Natal das crianças

Fal, eu tb gosto da preparação da festa, das listas, de ir às compras mil vezes e no dia 24 ao meio-dia descobrir que faltou o presente da minha sogra, ou do meu pai, alguém, assim, fundamental, gosto até das filas na Loja Americana e do engarrafamento da Árvore da Lagoa. Mas a neura, a pressão, o estresse me tiravam do sério. Aí eu descobri que a melhor coisa no Natal é ter filho, porque sua atenção vai toda pra criança, as fofuras, as brincadeiras, Papai Noel. E foda-se o resto. Adorei. Meu filho agora é meu álibi. Até ele crescer e começar a arrumar um álibi CONTRA mim, a mãe neurótica e mala da qual ele quererá se livrar o mais rapidamente possível pra ir festejar com os amigos. Hmpf.

|Monix|

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Instaure-se a moralidade*

Outro dia, numa mesa de bar, ouvi de alguém: “você está sendo moralista!” e, ato reflexo, comecei a explicar que não se tratava disso, não é bem assim e tal. Parti para a defensiva.

Depois fiquei pensando cá com meus botões: quando é que ser moralista passou a ser uma coisa feia? Ao que me conste, a luta era contra o “falso moralismo”, aquele da velhinha arrogante, hipócrita, que cagava regras no portão da frente e tinha pensamentos impuros na janela da cozinha.
A moralidade, antes de ganhar o sentido pejorativo que tem hoje, era um conceito muito bonito. Moral tem a ver com sentimentos nobres, com altruísmo, senso de dever, liberdade e responsabilidade.
Palavras que ficaram vazias numa época em que molhar a mão do guarda é sinônimo de esperteza, que o legal é levar vantagem em tudo, certo?, que ter um tênis de 600 reais é mais importante que o prazer de caminhar com conforto. É a época em que a mãe faz o dever de casa do filho porque é mais rápido e fácil “se livrar do problema”. Época em que o noivado do jogador de futebol é mais importante que a morte e vida Severina, que não aparece no jornal.
Isto posto, digo: sou moralista, sim. No bom sentido. E você?
(*Helena, como é mesmo o nome do seu amigo que gosta de Woody Allen? Este post é pra ele.)

Parte 2
Este texto desenvolve o tema muito melhor. Só um tira-gosto: a moral é “nos submetermos pessoalmente a uma lei que nos parece ser válida, ou deveria ser válida, para todos“. Deu pra entender?

|Monix|

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