Falando em Ronaldo…

Não é de hoje que eu tenho uma grande simpatia pelo Ronaldinho Gaúcho, ainda que não tivesse muita clareza do porque. Em parte pela atitude – aquelas madeixas longas desafiando a ditadura das carecas ajudavam, mas não era só isso (aliás, nesse departamento o outro Ronaldo perdeu uma oportunidade fenomenal de ficar calado ao dizer que ‘cabelo ruim tem que ser cortado’. Reforçou um padrão branco de beleza, além de perpetuar essa bestagem – como se existisse um cabelo bom e um cabelo ruim, como se cabelo tivesse caráter!)

Voltando ao futebol: outro dia, assistindo a um jogo do Barcelona, no qual a tevê espanhola escalou uma câmera exclusivamente para focalizá-lo, durante todo o jogo, descobri o que me encanta: ele joga rindo. Mesmo antes de estar à frente no placar, mesmo quando perde uma jogada, mesmo quando a bola mostra-se caprichosa, ele ri. Mesmo com os dentões feios e exagerados, ele ri e se diverte com o que faz, o prazer transpirando pelos poros. Mesmo ganhando rios de dinheiros, tendo montanhas de contratos e, consequentemente, de responsabilidades e cobranças, ele ainda joga e ri como um menino – talvez aquele que ele foi um dia, aquele que, na canção, vem nos dar a mão toda vez que a tristeza nos alcança.

Trilha sonora: Bola de meia, bola de gude, Milton Nascimento (assobio)

Helena Costa

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