A Ângela está botando meus neurônios pra funcionar

1) A foto do Largo do Boticário (ou é Beco?) me lembrou de um quadro horroroso que tinha lá em casa. O artista era um português amigo do amigo de não sei quem que ficou hospedado na casa de vovô no tempo do Onça e deixou como pagamento da dívida de gratidão vários quadros. Todos igualmente medonhos. Sério, tem um retrato da minha avó que me dava medo.

O quadro do Boticário ficava na parede da minha sala, e eu demorei anos para perceber que a culpa não era do lugar.

2) A festa dos fotógrafos me fez pensar num negócio engraçado, que é a rapidez com que nosso estilo de vida ficou obsoleto. Já não se usa mais, por exemplo, “combinar antes”. Outro dia eu fiquei sem bateria, digo, o celular (mantive o ato falho porque está, assim, digamos, antropológico), bem, o celular ficou sem bateria e eu, que estava na casa da minha mãe, perguntei, e não era uma pergunta retórica: caramba, como a gente fazia antes do celular? E a resposta, fulminante, foi: simples, minha filha, as pessoas combinavam antes. Você se lembra disso? Me encontra em frente à entrada principal da Mesbla, às quinze pras cinco, que de lá a gente vai pro cinema?

|Monix|

Alcântara, *&%#@*!

Há algum tempo La Outra falou aqui sobre cinema – de maneira inteligente e inovadora, ressaltado os benefícios de uma boa tradução. Eu perdi o gancho para escrever um comentário relativo à telona – totalmente diferente, nada tão perspicaz. Bem, mas na falta de outro post, querendo retomar minhas funções e cair nas graças da sócia, está refeito o gancho, por decreto.

Há uma cena do filme Apolo 11 que me diverte muito porque sempre, sempre que vejo eu imagino a versão brasileira da mesma seqüência. Para quem não viu, é um daqueles filmes beeeeeeem americanos, ufanista toda vida, que fala sobre uma missão espacial que quase foi um grande fracasso mas, como são eles, os escolhidos, poderosos, etc.etc., tudo vira um sucesso espetacular.

Pois bem, vamos à cena: os astronautas estão na nave, no espaço (sabe, lááááááá looooooonge) e o comandante se dá conta que não haverá oxigênio suficiente para a nave voltar para a Terra. (O que significa, se é que alguém não entendeu isso, que vão todos morrer em poucas horas.) Ele diz a seguinte frase: “Houston, temos um problema”. Assim, como você diz pela manhã: “Mô, passa a margarina”. Ou “Droga, quebrei a unha”. Agora me diga, com toda sinceridade: como você acha que uma pessoa normal, “tipo assim”, um brasileiro, reagiria a uma situação como esta? (Aceitamos variações – um gaúcho, uma adolescente… use a imaginação).

Helena Costa

Não é que eu seja, mas eu sou*

Não sou a favor da justiça com as próprias mãos, mas, às vezes, é preciso fazer vista grossa e deixar rolar. Temos que dar atenção às vítimas. Nos facínoras, é pau neles.”

É lógico que ninguém quer que a polícia saia por aí torturando, mas, do jeito que o Rio está, não podemos ser hipócritas. Não tem nada demais um bandido levar uns tapas. Afinal, ele tem feito muito mal à sociedade, que precisa começar a se defender.”

Estas duas declarações foram publicadas no jornal O Globo de hoje, 18 de novembro, referindo-se à veiculação de fotos de um assaltante espancado pela polícia. Seguem-se diversas cartas apoiando a agressão a presos como rotina policial. Mas isso não foi o que mais me angustiou. O choque, mesmo, veio com a incoerência gritante nas próprias declarações. Os trechos em itálico (o grifo é meu) tentam justificar a opinião injustificável.

Santo Deus. As pessoas estão muito perdidas.

* Título criado, a posteriori, pela genial Renata.

|Monix|

Por que existe o Mal?

A pergunta é milenar. Nesses tempos bicudos, tem sido feita com muita freqüência.
E por que será que ultimamente nós, das hordas do Bem (cópirráite: Ângela F.), ficamos sempre com a impresão de que o mal está triunfando? A resposta mais simples e mais completa quem deu foi a Ju: “porque o mal está apartado, negado, reprimido. Está sobrepujando, porque não está integrado a nós, compreendido, equilibrado, como deveria. Cada vez que alguém coloca o Mal fora de si mesmo, ele ganha força. É o que o Jung personificou como a Sombra, na psique. Quanto mais ela é negada e projetada no outro, mais mal nos causa.”

E a genial Dani rebateu com maestria: “quanto mais se cria uma cultura dicotomizada e um tanto asséptica de valorizar histericamente apenas ‘o limpo, o moral, o bom’, esquecendo que somos também fome, desejo, excremento e sombra, quanto mais se reprime (e aí eu penso direto na educação que damos às crianças) qualquer movimento genuíno de raiva, mais vai ser preciso que essa energia ache uma ‘válvula de escape’.”

Legal conhecer tanta gente fina, não é não?

|Monix|

Sorry world


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Tem mais aqui.

|Monix

A ditadura do limão

Fernanda Romano (Blue Bus, 22/10/2004)

“Nada como estar entre amigos. A gente aprende cada coisa. Ontem eu aprendi que vivemos na ditadura do limão. Teoria de Renata Decoussau. A Re adora Coca Cola normal e, segundo ela, nao dá mais para simplesmente pedir uma Coca nos dias de hoje. Tem que ser específico, uma coca sem limão, fazer o favor.
O Guy, outro fã de Coca, vai ainda mais longe. Ele gosta de Coca Cola gelada, sem pedras de gelo e sem limão e tem que passar todas essas especificações aos garçons quando pede sua bebida. Ou então, quem sabe é melhor ir de cerveja mesmo.
Fiquei pensando na tal da ditadura. Em como um hábito vira regra, tão forte que lançamos até produtos com o limão ‘embutido’. E eu, que prefiro Coca Light, tenho que pedir com limão e nao Lemon, por gentileza.”

Ai, até que enfim achei uma porta-voz. Tenho um amigo que jura que essa moda do limão surgiu na época do Plano Cruzado, quando os restaurante driblavam o congelamento de preços acrescentando limão e cobrando mais pela Coca-Cola. Eu não me lembro disso, mas não duvido nada. Só sei que sempre achei o fim da picada o modo default do meu pedido de refrigerante ser o limão, e ter que especificar, toda vez: sem limão, por favor. E o que é pior: raramente ser atendida. Cansei de ter que ficar pescando a famigerada rodela com o garfo, que já joguei mais de mil vezes na badeja do garçom, só por desaforo. Já tentei brincar, desafiar (aposto que você vai esquecer!), lançar olhares fulminantes de ódio, ser superior e indiferente, tentei de tudo. Já fui castigada inúmeras vezes com um copo sem gelo, como se gelo-limão fossem uma entidade única e indissolúvel, não quer um?, vai ficar sem o outro.
Mas perdi a batalha de maneira humilhante quando lançaram a maldita Coca Light Lemon.
Precisamos saber quando é hora de retirar as tropas.
Bandeira branca, amor, não posso mais.

Monix, louca por uma Coca Light cheia de gelo e SEM limão, se possível.

(Em tempo, antes que pensem que estou ficando paranóica: o termo ditadura do limão foi cunhado pela Fernanda Romano, do Blue Bus)

Momento patricinha

Se eu fosse mais rica e mais cosmopolita, eu só me vestiria aqui.
E só me enfeitaria aqui.

Detalhe: uma fica em Washington, outra em Londres. Hohoho

Monix, muito metida a besta

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