La contestataria

Essa menina está completando 40 anos.

E já houve época em que eu pensei que era ela.

Eu devia ter uns 11 ou 12 anos, por aí. Um dia descobri numa prateleira da vasta biblioteca lá de casa um exemplar meio despencado, meio amarelado e em espanhol com as tirinhas de Mafalda, la Contestataria. Pois aprendi espanhol sozinha para conseguir ler o que aquela baixinha “arretada” tinha a dizer.

Isso foi no início dos anos 80. Mafalda falava de guerra fria, corrida espacial, guerra nuclear. Temas que, embora ainda estivessem na pauta, eram preocupações da geração anterior, com certeza. Mesmo assim, caí de quatro. Me encontrei. Eu realmente acreditei que aquela menina era eu.

Depois descobri que existiam muitas outras pessoas assim. Que é possível sentir essa insatisfação com o mundo à nossa volta, querer torná-lo um lugar melhor para se viver, e ainda assim ser apaixonada pelos quatro cabeludos de Liverpool. Criticar o que deve ser mudado, curtir o que deve ser aproveitado. Mais de 20 anos depois (nossa, como o tempo passa rápido quando a gente vai ficando velha!), ainda olho para a Mafalda e vejo um espelho.

Obrigada, Mafalda, por me ensinar a sonhar mantendo os pés no chão.

|-| Monix |-|

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