Refrescando a memória


Por que é mesmo que os filhos não devem dormir na nossa cama, heim?

Eu perguntei isso aqui neste blogue, num post entitulado Amnésia temporária, há quase um ano. Naquela época eu já tinha algumas respostas, mas quis ficar só com a parte boa, como quem come chocolate sem pensar nas calorias.
Estava criado um gancho para um post resposta, imprescindível. Era preciso, para ser honesta comigo mesma e com os leitores, e fiel a um precioso preceito mothern, segundo o qual ser mãe é lindo, mas também é foda. Portanto, aí vão algumas repostas à minha própria pergunta:

– Porque uma vez na sua cama, seu filho dorme como um polvo relaxado (e não como aquele embriãozinho enroscado em concha);

– Porque ao dormir, as crianças estranhamente adquirem o dobro do seu peso e altura, ocupando um espaço inacreditável e elevando a incidência de chutes, braçadas, puxões de cabelo e quetais – e você não pode revidar, claro. Nem reclamar. Afinal, é seu filho – e ainda por cima está dormindo.

– Mesmo que ele seja um pequeno fofo de meses, que dorme quietinho num perímetro limitado, você trava instintivamente seus movimentos – e o medo de esticar a perna e quebrar o braço do inocente, esmagar um dedinho?

– Porque sua vida sexual sofre abalos suficientes depois do nascimento de um filho. Colocar o próprio entre os dois, literalmente, não ajuda.

– Porque crianças não compreendem ‘olhos fechados = pessoa dormindo’. Eles precisam se certificar, e para tanto, freqüentemente te acordam pra perguntar se você está dormindo. A Júlia já desenvolveu uma técnica mais cínica: faz todos os barulhos, movimentos e pedidos possíveis. Quando você finalmente desiste e abre o olho, ela pergunta, entre surpresa e contente: “Mamãe, você cordô?!” Como se não tivesse nada a ver com isso, a ré. Às vezes eu respondo :”E eu tenho escolha?”

– Porque às vezes a gente acorda de mau humor, tem insônia, chega a TPM, é segunda-feira, já desperta pensando no trabalho e simplesmente não consegue ver poesia no fato de ter alguém ao teu lado te solicitando atenção quando você ainda nem fez xixi. Aí você responde mal, resmunga qualquer coisa, ou até briga. Aí cai em si e adiciona culpa à lista de mazelas descritas no início do parágrafo.

– Porque às vezes, como nós, por razões desconhecidas, crianças acordam mau-humoradas, manhosas e, horror dos horrores, chorosas. Acordar com um choro injustificado de criança deveria nos dar um bônus qualquer durante o dia (duas horas de répiauer, almoço com as amigas, uma roupa nova…).

– Porque crianças recarregam em 220v durante o sono e vão de 0 a 150 em 15 segundos; pais em geral precisam de tempo para esquentar o motor – isso quando a bateria não está arriada. O choque é inevitável.

Ah, e tem as razões psicológicas, que eu suspeito que tem a ver com independência, individualização, mas confesso que não domino. E outras tantas que você lembrar, sugerir ou inventar ali embaixo, nos “Comments”. Fique à vontade.

Helena Costa

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