Condecoração

O 20 de novembro, dia nacional da consciência negra, este ano cairá num domingo – o que diminuirá a visibilidade da data, ajudou a dividir o já belingerante movimento negro em duas marchas à Brasília e, horror dos horrores, roubou dos cariocas um feriado.

Como o movimento por aqui cai bastante no finde – ainda bem, sinal que cês tem coisa muito melhor pra fazer do que ficar em frente ao computador no sábado e domingo – fica registrada hoje a minha condecoração Valeu, Zumbi (que eu acabei de inventar, of claro). Vai para o cineasta Jorge Furtado, que me deu a oportunidade tardia, mas não menos importante por isso, de assistir a um filme bacana, muitíssimo bem feito, onde um negro é protagonista sem fazer “papel de preto”. Você sabe o que eu quero dizer: não é escravo, nem guerreiro, nem jogador de futebol, nem faz discurso sobre “ser negro” e coisas do gênero. É pobre, mas poderia ser um pobre branco e nenhuma linha do filme precisaria ser reescrita. Em O homem que copiava o brilhante (e belo) Lázaro Ramos protagoniza uma história absolutamente verossímil sem ter que, em nenhum momento, fazer qualquer menção à sua cor ou etnia.

Considero importantíssimo que o cinema, a televisão e todos os outros produtores e reprodutores de iconografia, memória e cultura (entre outras coisa) abordem as mais variadas questões relativas aos negros – incluindo aí biografias de destaque para além dos gramados e dos palcos. Em que pesem estas demandas, no meu mundo ideal, o mais importante não seria uma filmografia sobre a história negra ou elencos majoritariamente negros. A regra – e não a exceção ou a concessão – seriam filmes onde os negros atuassem apenas por dois critérios: existência e talento.

Helena Costa

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Condecoração



O 20 de novembro, dia nacional da consciência negra, este ano cairá num domingo – o que diminuirá a visibilidade da data, ajudou a dividir o já belingerante movimento negro em duas marchas à Brasília e, horror dos horrores, roubou dos cariocas um feriado.

Como o movimento por aqui cai bastante no finde – ainda bem, sinal que cês tem coisa muito melhor pra fazer do que ficar em frente ao computador no sábado e domingo – fica registrada hoje a minha condecoração Valeu, Zumbi (que eu acabei de inventar, of claro). Vai para o cineasta Jorge Furtado, que me deu a oportunidade tardia, mas não menos importante por isso, de assistir a um filme bacana, muitíssimo bem feito, onde um negro é protagonista sem fazer “papel de preto”. Você sabe o que eu quero dizer: não é escravo, nem guerreiro, nem jogador de futebol, nem faz discurso sobre “ser negro” e coisas do gênero. É pobre, mas poderia ser um pobre branco e nenhuma linha do filme precisaria ser reescrita. Em O homem que copiava o brilhante (e belo) Lázaro Ramos protagoniza uma história absolutamente verossímil sem ter que, em nenhum momento, fazer qualquer menção à sua cor ou etnia.

Considero importantíssimo que o cinema, a televisão e todos os outros produtores e reprodutores de iconografia, memória e cultura (entre outras coisa) abordem as mais variadas questões relativas aos negros – incluindo aí biografias de destaque para além dos gramados e dos palcos. Em que pesem estas demandas, no meu mundo ideal, o mais importante não seria uma filmografia sobre a história negra ou elencos majoritariamente negros. A regra – e não a exceção ou a concessão – seriam filmes onde os negros atuassem apenas por dois critérios: existência e talento.

Helena Costa

Academia

Ginástica tem que ser em academia ultra-mega-power-flex. Você conhece o tipo, né? Equipamentos modernos, professores empolgados, instalações modernas, banheiros luxuosos, de preferência com pequenos mimos como secadoras de maiô, sabonetinhos, balanças digitais e secadores de cabelo. E gente bonita, muita gente bonita.
Não dá pra malhar na academia da esquina, baratinha, meio antiguinha. Pode ser muito confiável, pode ser mais econômica, pode ter gente séria trabalhando para meu bem-estar, mas num rola.
Eu já não gosto nada-nada de atividade física. Se é pra ir até uma academia, que seja pra achar que me transformei na Angelina Jolie, daí pra mais. Pra olhar em volta e ver gente como a gente, melhor ficar em casa mesmo, pelo menos é de graça.
É por essas e outras que eu não malho, como vocês podem perceber.

Monix, politicamente incorretíssima

Deleitáveis/deletáveis

A idéia original é da Marina W. Mas quem lê esse blogue a essa altura já percebeu que nós adoramos uma brincadeira. Alguém mais quer aderir?

Coisas deleitáveis

gargalhada de criança feliz
sons de criança brincando com pai

dormir na rede
fazer amigos na (grande) rede

banho de chuveiro
banho de banheira

pipoca de microondas
massa de bolo que a gente tira com o dedo e lambe

ler na cama
trepar na cama

edredom de hotel, de preferência bem branco
lençol de hotel, aquele beeem esticado

dançar em festa de casamento
dançar música que a gente gosta

cantar junto com o rádio
cantar alto com fone no ouvido

subir a serra
olhar a Terra (do espaço)

sushi e sashimi em dia meio deprê
feijoada e cervejal em dia alto astral

bom papo
altos papos

cuidar da mini-horta
arrumar livros e cds

fazer fuxico
fazer fuxico

ir pra varanda espiar o movimento da rua
sentar na calçada espiando o movimento da rua

coisas deletáveis

Jornal Nacional
Domingão do Faustão

acordar com o sol batendo na cara
ficar com os pés molhados em dia de chuva

perfume forte
duelar com a morte

falar no telefone por mais de 5 minutos
tentar falar com alguém por telefone por mais de 5 minutos

sair mal na foto
foto 3×4 (você sempre sai mal)

descer a serra
enjoar descendo a serra

mergulhar na piscina gelada
água fria, sempre

roupa suja
louça suja

papo chato
papo furado

pregar botão
fazer bainha

Monix e Helena

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