Desabafo literal

Perdão leitores, hoje vai ser um bocado diferente.
Eu sempre evitei utilizar este blog como um diário virtual. Não tenho nada contra quem o faz; é uma escolha estilística, apenas. Mas hoje não dá.
Há pouco mais de um mês, sofri um assalto à noite, num sinal de trânsito, junto com minha preciosa família (meu marido e minha filha de menos de 2 anos, uma cunhada querida). Não houve violência física, mas o prejuízo foi bem maior que o celular que eu dei para o bandido, aterrorizada que estava ao ouvir ameaças à vida do meu marido. Acreditamos até que não havia armas; elas só foram anunciadas, nãoexpostas, mas a experiência de ouvir (pior, acordar ouvindo, porque eu estava cochilando no carro) ouvir alguém ameaçando outro de morte fere, marca.
Na semana passada, chegando em casa depois de mais um dia de trabalho intenso o comerciante amigo (sim, eles ainda existem) chama e mostra vitrine faltando: ‘Sabe aquela hora em que você se despediu da sua filha e da babá aqui em frente? Pois é, eu vi ela mandando beijinho pra você; me virei e bum! A vitrine veio abaixo. Pensei que fosse uma pedra, mas foi uma bala perdida.’ Poderia ter sido eu, minha filha, a babá, o comerciante amigo. Aqui, na loja embaixo da minha casa, ao lado da minha portaria.
Na sexta feira, estava indo pra casa depois de um chopinho com o marido, nem meia noite era, nem dirigindo eu estava: entrei no carro, ouvi um barulho e acordei dentro do carro, coberta de vidro: um ônibus perdeu a direção no cruzamento e veio em cima dos carros estacionados, atingindo a mim e ao meu marido. Saldo: muitas escoriações, dores, hematomas, procedimentos burocráticos a cumprir e um medão enorme.
Socorro! Alguém me explica o que tá acontecendo? Alguém me reza ou reza por mim? Posso sair de casa de novo?
Eu sei, eu sei que eu tenho que agradecer, porque a todas estas eu me saí bem, inteira, sem perdas materiais ou físicas, mas emocionalmente tô em frangalhos. Pode ser vontade de controlar o incontrolável, pode ser que eu esteja buscando lógica e mensagem onde não há, mas eu não tô entendendo muito bem o porque disso tudo, tô maus, triste, insegura, assustada pra caralho e não tô conseguindo ver tudo isso nem com um tracinho de humor — o que, pra mim é muito grave.
Agradeço comentários, e-mails, preces, orações, good vibes, explicações astrais, reforços espirituais, o escambau.
Só dispenso acusações à cidade e constatações óbvias sobre ‘a violência no Rio de Janeiro eticétera’, simplesmente porque são óbvias e não me ajudam em nada.
Desculpaê o mau jeito, gente.

Helena Costa

Mudando de assunto

Deve ser um tipo de recorde: decoração natalina na primeira semana de outubro?!?

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