Nada me faltará, e está garantido ao menos um sorriso no domingo. Neste que passou ele me arrancou uma gargalhada :
Estou me sentindo culpado. Nunca usei o trema. Desde que aprendi a escrever — sem piadas, por favor — , ignorei o trema. Quando comecei a escrever, por assim dizer, em público, continuei a ignorá-lo. Os revisores, se quisessem, que acrescentassem os tremas onde cabiam. (…)
Mas, com a nova reforma ortográfica, o trema vai desaparecer. E eu fiquei com remorso. Talvez tenha sido injusto com ele. O trema, afinal, tinha uma história. Tinha uma razão para existir, mesmo modesta. Tinha uma função, mesmo dispensável. E eu o desdenhara sem dó, coitadinho. “
“Müller e Anaïs”, O globo, 30/11/08
Helê
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