Lost in Translation

Existe um ditado, traduttore, traditore, querendo dizer, basicamente, que todo tradutor é no fundo um traidor do texto original. O que não deixa de ser uma verdade profunda.

Mas no caso dos títulos de filmes americanos lançados no Brasil, há muitos anos venho observando, com o auxílio luxuoso del maridón, que muitas vezes a loucura dos tradutores supera a secura do título original. Vejam só alguns exemplos que colhemos ao longo do tempo:

Giant / Assim Caminha a Humanidade (quem viu o filme pode entender a riqueza da metáfora na tradução)
Sunset Boulevard / Crepúsculo dos Deuses (outro achado inigualável)
The Maltese Falcon / Relíquia Macabra (que medo!)
The Sound of Music / A Noviça Rebelde (esse é praticamente um “Filho que Era Mãe”, hohoho)
Vertigo / Um Corpo que Cai (esse é outro)
Gone with the Wind / …E o Vento Levou (uma sutil diferença, reforçada pelas poéticas reticências no início)
Easy Rider / Sem Destino (aqui a sutileza também é quase poética)
The Godfather / O Poderoso Chefão (ninguém daria crédito a um Dom Corleone que se auto-intitulasse O Padrinho)
Annie Hall / Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (que pérola da criatividade!)

Nossa, poderia prolongar a brincadeira indefinidamente. Quem lembrar de mais algum, fique à vontade para deixar sua contribuição aí na caixinha de comentários. Está lançado o desafio.

Monix, mudando de assunto para alívio da meia dúzia de leitores que não fazem parte da panelinha-blogueira-de-sempre

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