Calar

A Cora já ensinou ao mondo blog o axioma de Millôr: “não se amplia a voz dos imbecis”. Ela concorda:
Pois eu cada vez mais me convenço que tudo pode ser explicado a partir de exemplos da sala de aula. Esse negócio de ampliar a voz dos imbecis, por exemplo. É claro que não leva a nada, só aumenta a imbecilidade. Mas é irresistível, a gente acaba morrendo de rir com as repercussões da imbecilidade humana. É como com os alunos de 5a e 6a séries: eles sabem que precisam se calar. Uns começam a ficar nervosos porque querem e precisam ouvir a professora, que só vai falar quando todos estiverem calados. Aí começam: cala a boca! porra, meu, fica quieto! ai, caralho, cala a boca! pssttt! cala a boca! cala a boca! cala a boca! E não adianta a professora falar que se cada um mandar o outro se calar, o barulho nunca acaba. Porque chega uma hora em que eles ficam fazendo de propósito para irritar e se divertir ao mesmo tempo. Igual a gente, quando amplia as vozes.

Monix

Fatos e notas

O Ricardo Noblat escreveu outro dia que os escândalos surgem como lenços de papel numa caixa, um puxa o outro, infinitamente. A imagem também serve para ilustrar meu movimento pela internet: um link puxa outro, que puxa outro… Blogue então, nem se fala. Quase nunca consigo seguir a ronda dos meus próprios links; entro em um e sou atraída pelos links que encontro nesse, que me levam a outros e outros…

Nessa navegação à vela, ao sabor dos ventos digitais, freqüentemente encontro lugares interessantíssimos, muitas vezes sem saber como fui parar lá. Assim achei o site Song facts, que reúne exatamente isso, fatos sobre músicas. Fiquei sabendo que a belíssima e soturna Lady D’Arbanville foi escrita por Cat Stevens para uma namorada (que o deixou pelo Mick Jagger !); a música When I’m 64 foi escrita por Paul MaCartney aos 15 anos. Outra dos Beatles: tanto John quanto Paul consideravam In my life uma das melhores canções da dupla – e quem há de negar? O site informa também que Don MCLean nunca ”explicou” a letra da comovente American Pie, deixando a interpretação ao gosto de cada ouvinte.

Até onde pude ir, o site apresenta falhas graves: faltam clássicos do calibre de My way (que, reza a lenda, foi feita para o Sinatra) ou Every time you say goodbye, de Gershwin. Tão pouco pode-se afiançar a idoneidade das informações, pois não há rigor acadêmico/científico na coleta e apresentação dos dados. Mas constituem, sem dúvida, uma fonte de informações e referências para pesquisadores – e um deleite para os amantes de música.

E não pude deixar de sonhar em realizar algo semelhante para música brasileira… Já pensou?

Helena Costa

%d bloggers like this: