Declaração de voto: Marcelo Freixo & Eliomar Coelho
Helê
Filed under: Ágora | Tagged: Eleições 2012, eleioções, política, rio de janeiro | 2 Comentários »
Declaração de voto: Marcelo Freixo & Eliomar Coelho
Helê
Filed under: Ágora | Tagged: Eleições 2012, eleioções, política, rio de janeiro | 2 Comentários »
Celebrando o aniversário dessa senhora de 447 anos , outros ângulos da cidade:

Avenida Presidente Vargas, sentido zona norte, com o relógio da Central à direita
Oswaldo Cruz (“Casas sem cor/Ruas de pó, cidade/Que não se pinta/Que é sem vaidade” CB)
Filed under: Milpalavras, O Rio de Janeiro continua lindo | Tagged: fotografia, rio de janeiro, subúrbio | 4 Comentários »

Não sei quanto a vocês, mas eu sempre tive enorme curiosidade de saber como terá sido a cidade antes de chegar a ser o que é hoje. Sei que foram feitos inúmeros aterros, sei do desmonte do Morro do Castelo, sei que a orla da baía chegava até a metade do que hoje chamamos Praça XV. Mas, como boa taurina que sou, tenho dificuldade de enxergar no plano abstrato, meu raciocínio é muito concreto. Por isso adorei esse site, que mostra em animações muito bem feitas as mudanças promovidas no espaço geográfico, dos tempos coloniais até os dias de hoje. Vale a pena conferir, especialmente se você conhece o Rio de Janeiro – mesmo que seja por cartão postal.
-Monix-
Filed under: O Rio de Janeiro continua lindo | Tagged: rio de janeiro, urbanismo | 5 Comentários »
Bom, como sempre, houve o que comemorar e o que lamentar. Como eu prefiro, de um modo geral, look on the bright side, comemoro:
- Maluf derrotadíssimo em São Paulo
- Crivella fora do 2º turno
- Acêemezinho fora do 2º turno em Salvador
***
No domingo à noite os “analistas” da Globonews repetiam à exaustão que os números de Gabeira se deviam ao fato de que as urnas dos subúrbios ainda não tinham sido computadas. Tá. Isso com 45% de apuração. Só que com 75%, o papo era o mesmo, e aí começou a pegar mal.
***
Aliás, a Mônica Coringa Waldvogel entrevistou um so called especialista, que eu esqueci o nome, que começou a analisar as eleições paulistanas, dizendo que o 2º turno é uma outra eleição, que é quando se desenham as alianças… Mudei de canal. Ah, fala sério, precisa ser cientista político pra dizer isso?
***
Sim, o Chico Alencar tem razão, foi uma eleição despolitizada, fria. Não se
via muitos adesivos, bottons, nem se falava muito sobre eleições no Rio, a bem da verdade. Agora a coisa vai mudar de figura, acho que a candidatura do Gabeira tem potencial pra empolgar, e o outro vai pegar pesado, embora tentando fazer de conta que não. Quer ver como? A capa do Globo de hoje estampa o outro fazendo campanha e o Gabeira saindo da piscina do Flamengo, onde nadou ontem pela manhã. Nada de mais, né? É, pode ser. Mas eu achei que era uma maneira de citar a história da tanga sem citar. Ou, no mínimo, mostrar um trabalhando e o outro não.
***
E eu dizia ontem pro Luba que o Gabeira conseguiu trocar a imagem de porra-louca-zona-sul pela de político sério, utilizando de modo inteligente – e incessante – o vídeo do discurso dele contra o Severino Cavalcante na campanha da tevê. Hoje de manhã o Lu dizia “É, eu acho que ninguém vai usar essa história da tanguinha, ninguém vai usar uma baixaria dessas…” Aí eu vi a capa do Globo e pensei: usar a tanga não, mas fazer uma alusão…
***
Aliás, o Globo se esmera no reacionarismo, né? E vem chumbo grosso por aí, podem aguardar. A manchete do dia das eleições era uma imensa foto da favela do Vidigal e a pergunta “Quem vai dar um jeito nisso?”. Uma ode ao preconceito, não? O que é “isso”, exatamente? As favelas, os “favelados”? As favelas que se expandem pela zona sul da cidade – porque o Vidigal e não o Complexo do alemão, por exemplo? Na zona norte pode? Como é que um chamado grande jornal se refere dessa maneira desrespeitosa, pra dizer o mínimo, ao local de moradia de cerca de 20% da população carioca – e de 35% da população brasileira?
***
Na Tijuca, Gabeira deu de 45% a 25% no outro. Fiquei feliz com meu bairro.
***
Lembrancinha: Gabeira foi incentivado a se candidatar, e a primeira vez que ouvi falar sobre a candidatura dele foi aqui na blogosfera. Só pra registrar.
***
E voltando ao post de domingo: pensei depois que eu mudei meu título quando estava grávida da minha filha; votei de barrigão no Lula em 2002 (e fui pra Cinelândia comemorar com um barrigão ainda maior). Repeti o voto em 2006, e dessa vez ela apertou o confirma e apontou feliz da vida pra máquina: “Olha o Lula, mãe, o nosso Lula!”. Domingo lá fomos nós outra vez votar juntinhas. Pensando bem, às vezes umas tradições precisam morrer pra dar lugar a outras.
Helê
Filed under: Opiniões Não Solicitadas | Tagged: eleições, política, rio de janeiro | 3 Comentários »
O Supercarioca chegou
Com seus emblemas culturais
Com samba praia bola e tantas coisas mais
O Supercarioca chegou
Esquecendo a vida entre copos de cerveja
Quando se chutam latas sempre se faz
Mais que um gol!
Picassos Falsos
Quem lê este blog sabe do tanto que eu me ufano do Rio de Janeiro. A cidade é linda, isso não se discute. E tem o charme incomparável de ser habitada por cariocas, de nascença ou por merecimento, pois é claro que ser carioca não é para qualquer um – sendo que, no fim das contas, é para qualquer um.
Só que nos últimos tempos a informalidade e a descontração carioquíssimas por natureza estão se transmutando em seu oposto energético, que se traduz, como diz um amigo, em bundalelê puro e simples. Me sinto vivendo num território sem lei. O jeito meio irreverente de quem vive aqui virou desprezo pelas mínimas regras de civilidade. As pessoas não atravessam a rua (faixa de pedestres? O que é isso?), elas se jogam no meio dos carros, e salve-se quem puder. A seta é um item que só serve para fazer os carros serem reprovados na vistoria do Detran – isto é, quando o motorista em questão se dá ao trabalho de levar o carro para fazer a vistoria, o que nem sempre acontece. As calçadas são terra de ninguém: o camelô monta sua barraquinha, o lojista bota seu tapume e faz a obra (por tempo indeterminado), sem se dar conta de que está impedindo a passagem, os motoristas largam os carros, muitas vezes bloqueando as rampas dos deficientes físicos. Todo mundo buzina indiscriminadamente, de dia ou à noite, na frente de maternidades, hospitais. Os pais de alunos fazem fila dupla ou tripla para buscar seus pimpolhos na escola e dão aula de des-cidadania. É tanto caos que às vezes eu me pergunto como é que ainda não entramos em colapso. Ou vai ver o colapso já aconteceu e a gente simplesmente não percebeu, dada a enorme capacidade de adaptação do ser humano.
A gente ama apesar dos defeitos e não por causa das qualidades. Não deixaria de amar um homem por ele ser difícil, assim como não amo menos minha cidade por ela ser caótica.
Mas às vezes confesso que cansa um pouco.
Chamem o Supercarioca, por favor.
-Monix-
(publicado originalmente em 12 de dezembro de 2007)
Filed under: O Rio de Janeiro continua lindo | Tagged: cidadania, cidades, rio de janeiro | 5 Comentários »
Sou só eu ou alguém mais vê relação direta entre as duas notícias assinaladas em vermelho (retiradas da editoria Rio do Globo Online)?
Sou só eu ou alguém aí também tem mais medo dos motoristas-assassinos-furadores-de-sinal que dos assaltantes?
***
O mais assustador é constatar que, ao decidir desligar os radares à noite em vez de iluminar a cidade e - medida impensável nos tempos que correm – aumentar o número de policiais patrulhando as ruas de madrugada, a mensagem que as autoridades passam é: corram, corram o máximo que puderem, e salve-se quem puder!
-Monix-
Filed under: Opiniões Não Solicitadas | Tagged: rio de janeiro, trânsito | 5 Comentários »
Domingo, oito e meia da noite.
Desço de carro de Santa Teresa, um bairro charmosíssimo, no alto de montanhas, cercado por bairros da zona norte, zona sul e centro. E também rodeado por favelas de diferentes graus de periculosidade. Há vários acessos, todos por ladeiras de paralelepípedos de mão dupla, onde o espírito meio comunitário meio bicho-grilo que permeia as relações lá em cima da montanha se transfere com mágica para o trânsito. Se Santa Teresa não tivesse essa cultura tão peculiar, seria inviável andar de carro naquelas ruas tão anacrônicas.
Escolhi para minha descida a rua Cândido Mendes, já que a Benjamin Constant, mais íngreme e menos sinuosa, estava fechada porque caiu um poste (quem me avisou foi outra motorista que estava voltando). O carro estava de janelas abertas, coisa que só faço quando estou em movimento – quem dirige no Rio de Janeiro fecha os vidros, com ou sem motivo concreto.
No final da ladeira, um bloqueio. Quatro ou cinco homens jovens, dois deles segurando uma corda para bloquear a passagem dos motoristas. Um terceiro se dirige a mim com uma caixa de sabão em pó (vazia) na mão. Tremo. O medo é uma presença invisível na cidade, que aparece instantaneamente a cada vez que é convocado.
“Moça, pode colaborar com a pintura da rua para a Copa do Mundo?”
Ufa! Claro que sim, amigo. Infelizmente só tenho poucas moedas, mas vamos lá, Brasil-sil-sil!
Sigo em frente, e mais adiante vejo a festa, os vizinhos estendendo bandeirinhas, rabiscando o chão com giz para receber a tinta verde e amarela sobre os desenhos preparados com carinho.
Lamento me sentir tão refém do pânico. Lamento pelos rapazes, que devem estar arrecadando bem menos dinheiro do que poderiam. E no fim das contas, temo pela segurança deles, que repousa fragilmente sobre motoristas apavorados com pelo menos uma arma na mão – o próprio carro. Sem falar na possibilidade de outra, no porta-luvas. Torço para que sejam protegidos, que consigam enfeitar sua rua, que a festa continue.
-Monix-
Filed under: Boleira, O Rio de Janeiro continua lindo | Tagged: copa do mundo, rio de janeiro, segurança | Deixar um Comentário »
No sábado fomos atrás de um bloco infantil, o Gigantes da Lira – uma tradição mothern carioca, por assim dizer. Depois de 10 minutos no local achamos que havia algo de errado, porque ainda não encontráramos nenhum conhecido. Não marcamos com ninguém, mas isso é absolutamente desnecessário: no Rio, em qualquer evento você sempre encontra pelo menos um par de conhecidos. Inexplicavelemente, quanto maior o babado maiores as chances de encontrá-los. Pode ser no carnaval, em clássico no Maracanã, show dos Roling Stones, praia lotada, o que for. E o detalhe é que as pessoas com quais você encontra não são, necessariamente, frequentadores daquele pedaço da praia, fãs daquela banda ou torcedores daqueles times.
No sábado, por exemplo, eu não encontrei nenhuma mothern carioca (que pena, Fer !), mas logo depois de reclamar encontrei com uma amiga… que mora em Brasília. Mais dois passos e reencontro outra amiga que não vejo há anos – que não tem filhos e está morando na divisa com Minas Gerais – tava ali só dando pinta, como ela gosta de dizer. Avistei duas conhecidas que moravam em Madureira, do outro lado da cidade… E isso, como eu disse, é típico e louco, porque o Rio, afinal, não é Joinville, tem mais de 10 milhões de habitantes! Vá entender!
***
Imagina a cena: fim de tarde de verão, Rio, bloco sem carro de som (aleluia!), bairro das Laranjeiras, crianças fantasiadas, clima de paz&amor total, nenhum rascunho de tumulto e uma pequena multidão entoando ”Carinhoso”. Comovente.
***
Falando do Rio, a trilha sonora do meu verão, até aqui tem Jack Johnson (uhu! eu gosto de algo contemporâneo!) e o delicioso cd ”Letra e Música” do Lulu Santos. Além do revival ‘Popstar’, tem ‘Vale de lágrimas’, que eu adoro e só consigo cantar bem alto e uma bela declaração à Maravilhosa com os singelos versos:
”E te devolvo em respeito o que me dás em alegria
Rio, sou a sua cria”
(Zerodoisum)
Helê, com o Cabôco Postadô
Filed under: O Rio de Janeiro continua lindo | Tagged: carnaval, rio de janeiro | Deixar um Comentário »
Do site do Ibase

No dia 31 de março, a Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, vivenciou horas de terror. Uma chacina deixou saldo de 30 mortos. Mais uma vez, moradores(as) de favelas e bairros populares são vítimas de atrocidade. Mais uma vez, a maioria das vítimas são homens negros. Infelizmente, não foi a primeira vez que o Rio de Janeiro foi palco de uma tragédia como essa. Dia 15 [foi realizada] uma passeata contra a violência que, só nos últimos anos, atingiu fortemente Borel, Vigário Geral, favelas do Rebú e Coréia, entre outras.
Duas Fridas
Filed under: Aspas, O Rio de Janeiro continua lindo | Tagged: rio de janeiro, violência | Deixar um Comentário »
O site do Globo tem os blogs dos colunistas, né? Tava lá na Dani Name, uma garota carioca sangue bão:
É SOM DE PRETO, DE FAVELADO…
Mas quando toca, ninguém fica parado.
É som de preto, de favelado… E talvez por isso o funk ainda sofra tanto preconceito.
Funk é música de bandido? Também.
Os bandidos moram – e, infelizmente, mandam – nas comunidades onde o batidão é feito. Os bandidos que moram na periferia gostam de funk porque ela é a música dos pretos que moram nos morros e freqüentam os bailes do subúrbio. E os bandidos – estes bandidos – são, em sua maioria, pretos ou mulatos que moram nestas regiões.
Mas a maioria esmagadora dos funkeiros esbanja suingue nas cadeiras, rapidez para compor, olho fashion para se vestir… e não tem nenhuma relação com a criminalidade.
E há muitos outros bandidos – brancos, de terno – que… bem, devem perder bastante tempo falando mal do funk, do ruído do funk, das letras pornográficas do funk… enquanto fazem suas remessas de dólares roubados do país ou lavados no tráfico para um paraíso fiscal. Uma atitude beeeeem mais pornográfica do qualquer letra funkeira, né?
A introdução imensa é para dizer que esbarrei em muitos bailes e entrevistas com Silvio Essinger enquanto ele estava preparando o livro “BATIDÃO – UMA HISTÓRIA DO FUNK” ( Record), que autografa HOJE, sexta-feira, a partir das 20h, no Circo Voador. Eu estava fazendo uma grande reportagem sobre o ritmo com minha querida amiga Adriana Pavlova aqui para o Segundo Caderno. E ele e Suzana Ribeiro, nossa gloriosa guia no mundo do batidão, eram deliciosas companhias. Sem falar no DJ Marlboro, claro, maestro funkeiro que vara a noite sem nenhum combustível: abstêmio, é movido a guaraná.
Existe coisa mais light, meu povo?
No livro, Essinger tenta mostrar que o funk é música de preto, de favelado… e por isso talvez seja a grande invenção musical do ritmo carioca nesta virada de milênio. Você lembra, né? O samba, conta a história, também sofreu muito preconceito no início do século XX pelo mesmo motivo: era música de preto, de favelado, dos “sujinhos da periferia”. Os branquelos de pince-nez e cadeira dura torciam o nariz, é claro, mortos de inveja.
Essinger quer virar o jogo enquanto desce até o chão, suado, no meio de um baile. Entrevistou grandes estrelas do funk hoje – como Tati Quebra-Barraco,Marlboro, Cidinho & Doca – e também recuperou os bailes de black music do Clube Renascença, na década de 1970; as quadras do Emoções, do Salgueiro e do Chapéu Mangueira; e a cadência da bateria da escola de samba Viradouro, que instituiu a batida funk no carnaval de 1997.
A história do funk é bonita, eu garanto.
Vai correr para comprar o livro ou perder este bonde?
Monix, assinando embaixo
Filed under: A Vida com Trilha Sonora, O Rio de Janeiro continua lindo | Tagged: funk, música, preconceito, relações raciais, rio de janeiro | Deixar um Comentário »