Cidade reunida – Parte I

Nos anos 90, o jornalista Zuenir Ventura publicou o livro Cidade Partida (Companhia das Letras), em que mostra “os dois lados” da cidade do Rio de Janeiro – o asfalto e o morro, a Zona Sul e a favela, a elite e a miséria. A partir da discussão que se iniciou na época do lançamento, surgiram movimentos da sociedade civil lutando pelo fim da violência. (Aliás, a propósito disso, o Millôr tem uma frase genial, mais ou menos assim: lutar pela paz é o mesmo que estuprar em nome da presevação da espécie. Ui. Continuemos, pois.)
Infelizmente, nós acreditamos que os movimentos, ainda que organizados, pela modificação deste quadro, se fundaram a partir de uma premissa equivocada e elitista (ainda que inconscientemente elitista). E agora nós vemos que dez anos de tentativas ainda não foram suficientes nem para arranhar a superfície do problema da violência na cidade.
Nós levantamos a bola desse debate aqui, que é o espaço que temos para isso. E vamos falar mais sobre o tema.
Para começar, dêem uma olhada nas capas de dois grandes jornais aqui do Rio publicados na semana passada. A manchete d’O Dia fala sobre (mais) uma execução numa área carente da cidade. Já o nobilíssimo jornal O Globo estampa em letras garrafais a manchete mais cretina de que temos notícia. Quer dizer, basicamente é o seguinte: o terror pode se instalar em qualquer área da cidade… mas no Leblon NÃO!
Definitivamente, este não é o melhor caminho para se construir uma cidade (re)unida.

Duas Fridas

Foi Cristo quem disse “fazei o bem sem olhar a quem”?
Eu ainda acredito nisso.
(Embora volta e meia tenha uns surtos “não desejamos mal a quase ninguém”.)

Monix

%d bloggers like this: