo seus ingressos para o vôlei, a ginástica artística, o patinete sobre grama, enfim esportes mais cotados em geral, esta que vos escreve foi assistir ontem a uma partida de beisebol.

Neste ponto, se você é uma pessoa normal, deve estar fazendo a indefectível pergunta: beisebol? Por que beisebol? Abafa.

Contrariando as expectativas, me diverti muito, e, acredite quem quiser, até consegui entender o jogo! Cheguei à conclusão de que beisebol não é um esporte para se assistir pela televisão – não dá pra entender nada. O primeiro jogo, Brasil X Nicarágua, foi menos animado, porque, afinal, é como se eu fosse assistir uma partida de futebol entre, sei lá, Guatemala e Nova Zelândia. A segunda partida do dia foi mais emocionante (acreditem! Há fortes emoções num jogo de beisebol): Cuba X México. A ilha de Fidel é o país do beisebol. Toda cidade tem seu estádio, as crianças jogam nas ruas, a seleção é forte, enfim, mais ou menos como nós nos relacionamos com o futebol. Vi quatro home runs (agora já sei o que é isso) e até uma briga.

O ponto fraco, infelizmente, foi a estrutura. Quem lê esse blog sabe que eu me ufano da minha cidade, mas já desde o início dos preparativos para esse Pan 2007 estava meio descrente da possibilidade de o Rio de Janeiro conseguir dar conta, num momento difícil como o que passamos, da organização de um evento internacional deste porte. Continua achando que a vocação natural da cidade é essa, e, de fato, apesar dos poucos contratempos, ainda acho que ao final o saldo vai ser positivo e tudo vai acabar dando certo, mesmo aos trancos e barrancos. Mas, imaginem, se até no tal de Engenhão tem gente reclamando de problemas, calculem o nível de tosquice do estádio de beisebol, que ainda por cima é provisório, montado com uma estrutura de metal na Cidade do Rock. Não tinha água para vender, os jogos noturnos tiveram que ser cancelados porque os postes de iluminação ficaram baixos demais e atrapalham os jogadores (alguém resolveu economizar no concreto, será?) e a cobertura da tribuna de imprensa voou com o vento (os pagantes ficavam a céu aberto mesmo, afinal, quem quer ir assistir beisebol tem mais é que sofrer com o sol e a chuva, não é mesmo?).

Por fim, o mais divertido foi a torcida. No jogo do Brasil, basicamente amigos e parentes dos jogadores, dando aquela força. Um dos torcedores corrigia o locutor, que, com sotaque carregadíssimo do interiorrr de São Paulo, anunciava a entrada do atreta Fulano de Tal, o tempo todo, das nove da manhã às três e meia da tarde. Ninguém merece.
No segundo jogo, dividimos a arquibancada com militantes pró-Fidel, que agitavam bandeiras, gritavam fora de hora (“quando eles fizerem um daqueles gols a gente canta Brasil, Cuba, um só coração“, instruiu a coordenadora da manifestação) e agitavam cartazes pedindo a libertação dos “cinco heróis” presos em Miami.

No final das contas, foi um domingo divertido e super diferente. E como saldo, agora eu entendo todas aquelas piadinhas obscuras de beisebol que eles fazem nos filmes e séries americanas. Já é alguma coisa. :P

-Monix-

Comentário off-topic: Dá nojo ver a capitalização que o nosso alcaide está fazendo em cima da badalação dos jogos. Tá certo, o projeto foi dele, que se elegeu duas vezes com essa “plataforma”, mas a verdade é que na hora de pagar a conta, quem compareceu de verdade foi o governo federal. O Lula tinha mais é que estar botando na praça dúzias de campanhas para, pelo menos, dividir os louros dessa história. Nessa tola discussão sobre Pan do Rio X Pan do Brasil, sei não, mas fica difícil defender a cidade. Até porque, se é tudo política, pelo menos escolho o político que menos me desagrada.

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