Mais uma campanha indiscutivelmente aderível

Junte-se ao movimento EU ODEIO CÓS BAIXO!
Você amiga, que como eu, tb tem ojeriza à essa moda cafona e fuleira do cós baixo, una-se ao movimento! Coisa rara hoje em dia é achar uma calça normal, de corte bom, cós direito, daqueles coisa de 2cm abaixo do umbigo. O que se vê hoje em dia é aquele palmo e meio de pança e depoooois vem a calça. Com cós baixo não existe mais barriga, só pança! Aquela barriguinha ligeira que toda mulher gostosa que se preze tem, se transforma num monte abominável de carne. Numa calça de corte bom, cós direito, ela é guardada com elegância e discrição, mas numa calça assim, desse nível, impossível! Isso sem falar naquele fecho eclair patético que sempre emperra, na forma de dado que ficam os quadris e na altura, que pode chegar a uma redução de cerca de 5cm. Sim, mulheres que vestem cós baixo viram pequenos tocos. Você quer ser toco na vida, amiga? Eu não. Por isso aqui estou, encabeçando o movimento: EU ODEIO CÓS BAIXO!

 

Flá, inspiradíssima

Para mi Diego Rivera



E existe um forte pressentimento dizendo
Que eu sem você é como você sem mim
Antes que amanheça, que seja sem fim
Antes que eu acorde, seja um pouco mais assim
Meu príncipe, meu hóspede, meu homem, meu marido.

(Case-se comigo, Vanessa Da Mata)

Apesar da citação, ele não me pediu em casamento. Pensando bem, também não pediu pra namorar. Na verdade, quase tudo que ele conseguiu foi sem pedir: foi roubado (como o primeiro beijo), conquistado (como o meu corpo), tomado (como o meu coração). Ele foi chegando na minha vida sem fazer alarde, como quem não quer nada, misturando alegria e política, cerveja e chamego, tesão e torcida.
No primeiro ou segundo encontro ele pediu que eu esperasse um instante enquanto resolvia um problema; para isso usou um verso: ´´Espere por mim, morena´´. Falou de um jeito tão casual e bem dissimulado que enquanto ele ia eu fiquei na dúvida se tinha sido proposital. Mas não já não fazia a menor diferença, eu esperaria – a partir dali para sempre, enquanto o sempre durar.
Assim, sem pedir, sem avisar, sem planejar muito, embarcamos na aventura mais desafiante e fantástica que é ter filhote e criá-lo juntos, parindo assim uma família. Esta é, sem dúvida, a minha maior obra e a melhor parceria.
E o meu parceiro mais antigo, importante e desejado hoje faz aniversário. E, mesmo sendo um fracasso em números, percebi que um terço dessa existência nós vivemos juntos – o que me comove, alegra, fortalece. Porque entre as coisas boas de envelhecer (existem?) está poder fazê-lo em boa companhia. Ao seu lado, Luciano, é uma benção.
Te amo.
Feliz aniversário; Saúde e Sorte.

Helena Costa

Dilemas da m(p)aternidade

A menina protagonizou uma birra monstruosa, logo de manhã cedo (um agravante, como se sabe). Mereceu castigo à altura: fim de semana sem televisão. Cinco minutos depois “a ficha caiu” e a mãe arrependeu-se da sentença. Afinal, sem os desenhos animados da manhã a filha vai acordá-la pelo menos meia hora antes do desejado – e meia hora de sono para os pais, no fim de semana, faz toda a diferença do mundo.

Moral da história? Não faça do castigo uma arma – a vítima pode ser você.

Helena Costa, com um beijo pra mãe em questão, que em breve será, digamos, Bi-mãe.

Fatherns

Helena, li isso aqui na Pais e Filhos e lembrei do seu post sobre os pais modernos (vulgo fatherns):

Meu pai costumava brincar comigo e meu irmão no quintal. Minha mãe sempre gritava: ‘Vocês estão estragando o gramado!’ E ele respondia: ‘Não estamos cultivando grama, estamos criando meninos’.
(Harmon Killebrew, jogador de beisebol norte-americano)

– Monix –

PS – observações aleatórias, porém necessárias: 1) jogadores de beisebol também podem ter contribuições importantes a dar; e 2) este blog está a um passo de virar (ou já virou?) um fabuloso serviço de clipping. hohoho.

Veríssimo é o nosso pastor e nada nos faltará

Parcialidades

Leitores têm estranhado minha reticência em relação ao escândalo que domina o noticiário e as conversas e ameaça fazer o Brasil cair no caos, ou nas mãos do Severino. Estranho a estranheza. A reticência não é tanta assim, tenho dado meus palpites. Mas alguém esperava que eu fosse participar de um massacre só para parecer imparcial? Critico o governo Lula desde que ficou claro que sua política econômica seria a do PSDB e que iria de Malan a pior e não tenho nenhuma ligação com o PT fora a simpatia declarada e alguns amigos. Mas não devo nenhum tipo de contrição pelo que acreditava e não vou contribuir nem com silêncio constrangido para a tese propagada com furiosa euforia pela direita, de que a ruína do PT é a ruína definitiva da esquerda no Brasil e a prova de que um governo de origem popular não tem competência nem para esconder sua sujeira sob o tapete como gente mais preparada – sem falar nos seus erros de português – o que dirá administrar um país. O PT que saia, se puder, do lodaçal em que se meteu e – para repetir o mantra do momento, nem sempre dito com muita sinceridade – que tudo seja investigado e todos os culpados sejam punidos, mas que se chame o fervor ideológico que move certos políticos e certa imprensa pelo seu nome verdadeiro: massacre.

 

Não sou imparcial. Sou parcial a tudo que prometa nos tirar desta triste rotina de oligarquias eternizadas e privilégios intocáveis, ou miséria eternizada e submissão intocável, e a esta outra triste rotina de governos de esquerda abatidos no nascedouro – quando não se autodestroem. E, claro, ao Internacional Flamengo e ao Botafogo Fluminense, mesmo quando não merecem.

 

No Brasil, ser objetivo é quase uma forma de cumplicidade.

Luis Fernando Veríssimo, n’ O Globo, 22.08.05

Duas Fridas, com duas pequenas adaptações fundamentais

Rapidinhas

Rapidinhas

Bom de texto e de papo, meu amigo Christian é um trocadilhista incurável, desses que perde o amigo mas não dispensa a metáfora. Falávamos sobre este blogue, e eu comentei fingindo indiferença mas esperando um elogio:
– Dufas é um bom apelido, né?
– Dufas é legal, uma boa contração. Dufaralho!

***
Reunião de avaliação e planejamento, três dias de trabalho intenso. Discutíamos a conjuntura econômica e política, desdobramentos possíveis, cenários prováveis. Coisa séria e grave. Não fosse assim e um dos nossos, pastor e socialista, não teria concluído de maneira brilhante:
– Isso é tudo culpa do Capetalismo!
(Como é que eu não pensei nisso antes?!)

***
Segundo Reich, o ataque epilético é um orgasmo no órgão errado e o orgasmo é uma convulsão no órgão certo. (Revista TpM nº 46)
Achei a frase tão genial li em voz alta para a pessoa que estava ao meu lado enquanto eu folheava a revista. Depois que minha mãe concordou com um sorriso meio amarelo considerei que talvez eu tenha me empolgado demais…

Helena Costa

Proto-feminista

Minha mãe iniciou a neta nos mistérios religiosos: foi ela quem apresentou papai do céu à minha filha, mostrou a imagem de Nossa Senhora, ensinou a fazer o sinal da cruz. A Júlia, por sua vez, também tem suas lições. Por insistência dela, agora a avó reza:
Em nome do Pai, da Mãe, do filho e do Espírito Santo, amém.”

Helena Costa

Make Poverty History

Já faz um tempo que estamos a fim de entrar na campanha “Make Poverty History”, que, numa tradução livre, significa algo como “faça a pobreza virar coisa do passado”. Mas não queríamos simplesmente colocar um banner na coluna aí do lado. Tudo bem que o leiaute é bonitinho e tudo mais, mas o fato é que, literalmente, beleza não põe mesa, e a idéia é justamente discutir os problemas do mundo e tudo mais.
Nos parece que o principal mérito dessa campanha, pelo menos em comparação com outros movimentos similares do passado, é que desta vez estão surgindo propostas concretas e minimamente consistentes para, de fato, pressionar os dirigentes mundiais. Os shows de rock simultâneos à reunião do G-8, em cidades importantes dos países-membros da conferência, foram um ato simbólico importante, mas o movimento não poderia se resumir a isso, ou não seria um movimento, e sim um ajuntamento.
Sendo assim, queremos dizer aos nossos poucos porém qualificadíssimos leitores que nós apoiamos o movimento. Dêem um uma olhada nas propostas dos caras (a tradução meia-bomba é nossa mesmo, relevem):

MAKEPOVERTYHISTORY convoca os governantes mundiais e tomadores de decisão a enfrentar o desafio de 2005. Estamos pedindo por mudanças políticas urgentes e significativas em três áreas críticas e interrelacionadas: comércio, dívida e ajuda [financeira].big business às custas do povo e do meio ambiente.

1. Comércio justo

. Lutar por regras que assegurem aos governos, particularmente dos países pobres, a possibilidade de escolher as melhores soluções para acabar com a pobreza e proteger o meio ambiente. Estas nem sempre serão políticas de livre comércio.
. Terminar com os subsídios para exportação que prejudiquem as comunidades rurais ao redor do mundo.
. Criar leis que impeçam os lucros do

2. Perdão da dívida

. As dívidas impagáveis dos países mais pobres do mundo devem ser integralmente canceladas, de maneira justa e transparente.

3. Mais e melhor ajuda

. Países doadores devem liberar imediatamente uma ajuda extra de pelo menos US$ 50 bilhões e estabelecer um cronograma para gastar 0,7% da renda nacional em apoio financeiro. A ajuda deve, também, ser feita de forma a ajudar mais efetivamente as pessoas pobres.

They have the power and we can make them use it.

Duas Fridas

Do baú da minha existência

Do baú da minha existência

Minha avó nasceu em Salvador, era filha do prefeito. Foi criada com vestidinhos engomados, laçarotes de fita e criadagem. Era a filha mais velha. Mas a segunda irmã é que era a linda, a querida do papai, a preferida. Depois nasceram mais dois meninos e uma menina.
Estourou a Revolução de 30. Meu bisavô foi deposto, e, coisas que só acontecem no Brasil: fugiu pro Rio, vai entender. Prum cargo num ministério! Na Bahia ele era inimigo da Revolução, mas no Rio ele podia ter cargo federal. Sei lá, nunca entendi isso.
Minha avó odeia o Getulio Vargas. Ela estudava no Imaculada Conceição, um colégio de freiras que na época era super tradicional e hoje em dia é meio decadente. Ela fez um trabalho escolar, com 11 anos de idade, mais ou menos, sobre o potencial hidráulico do Brasil. A redação dela foi a melhor da escola, mas foi considerada ‘subversiva’ pela censura ou sei lá o quê, e ela perdeu o prêmio.
Aí meu bisavô teve câncer. Era um homem finíssimo. Foi internado num hospital na Tijuca, a casa onde a família morava ficava em Laranjeiras. Na época, não existia o Túnel Rebouças, nem o Santa Bárbara, era do outro lado da cidade MESMO. Tipo 15 km, de bonde. Minha bisavó (que nem era lá muito apaixonada por ele nem nada) ia todo dia fazer a visita. Um dia ela chega em casa, a freira liga: “o copo de cristal do Dr. Francisco quebrou-se e ele se recusa a tomar o remédio.”
Minha bisavó pegou o boooondee de voltaaaaaaaaa pra levar o bendito copo pra repor e véio tomar o remédio.
Por essas e outras que eu gosto de achar que deveria ter nascido aristocrata. :-)

Tem mais história.

Quando bisavô morreu, minha avó tinha uns 16, 17 anos. A família perdeu a (modesta) condição financeira que tinha. Minha bisavó, que também tinha sido criada à base de papinha de maisena na Bahia, passou a costurar pra fora. Minha avó foi trabalhar num ministério. Ela tinha muito jeito pra matemática (quer dizer, ainda tem, está viva e muito bem, obrigada).
Aliás, a minha outra avó (paterna) também era ótima em matemática, não sei de onde eu fui tirar minha zebrice com números.

Mas, continuando, minha avó (materna) foi trabalhar. Aí começou a namorar meu avô, que era irmão da melhor amiga da escola. Começou a II Guerra, ele era da Marinha, foi embarcado e ficou dois anos na costa do Rio Grande do Norte. Minha avó fica puta quando dizem que no Brasil não teve guerra. Ele fazia a patrulha da costa e, segundo ela, era super arriscado.
Se escreviam quase todos os dias. Ela tem todas as cartas em uma brochura até hoje, é lindo de morrer. Ela contava que tinha ido à missa, que tinha cosido (sic) um vestido novo. Ele contava das coisas da Base. Um amor.
Quando ele voltou, os dois se casaram. Ele foi transferido pra Natal e ela acompanhou, com vinte e poucos anos, sozinha com o marido, pra uma terra onde não conhecia NINGUÉM. Moravam na Base Naval.
Minha mãe nasceu em Natal. Minha avó foi muito feliz lá.
Eles tiveram SETE filhos, ficaram casados quase 30 anos. Ele morreu após um infarto fulminante, eu tinha seis anos de idade e me lembro dele como se fosse hoje: das brincadeiras que ele fazia, do carinho que tinha com a gente. Eu e e minha irmã fomos as únicas netas a conhecê-lo.

Um dos irmãos da minha avó era atleta. Estava treinando no Fluminense pra uma competição internacional, correndo na pista, e
tinha uns caras treinando arremesso de dardo. Ele foi atingido por um dardo e morreu na hora. Minha avó contando essa história é de arrepiar os cabelos. Ela lembra do homem que veio dar a notícia, da reação da minha bisavó.

Eu conheci minha bisavó. Quando ela morreu, eu tinha quase 17 anos. Lembro que ela usou luto fechado até os 90 anos. Só preto ou cinza. Era vaidosíssima, vivia perfumada de alfazema, mas estava sempre vestida de preto e cinza. Morreu com 93 anos , mas só depois dos 90 passou a conceder um bege, um lilás. Como diz a Fal, mulher séria é isso aí, nóis é que sêmo um bando de vagabundas desfrutáveis.

Só vivia dando bronca na gente: “Fulana, tire o pé daí, sente direito, olhe os modos, não fale assim com sua mãe!”
Era a espinha dorsal da família. Morava ora com uma filha, ora com outra, mas a maior parte do tempo foi na casa da minha avó mesmo. Se alguém precisava, lá ia ela de mala e cuia. Quando eu nasci, minha avó tinha uma filha de oito anos, minha tia caçula. Minha bisavó passou um mês na casa da minha mãe, ensinando tudo: banho, cuidar do umbigo, fazer papinha de fruta. Com uma família de mulheres assim, quem precisa de doula? ;-)

Até hoje eu me lembro do gosto dos sequilhos que ela fazia. Nunca comi uma ambrosia igual à dela, tão leve quanto a dela. E não posso ver uma cocada baianinha que me dá uma saudade dessas de fazer chorar.

– Monix –

Piada roubada do Marcelo, da mesa em frente

Está no Globo Online:

“Um em cada 25 pais do mundo pode estar criando, sem saber, o filho de um outro homem, disseram cientistas britânicos nesta quinta-feira. (…) As descobertas dos estudos variavam enormemente, alguns concluíram que um entre cada cem homens não é o pai de sua criança, enquanto outros colocaram essa cifra em até 30%. Os pesquisadores da Grã-Bretanha calcularam que uma média para todos esses levantamentos seria de 4%, sugerindo que até um entre cada 25 homens do mundo não é pai de seu suposto filho.
– A importância não está tanto no número em si, mas nas implicações dele já que, enquanto sociedade, estamos fazendo nossas escolhas baseados, com uma freqüência cada vez maior, na genética – afirmou um dos pesquisadores, o professor Mark Bellis.
– Se, por exemplo, alguém sabe que seu pai apresentou um histórico de doenças hereditárias do coração, pode se ver tentado a alterar sua dieta. Obviamente, eles precisam tomar essa decisão com base em informações precisas a respeito de quem seu pai é na verdade – disse o pesquisador. (…)”

Diz o Marcelo: “na verdade, eles só precisam saber que seu pai é corno.” Hohoho!

-Monix-

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