Feliz 2005

Ué, já acabou? Então tá.

Feliz Ano Novo pra nossos poucos e queridos leitores. Obrigada a todo mundo que deixou recadinhos alegres no post anterior, que não estava nem um pouco cheerful… Espero sinceramente que o ano que vem seja mais colorido (nossa, lembrei de quando essa palavra tinha um sentido bem pejorativo), mais tranqüilo, mais produtivo, mais animado, mais amoroso com todos nós.
Apesar dos trancos e barrancos em vários setores das nossas vidas (falo pela sócia também, tenho certeza que ela assina embaixo), 2004 foi cheio de vivências positivamente intensas, particularmente em nossa vidinha digital. Sou mais feliz hoje do que era um ano atrás, graças às experiências de 2004. As boas e as ruins.
Crescer sempre é bom.
(E a propósito, ver nossos filhos crescerem também é uma felicidade imensa, não é, La Otra?)

Feliz 2005 pra todo mundo!

|Monix|


Tragédia carioca

Duzentos e sessenta brinquedos doados para as crianças da Baixa do Sapateiro, Favela da Maré. Que não puderam ser entregues porque o movimento não deixou entrar. Guerra com a polícia.
Essa é a tragédia do nosso dia-a-dia. E nós, crassemédia-leitora-do-grobo, nem ficamos sabendo, na maioria das vezes.

|Monix|

Êpa!

Da série diálogos surreais com seu filho de 2 anos: está o menino doente no colo, todo manhoso, todo enjoadinho. A mãe conversando com a babá, mas o que será que esse menino tem?, amanhã vou ligar para a pediatra para ver se ela dá uma luz. Ao que o menino, na mesma hora, se anima todo para o protesto: luz não, mamãe! Quelo balinha!
Hohoho

|Monix|

A gente viu antes (ou: agora temos assessora de imprensa)

Bandeira um
Cartaz flagrado numa barraquinha na confusão dos camelôs na Central:
“Salgadinho de hoje: R$ 1. De ontem: R$ 0,50.”
Coluna Gente Boa, O Globo, 14/12/2004

Canto egregoriano

Tá bom, eu sei que pegar emprestado poema ou letra de música pra colocar no blog trai um pouco a netiqueta ou a ciberética. Mas há tempos eu não me identificava tanto com uma letra de música; não tenho culpa do Itamar (que Deus o tenha no Reino da Glória) ter traduzido o que nem eu sabia que sentia. Mas é assim mesmo que sinto e sou.
Além do mais, me lembra muito uma penca de mulheres muito especiais com as quais convivo digitalmente (you know what I mean…)

Quem canta seus males espanta

(Itamar Assumpção)
Entro em transe se canto, desgraça vira encanto
Meu coração bate tanto, sinto tremores no corpo
Direto e reto, suando, gemendo, resfolegando
Eu me transformo em outras, determinados momentos
Cubro com as mãos meu rosto, sozinha no apartamento
`As vezes eu choro tanto, já logo quando levanto
Tem dias fico com medo, invoco tudo que é santo
E clamo em italiano ó Dio come ti amo
Eu me transmuto em outras, determinados momentos
Cubro com as mão meu rosto, sozinha no apartamento
Vivo voando, voando, não passo de louca mansa
Cheia de tesão por dentro, se rola na face o pranto
Deixo que role e pronto, meus males eu mesma espanto
Eu me transbordo em outras, determinados momentos
Cubro com as mãos meu rosto, sozinha no apartamento
É pelos palcos que vivo, seguindo o meu destino
É tudo desde menina, é muito mais do que isso
É bem maior que aquilo , sereia eis minha sina
Eu me descubro em outras, determinados momentos
Cubro com as mãos meu rosto, sozinha no apartamento

Essa canção abre o cd da Zélia Duncan, “Eu me transformo em outras”, o melhor cd que ouvi este ano. Repertório impecável, arranjos criativos e saborosos, uma coisa! Ah, e La Otra também aprovou, portanto, leva o selo Duas Fridas de qualidade (sócia, acabei de inventar!)
Helena Costa

Confraternização

Sabem o que eu detesto nessa época do ano? Essa mania de confraternizar. É chope de fim de ano do “setor”, aimeussais, festa de fim de ano da empresa. Graaaaças a deus o polvo do silviço desistiu do amigo oculto. Eu simplesmente abomino aqueles amigos ocultos com valor mínimo e, horror dos horrores, lista de presentes. Gente, me expliquem: se cada um escreve o que quer e todo mundo só dá o que tá na lista, não era mais fácil cada um comprar o seu CD (é sempre CD, pode ver)?

|Monix|

Tanquinho

Como explicar o que é uma barriga “tanquinho” para uma senhora de 82 anos? Ou, simplesmente: como explicar o que é uma barriga “tanquinho”?

|Monix|

Natal das crianças

Fal, eu tb gosto da preparação da festa, das listas, de ir às compras mil vezes e no dia 24 ao meio-dia descobrir que faltou o presente da minha sogra, ou do meu pai, alguém, assim, fundamental, gosto até das filas na Loja Americana e do engarrafamento da Árvore da Lagoa. Mas a neura, a pressão, o estresse me tiravam do sério. Aí eu descobri que a melhor coisa no Natal é ter filho, porque sua atenção vai toda pra criança, as fofuras, as brincadeiras, Papai Noel. E foda-se o resto. Adorei. Meu filho agora é meu álibi. Até ele crescer e começar a arrumar um álibi CONTRA mim, a mãe neurótica e mala da qual ele quererá se livrar o mais rapidamente possível pra ir festejar com os amigos. Hmpf.

|Monix|

Instaure-se a moralidade*

Outro dia, numa mesa de bar, ouvi de alguém: “você está sendo moralista!” e, ato reflexo, comecei a explicar que não se tratava disso, não é bem assim e tal. Parti para a defensiva.

Depois fiquei pensando cá com meus botões: quando é que ser moralista passou a ser uma coisa feia? Ao que me conste, a luta era contra o “falso moralismo”, aquele da velhinha arrogante, hipócrita, que cagava regras no portão da frente e tinha pensamentos impuros na janela da cozinha.
A moralidade, antes de ganhar o sentido pejorativo que tem hoje, era um conceito muito bonito. Moral tem a ver com sentimentos nobres, com altruísmo, senso de dever, liberdade e responsabilidade.
Palavras que ficaram vazias numa época em que molhar a mão do guarda é sinônimo de esperteza, que o legal é levar vantagem em tudo, certo?, que ter um tênis de 600 reais é mais importante que o prazer de caminhar com conforto. É a época em que a mãe faz o dever de casa do filho porque é mais rápido e fácil “se livrar do problema”. Época em que o noivado do jogador de futebol é mais importante que a morte e vida Severina, que não aparece no jornal.
Isto posto, digo: sou moralista, sim. No bom sentido. E você?
(*Helena, como é mesmo o nome do seu amigo que gosta de Woody Allen? Este post é pra ele.)

Parte 2
Este texto desenvolve o tema muito melhor. Só um tira-gosto: a moral é “nos submetermos pessoalmente a uma lei que nos parece ser válida, ou deveria ser válida, para todos“. Deu pra entender?

|Monix|

Lagoa Rodrigo de Freitas


Está aberta a temporada dos engarrafamentos mais legais do ano: a Árvore de Natal da Lagoa está de volta.
Tudo bem, a idéia é pra lá de polêmica, as críticas vão desde o (mau) uso da Lei Rouanet até a invasão bárbara de pedestres e ambulantes. Eu passo por ali todos os dias e, sinceramente, acho bacanérrimo perceber que pelo menos uma vez por ano as pessoas são obrigadas a reduzir a velocidade (nem que seja na marra :P) e apreciar a beleza.
(Não acha a árvore bonita? Ah, nem eu. Mas a Lagoa Rodrigo de Freitas é do cacete.)
E como disse a Cora: “o Rio tem dessas coisas, que a gente não sabe se curte pelo inesperado ou lamenta pela desordem. Na dúvida, recomendo curtir.”

|Monix|

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