Direito autoral

Friducha, querida, desculpe-me, mas a constatação abaixo é minha, e não da Rê. E tem complemento: a gente não tem 400 dólares para dar um sapato…

Helena Costa, reclamando a propriedade da pérola abaixo

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Pacheco

Desde o início das Olimpíadas eu passei a implicar com meu marido por causa do excessivo envolvimento dele nas competições em que o Brasil tinha representantes. Sim, o meu marido é daquele tipo que gosta de esporte em geral, de futebol em particular e de qualquer atividade competitiva que tenha um brasileiro disputando qualquer coisa (título, medalha, recorde, menção honrosa…). Pode ser rúgbi, beisebol, cuspe à distância: se tiver um conterrâneo, lá estará ele assistindo, discutindo as regras, torcendo e xingando o cidadão de quem ele ignorava a existência uma semana atrás. Por essas e outras eu o apelidei de Pacheco nessas Olimpíadas. Para quem não sabe, Pacheco foi personagem de um anúncio criado para copa de 1982 . Tornou-se muito popular porque era o protótipo do torcedor passional, que torcia enlouquecidamente, aos berros, gritando: “Vamos lá, moçada, essa tá no papo!!!!”. Meu marido não é dado a esses extremos, pelo contrário: sou eu quem pragueja e chora. Mas eu disse desde o começo que era implicância minha, né?
De volta ao século 21, domingo de manhã: a seleção brasileira de vôlei masculino ganha a medalha de ouro de maneira brilhante, e a gente nem sofre muito: Deus nos poupou da agonia do taibreiqui, que ninguém merece. Êba, Brasil, Brasil, etc., etc. Só que a televisão grega mostrava quase que com o mesmo espaço a festa dos brasileiros e o abestalhamento e a tristeza dos italianos. Durante algum tempo vários jogadores permaneceram estáticos, sem acreditar na derrota. Depois, alguns daqueles gigantes choraram, ainda que disfarçadamente, sob a camisa. Aquilo me incomodou. Afinal, eu queria ver os brasileiros chorando de alegria, mandando recado pra mãe e subindo na cadeira do juiz. E não tinha nem motivo pra me deleitar com a derrota dos adversários, que jogaram limpo, sem provocações ou golpes sujos, não eram nem argentinos… Olhando a tevê eu reclamei de mais um close de italiano derrotado: “Pô, pára de mostrar isso, a gente fica até constrangido de comemorar!…” Ao que meu marido respondeu, sério, a voz soturna: “É fácil: é só lembrar do Paolo Rossi….” Olhei pra ele incrédula! Ele ‘ressuscitou’ uma mágoa de 22 anos! Abracei e beijei-o, constatando: eu casei com o Pacheco.

(Sobre 82, para esquecidos ou menores de 30: apesar de ter uma seleção considerada por muitos a melhor, fomos eliminados pela Itália pelo placar de 3 X 2, em que um jogador, Paolo Rossi, fez os três gols italianos).

Helena Costa

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