Da série “Poesia sem querer”

Ontem fiquei comovida ao ver a Lia Luft na tevê contando sobre a pergunta feita pela neta:
‘Vovó, de noite as estrelas-do-mar brilham na água?’
Fiquei pensando nessa imagem fabulosa e na capacidade das crianças de serem poéticas assim, sem querer, como quem faz da queda um passo. Como quem faz do assovio, canção.
Como quando a Júlia, meu filhote, com menos de dois anos, anunciou o anoitecer animada, apontando para o céu:
‘Mamãe, a lua acordou!’

***
O que me leva a um post amarelado no fundo da pasta, quase esquecido, resgatado agora pela coincidência ‘lunar’:

Amor e limites

A avó chega para visita semanal repleta de agrados, beijos e chamegos, amor transbordando em bolsas e abraços. Cumpre zelosa e dedicadamente a função de avó, mimando a neta, fazendo-lhe as vontades, ora descarada ora disfarçadamente, como sói acontecer com as avós.

Além de tentar advinhar os desejos e antecipar as querências, a avó também se compraz em apresentar à neta as belezas da vida. Mas nesta agradável empreitada, às vezes esbarra em impossibilidades:

_ Julhinha, olha lá: aquela é a lua!
_ Pega, Vovó, pega!!

Helena Costa

Psicologia a quilo

Almoçando com a Dani, concluí que restaurantes a quilo são um microcosmo da fauna humana.
Vai dizer que não?
Viver é fazer escolhas, disse eu. Abrir mão de algumas coisas em detrimento de outras. Nhoque, estrogonofe ou bobó de camarão?
A Dani respondeu com um prato de sushi com pastel. Seguido de outro com salmão grelhado, farofa e feijão preto.
Então tá, não digo mais nada. 🙂

|Monix|

A fazer

– consertar o DVD
– ir ao supermercado
– fazer a inscrição no curso
– mandar pintar a sala
– trocar de carro
– ganhar na loteria (jogar na loteria)

|Monix|

Controle remoto

Cada vez assisto menos TV. A pá de cal no antigo vício (sim, eu já fui daquele tipo que teria ligado a televisão antes de chegar em casa, se fosse possível) foi o longo período do ano passado em que, por problemas com a operadora de TV a cabo, fiquei sem os canais por assinatura. Como já não gosto mesmo de TV aberta, que aliás não pega direito na minha casa, passei vários meses sem nem ligar o aparelho.
O resultado foi impressionante.
Desde a gravidez, por causa dos enjôos freqüentes, e depois, com bebê pequeno em casa, acumulei um atraso cinematográfico absurdo para uma cinéfila declarada como eu. Pois praticamente botei meus filmes em dia, no DVD (destaque para Dogville, Fale com Ela, Bem me Quer Mal me Quer e Coisas Belas e Sujas).
Confeccionei artesanalmente mais de 30 presentes de Natal.
Criei um blog.
Li o curso de Arte da Fal (que no total deve ter mais de 1500 páginas).
Li muitos bons livros: Amor de Perdição (Camilo Castelo Branco), A Volta ao Mundo em 52 Histórias, Orgulho e Preconceito (Jane Austem), Meu Destino É Pecar (Nelson Rodrigues/Suzana Flag), Cuca Fundida (Woody Allen), O Pintor que Escrevia (Leticia Wierzchowski), Budapeste (Chico Buarque), Reengenharia do Tempo (Rosiska Darcy), Contos de Grimm (versão original), e outros nem tão nobres assim, mas ótimos também, como o Código da Vinci, Anjos e Demônios e Melancia.
Nas horas vagas ainda cuidei de um menininho de 2 anos.

|Monix|

Sobre credibilidade

O casal utiliza a camisinha como método contraceptivo. Mas, no afã de viajar de férias, para pousadinha aconchegante recomendada por amigos e sem filhos (uêba!), esquece de levar as ditas cujas na bagagem. Na farmácia da cidadezinha, o balconista fala entusiasmado dos genéricos e de como as pessoas se deixam enganar pelos nomes famosos. Oferece um preservativo desconhecido, mas assegura a eficácia:

— É daquela marca famosa que fabrica chupetas, bicos, mordedores…

Agora me diga: você confiaria numa camisinha feita pela mesma empresa que fabrica mamadeiras?

Pelo sim, pelo não, o casal em questão preferiu não arriscar. …;-)

Helena Costa

Mais um cleptopost

Uau, quanta sutileza no comercial do Carefree, hein? Estou até agora extasiada. A mocinha chegando em casa ao amanhecer, com roupa de noite, dizendo que, quando usa carefree, tem a sensação de ter acabado de sair do banho. Mesmo depois de ter passado a noite fora.
Muito bem, mocinha. Passou a noite fora fazendo o que, hein? E não lavou depois? E ainda deixa pro “protetor diário” a tarefa de neutralizar “possíveis odores”? Eeeeeeeeeeeeeeew!
E mais lindo ainda: quando ela chega em casa, passa pelo cachorrinho, deitado no tapete da porta. Close no cachorro olhando pra cima, farejando alguma coisa enquanto as pernas dela passam.
Quanto mais eu penso, mais nojinho me dá.

Roubado descaradamente da Pipa, d’après o link da Ângela

|Monix|

Quero ser baleia

Ontem vi um outdoor da Runner, com a foto de uma moça ‘escultural’ de biquíni e a frase: “Neste verão, qual você quer ser? Sereia ou Baleia?”
Respondo: Baleias sempre estão cercadas de amigos. Baleias têm vida sexual ativa, engravidam e têm filhotinhos fofos.
Baleias amamentam.
Baleias nadam por aí, cortando os mares e conhecendo lugares legais como as banquisas de gelo da Antártida e os recifes de coral da Polinésia. Baleias têm amigos golfinhos. Baleias comem camarão à beça.
Baleias esguicham água e brincam muito. Baleias cantam muito bem e têm até CDs gravados.
Baleias são enormes e quase não têm predadores naturais.
Baleias são bem resolvidas, lindas e amadas.
Sereias não existem. Se existissem viveriam em crise existencial: sou um peixe ou um ser humano? Não têm filhos pois matam os homem que se encantam com sua beleza. São lindas mas tristes e sempre solitárias…
Runner, querida, prefiro ser baleia!”

Roselene Nogueira

Monix, votando na baleia

Update: o post Baleia x Sereia foi parar nos comentários do Querido Leitor, e lá a Roselene corrigiu a autoria: talvez pelo fato de eu ter repassado este texto, o mesmo aparece como sendo de minha autoria… Não é, tá, pessoal! É genial, mas não é meu – eh, eh…
Sendo assim, continuamos procurando a autora (ou o autor?) desta pérola. Quem souber alguma informação, pode avisar aqui nos comentários mesmo.

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