Interativa

Uma das muitas expectativas de uma mãe é a interação com o filho. Sim, porque o Bebê ou a Bebéia, quando estréiam nem olham direito na nossa cara, mal abrem os olhos. Até que ele começa a olhar, e depois a encarar (Ôba, ele já me conhece!, comemora a mãe). Passa o tempo e o Nenén ou a Nenenha começam a sorrir, mas novamente pode ser até pra vassoura. A primeira vez que a criatura sorri pra você, nossa! É uma alegria. Mas sua expectativa de mãe não termina — suspeito que nunca terminará — e você continua tentando interagir com a criança.
Isto posto, segue a historinha:
Domingão à noite, eu e Júlia, meu filhote de 1 ano e meio, no quarto. Eu tento arrumar as tranqueiras todas e a mochila do dia seguinte. Ela desarruma o que consegue. No som tocam as ”Canções Curiosas”, do Palavra Cantada – cd que comprei pra ela, mas sou eu quem sabe as letras e dança, animada. O disco termina e eu, na ilusão de que estamos ouvindo música juntas, pergunto:
– Júlia, vamos ouvir agora ”A arca de Noé?”
Ela concorda, balançando a cabeça pra cima e pra baixo vigorosamente. Eu, animada com a compreensão da minha filha, peço especificações:
– O 1 ou o 2?!
Ela, alegre, detona minhas ilusões:
– Têêêis!!!

Helena Costa

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Guerra dos sexos já era

Uma das minhas primas é casada com um sueco e está morando na Escandinávia. Eles acabam de ser pais, e a bebezinha Livia veio ao Brasil pela primeira vez, aos oito meses, para ser batizada.
Minha prima está fora do país há muitos anos, e já desenvolveu aquele “olhar estrangeiro” sobre sua pátria, sabe como, Cláudio Luiz? Bom, vai daí que estávamos em um belo churrasco quando surgiu o assunto. E ela, embora se esquivando da polêmica, acusou os homens brasileiros de serem todos machistas.
Claro que é uma generalização. Claro que na hora eu subi no salto do orgulho nacional e defendi nossos parceiros, disse que não é assim, talecousa.

***

Mas, depois, fiquei pensando.
Minha prima não tem empregada. Mora numa casa e enorme, de dois andares, impecavelmente arrumada. Tem um bebê de oito meses. E o marido divide igualmente as terfas domésticas com ela.
Tem um outro fator aí, que a questão histórica. Na Suécia, o pai do cara já executava as tarefas domésticas, a mãe dele já não teve empregada, provavelmente nem os avós tiveram. Em defesa dos nossos homens, tenho a dizer que praticamente nenhum deles foi criado para isso. Minha sogra lavava e passava as roupas do meu marido diariamente, tinha arroz e feijão fresco toda noite no fogão, e eu nunca ouvi a menor insinuação de que esse deveria ser o meu papel em casa – nem dele, nem dela. Ponto para os dois.
Ok, nossa geração já avançou bastante, os fatherns estão aí pra não nos deixar mentir. Mas qual de nós poderia contar com ajuda igualitária do marido em TODAS as tarefas domésticas? Imagino que muito poucas.

***

Chegando em casa, o assunto voltou à tona.
Não teve briga, nada disso. Mas foi uma conversa muito bacana sobre o ponto de vista do marido nessa história toda. Fui obrigada a dar razão a ele em alguns pontos. Nós dois aprendemos muito. Quem sabe se vale a pena tocar no assunto com seu marido? Saber o que ele pensa? Talvez as mulheres estejam falando demais e ouvindo de menos.

|-| Monix |-|

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