Santa Geórgia?

Helê

Deus, de novo

Pra Sil Flaqueto

Helê

Heard on tv

Do excelente episódio Unfaithful, de House, duas pérolas. Uma é a minha cara, aquela que não acredita em coincidência:

Einstein said, ‘Coincidence is God’s way of remaining anonymous.”

A outra é a cara do meu amigo ateu praticante, ironicamente batizado Christian:

God is not the opium of the masses; it’s the placebo of the masses“.

Helê

Desbatizar

debaptismFenômeno típico desses tempos internéticos: uma brincadeira ganha projeção e substância, tornando-se manifestação política. Segundo matéria da revista Time, em abril somavam mais de 100 mil os downloads de um certificado de “Desbatismo” fornecido por uma Sociedade Secular Nacional da Grã-Bretanha. Embora tenha estado disponível por cinco anos no site, o certificado começou a ser baixado na média de mil por semana, levando a NSS a oferecer uma versão para impressão por $4.50, que atingiu a marca de 2 mil pedidos em 3 semanas. Ainda de acordo com a Times, cada vez que o papa fala uma estupidez qualquer – como dizer, em visita ao continente mais devastado pela Aids, que a camisinha pode piorar o problema – os downloads aumentam. Uma opção interessante, nesse momento em que os ateus são conclamados a sair do armário.

Helê

Ora iê iê ô

8 de dezembro, dia de Oxum
e de N.Sra da Conceição

Helê

Uma jornada

Notas sobre a participação num encontro ecumênico latino-americano:

* Logo na abertura, uma ciranda. Ô coisa mais brasileira, comovente, infantil, aconchegante esse negócio de ciranda. É como um código universalmente brasileiro – todo mundo sabe, conhece, já brincou um dia.
* Uma liturgia aberta pelo Povo do Santo, que solicitou – e foi atendido – que a platéia levantasse para ouvi-los cantando para os Orixás. Ah bom, agora sim, agora é comigo esse negócio de ecumenismo.
* O povo do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto conquistou a todos da organização pela delicadeza com que pediam as coisas mais simples, pela sinceridade com que agradeciam aquilo que, na verdade, era nossa obrigação. Distribuíram chaveiros, esperanças, bonés e sorrisos. E ainda chamavam o certificado de diploma. E é, pra eles é. Uns fofos.
* A discussão era sobre intolerância religiosa, mas a pessoa iniciou sua fala informando sobre uma terrível tormenta que atingiu a Guatemala em outubro. Choveu no país durante oito dias ininterruptamente, vocês têm loção do que é isso? Uma tragédia – da qual a gente nem ouviu falar. E porque a gente lê todo o dia sobre o Iraque e ou sobre Qualquerquistão que entre em guerra? Chega dar vergonha quando estamos com outros latino-americanos (si, nós também somos!) o quão pouco sabemos sobre nossos vizinhos.
* O coordenador do Eureka, um grupo que trabalha com meninos e meninas de rua fazendo um som da pesada, em todos os sentidos, agradeceu a platéia e avisou que o grupo participaria no dia seguinte da liturgia: ”Amanhã nós estaremos na mística’. Perfeito, mais ecumênico, impossível.
* Mais ecumênico que isso só o incenso que comprei na volta: incenso São Jorge.

Helê

Que o novo Papa seja iluminado.

Amém.
Monix, duvidando bastante

A mídia subiu no telhado (de novo)


Gente, o papa foi eleito para Academia Brasileira de Letras e eu não soube?

Essa manchete, publicada no sábado de manhã — antes, portanto, da confirmação oficial da morte de João Paulo II — já adiantava o espetáculo exagerado da mídia que viria a seguir. Eu não sou católica, admito — embora tenha reservas de cristianismo indeléveis na minha formação. Mas mesmo considerando a extensão e influência da igreja católica aqui e no mundo eu não consigo entender porque tanto espaço e tempo dedicados à morte de um homem idoso e seriamente doente há anos; internado há semanas. Também não consigo enxergar tanta excepcionalidade numa suposta ”trajetória dedicada à paz” – como se essa não fosse um missão papal em si. Sim, foi um longo papado, 26 anos, mas desde quando longevidade é sinônimo de qualidade? E porque foi longo, porque nos últimos anos de vida foi executado com esforço e sacrifíco físico ele torna-se automaticamente um santo ?

Além disso, há algo de muito incômodo — para dizer o mínimo — nesse longo ritual fúnebre exibido à exautão pelas tevês de todo o mundo. Sobre isso o Guilherme Fiúza escreveu muito bem no texto ‘O papa empalhado’. Embora não concorde totalmente com o texto, ele aponta interessantes razões para a minha estranheza diante dos ritos e vale a leitura – se me permitem a dica.

Helena Costa

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