Da série Favoritos das Fridas – Feios

Feios que a gente adora:


Alan Rickman, Monix


Tommy Lee Jones, Helê

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Que delícia, que sufoco

O grande buraco é o pós-parto… você começa a rever as relações com seus pais. A minha relação com minha mãe veio à tona, todos os limites dela como mãe.

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Amamentei por sete meses, sem gostar. Como sou uma pessoa ansiosa, ficava louca pra acabar logo. Apesar de saber que era bom pra ela.
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Na hora do parto, senti uma sensação de alívio (…) … eu também esperava bater tambor, uma emoção especial de que todo muno fala mas não ocorreu…
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Desde o pós-parto despertou em minha a consciência de que existe um ser que depende de você pra tudo. É apavorante.
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O pós-parto é desagradável porque o neném não devolve nada, em termos emocionais. O seio dói, a cicatriz dói, você está literalmente horrorosa, não pode fazer sexo com seu marido do jeito que deseja. O neném chora, não dorme, não come, você não pode fazer nada por causa dele.
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O grande projeto da minha vida são os meus filhos. (…) Acho que, na verdade, os filhos é que são a grande escola. Nós nos preparamos tanto para educá-los e eles é que nos educam.

Não, essa não é uma campanha anti-reprodução da espécie. Apenas mais um ataque deliberado ao opressivo MM – Mito da Maternidade. É que li recentemente um livro maravilhoso chamado ”Maternidade: que delícia, que sufoco – 30 histórias reais”, editado pela Objetiva e escrito por Maria Teresa Marques Moreira. Nunca tinha ouvido falar dele, mas achei, sabe Deus porque, que seria bom (às vezes eu ajo como franco atirador e escolho um livro pela capa, pela orelha, pelo resumo do Submarino. E, sorte ou intuição, em geral acerto). Este é muito bacana porque são depoimentos de diferentes mães contando suas gravidezes (ô plural estranho esse!) e partos. A autora parece ter procurado editar o mínimo possível, tentando preservar a fala original das mulheres. E como se pode ver pelos trechos que escolhi, são depoimentos reais e realistas, nada daquela profusão de laços cor de rosa, diminutivos e tatibitate irritante. Claro que há alegrias e emoções intensas, mas não só, porque a maternidade, como qualquer outra experiência humana, é feita de luz e sombra – embora nos ensinem que ela só pode ser ensolarada, exultante e enobrecedora. Vale a pena pra quem quer ter uma idéia da maternidade como ela é.

Helena Costa

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