Ou Não

O resultado do referendo preocupa e entristece, mas não é o mais assustador (na prática, muda muito pouco, já que o Estatuto do Desarmamento está em vigor desde 2003). O que assusta nesta vitória do NÃO é o recado que a sociedade brasileira transmite. É que, graças às campanhas mal feitas (intencionalmente ou não), o tema da discussão extrapolou uma questão aparentemente bem mais simples – a proibição da venda de armas e munição – para um debate, diga-se de passagem, oportuno, sobre segurança pública. Porém, por mais oportuno que fosse, não era isso que estava sendo votado.
E, infelizmente, no referendo que houve sem ter havido, venceu a turma do salve-se quem puder. De certa forma, o que estamos dizendo, como sociedade, é: não confiamos mais no Estado, agora é cada um por si.
Ou não. A pergunta foi tão mal elaborada, o índice de não-inclusão digital é tão alto, as urnas eletrônicas são tão confusas, que talvez o resultado desejado pela maioria da população fosse justamente o oposto. Mas isso a gente nunca vai saber.

Las Dos Fridas

Trilha sonora do post: queima de fogos ou rajada de tiros (nunca se sabe), proveniente do Morro Dona Marta, possivelmente em comemoração à vitória do NÃO ou a algum outro evento relevante para a facção dominante no momento.

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