Mãe (também) tem cada uma…

É comum esbarrar pelo ciberespaço afora em sites e blogues de “exaltação ao filhos”, diários com relatos sobre as mais recentes conquistas, gracinhas e travessuras dos filhotes. Eu mesma produzo um periódico – de períodos cada vez mais esparsos- sobre a minha cria, o NJ, que só não está na rede porque o público-alvo é, por excelência, desconectado.

Mas outro dia ouvi duas histórias que merecem uma versão invertida:

* Numa delas a mãe, sem qualquer experiência acadêmica, fez questão de assistir a defesa de tese do filho. Em filosofia. Quem já viu uma sabe que o ritual, além de demorado e incompreensível para os não-iniciados, pode ser bastante tenso. Ou seja, nada indicado para uma mãe. Defesa concluída e aprovada, o filho pergunta, feliz:
E então mamãe, gostou?
E ela, ainda aflita:
Você passou???

* Na outra história, outro rito de passagem: a filha concluiu a graduação e no dia da formatura recebeu da mãe um cartão. Feito à mão, tosco, meio roto, a cartolina amarelada. Ao ler, ela reconheceu a própria letra aos 7 anos, prometendo à mãe que seria uma boa aluna. Ao lado, o recado da mãe, escrito naquele dia: “E a menina cumpriu sua promessa”.

Helena Costa, mãe e filha

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Entredentes

A criatura estava no dentista – o que, convenhamos, já não é um bom começo. Cansada, como soi acontecer com mães de criança pequena. E ela tem dois. Sendo que o mais velho anda tendo ataques diários de fúria, de origem ainda não identificada. Para desabafar, ouvir uma opinião ou apenas pra distrair da sessão de tortura paga, ela comenta o fato com a dentista. Que deduz alegremente:

– Ainda bem que você é psicóloga, pra você deve ser bem mais fácil.

Ao que ela retruca, incisiva:

– E você deve tirar de letra dor de dente, né?

Helena Costa

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