Conversando com a Ana Paula

A Ana Paula, que bate ponto aí nos comentários quase diariamente, é minha cunhada. Neste fim de semana, nos encontramos e conversamos sobre tempo, mulheres e a semi-escravidão travestida de liberdade que vivemos.
Eu já andei ensaiando esse assunto por aqui, né?
Olha, quem me conhece sabe: looooonge de mim questionar as conquistas importantíssimas do movimento feminista. Eu digo de boca cheia e consciência tranqüila que sim, literalmente, sou feminista desde criancinha.
Maaaaas, penso (e não sou a primeira, e nem serei a única) que está na hora de partirmos para a terceira onda. Já houve a época de queimar sutiãs (não importa se real ou metaforicamente); já passamos pela fase de consolidação das conquistas. Está na hora de implementar o ritmo feminino no mundo do trabalho!

***

Pertenço à primeira geração de mulheres educadas por working-mothers. A nós não foi oferecida a opção de escolher o que fazer do nosso tempo. Trabalhar é uma necessidade, não uma escolha.
Que fique bem claro que não estou defendendo o padrão marido-sustenta-família-e-decide-o-futuro-da-nação. De jeito nenhum, muito antes pelo contrário!
Mas é que hoje é Dia Internacional da Mulher. E eu acho essa data muuuuito machista. E eu vim pro trabalho ouvindo estatísticas do IBGE no rádio do carro: as mulheres têm 4 anos a mais de escolaridade que os homens, não sei quantos por cento da população feminina são chefes de família. E nada disso resultou em mudança no sistema.
A incorporação das mulheres pelo mercado não trouxe um ritmo feminino às relações de trabalho. Nós estamos nos tornando homens para “vencer na carreira”. E enlouquecendo aos poucos, por causa disso.
Bem, isso é o que eu acho. Você pode discordar totalmente. Nada mais feminino que a tolerância.
(Não, eu não vou desejar um feliz dia da mulher pra nenhuma de nós. Essa data surgiu como um protesto e virou comemoração. Eu acho isso sintoma de que alguma coisa está “fora da ordem”. Ah, e desculpem o mau humor. Deve ser a TPM.)

-Monix-

2 Respostas

  1. […] da Mulher Posted on Segunda-feira, 8 Março, 2010 by dufas Todo ano fico meio de mau humor no dia 8 de março, resmungando por causa de todos os e-mails piscantes-rosa-choque e as flores […]

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  2. Mô, eu andei conversando com a Mel esses dias sobre isso. Ela está lendo Eros e Civilização, de Marcuse e eu me vi falando coisas como reprodução da ideologia pelo aparelho do estado, como o poder se instrumentaliza para assimilar as aparentes conquistas da classe trabalhadora, etc. e fomos parar no feminismo, em como as minorias, as mulheres, os negros nunca consegiremos de verdade conquistar uma posição igualitária. Democracia é uma invenção ideológica do capitalismo, estado burocrático é apropriação do socialismo pelo capitalismo e por aí vai. Me senti com 17 anos. Todos os clichês e frases feitas voltaram tão naturalmente… Eu ainda estou meio amarga com essas brigas sobre pensão alimentícia, mas quero voltar a esse assunto.

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