Raciais

Alvíssaras

Ouro Preto muda bandeira “racista”
Considerada racista e motivo de constrangimento para os moradores, a bandeira da cidade histórica de Ouro Preto (89 km a sul de Belo Horizonte) ganhou ontem um novo texto. A frase em latim “proetiosum tamen nigrum” (precioso ainda que negro), referência ao ouro coberto por óxido de ferro encontrado na região, foi substituída por “proetiosum aurum nigrum” (precioso ouro negro). A lei que mudou a bandeira de 1931 foi sancionada ontem pelo prefeito Ângelo Oswaldo (PMDB).
Folha de S. Paulo, 19 de novembro de 2005

Mais subsídio

Brasil dos negros é o 105º de ranking social
Um estudo divulgado ontem pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) mostra que, se os negros brasileiros formassem um país, ele ocuparia a 105ª posição no ranking que mede o desenvolvimento social no mundo, enquanto o Brasil “branco” seria o 44º. (…) Se brancos e negros do Brasil formassem países separados, seriam 61 posições de diferença. O ranking liderado pela Noruega tem 173 países. O Brasil “unificado” fica em 73º.
Folha de S. Paulo, 19 de novembro de 2005

Helena Costa

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Estatísticas

Tenho em mãos um material de divulgação da Fundação Abrinq que reúne dados sócio-econômicos sobre o Brasil. Pára o que você está fazendo e prestenção porque a coisa é séria:

O Brasil é a 15ª economia mundial (na época do Milagre Econômico chegamos à oitava posição, lembram?), mas nosso país ocupa a 9ª posição no ranking da desigualdade social. Agora, os números:
– 10% mais ricos têm 50% da renda = R$ 571,00 mensais per capita
– 40% estão na classe média = entre R$ 131,67 e R$ 571,00 per capita
– 50% mais pobres têm 10% da renda = menos de R$ 131,67 per capita
Existem 56,9 milhões de pobres, sendo 24,7 milhões vivendo em extrema pobreza.

Números, números.
Agora vamos pensar. Segundo esses dados (replicados de fontes confiáveis, como IBGE e PNUD), uma empregada doméstica que ganhe dois salários mínimos, casada com um vigia que ganha um salário mínimo, e apenas um filho (eu conheço uma família assim), está na classe média brasileira. Uma secretária que ganhe dois mil reais, mãe solteira de dois filhos, está na faixa mais alta de renda, junto com o Antônio Ermírio de Moraes.

Então vamos parar com essa mania de achar que dá pra comparar o Brasil com Estados Unidos (ou com a Suíça, como recentemente fez a pouco respeitada revista Veja).
E não venham dizer que a culpa é (apenas) do governo Lula, que eu dou um grito.

Update: Segundo a mesma fonte, mais da metade das crianças brasileiras são pobres (segundo o critério dos cento e poucos reais por cabeça). Setenta por cento dos indigentes são negros. Mas é claro que no Brasil não existe racismo.

-Monix-

O Henrique deixou o seguinte comentário a respeito do prêmio Valeu, Zumbi:

“Tem um filme que é altamente didático nessa questão. Ele consegue esfregar na cara da gente um fato que passa despercebido aos olhos da maioria – a falta de negros na mídia. Isso justamente se trata não de uma presença, mas sim de uma ausência, um ruído na comunicação, um significado nas entrelinhas. Esse filme é “A cor da fúria”. Não é nem o caso de discutir se é bom ou não. O mais importante é a idéia básica de inverter os papéis, mostrando uma sociedade em que os negros são a elite, enquanto a classe proletariada é de maioria branca. Através dessa brincadeira, o roteiro faz saltar aos olhos situações que nos são pouco perceptíveis. Só uma cena já vale o filme: O John Travolta fica trocando de canal na TV, e nas novelas, filmes, noticiário, só aparecem negros. É uma coisa com que vivemos normalmente, no sentido oposto, e só os mais politizados conseguem enxergar.”

Não vi o filme, fiquei curiosa. E me lembrei de um programa que assisti no GNT (e que teve como efeito colateral a aproximação de duas queridas) sobre o experimento realizado pela americana Jane Elliot. Chama-se Blue Eyes, Brown Eyes Exercise. A professora reúne um grupo de participantes e os classifica a partir da cor de seus olhos. As pessoas que têm olhos azuis são identificadas como o grupo inferior, recebendo todos os estereótipos negativos normalmente atribuídos aos negros. No grupo mostrado pelo programa, as reações foram muito fortes. Uma das moças de olhos azuis se retirou da sala aos prantos. Os olhos-castanhos diziam frases como “eu não sou racista, tenho até mesmo um grande amigo olhos-azuis.”
Foi assistindo a essa experiência que entendi que racismo é um conceito subjetivo. Mesmo. Consegui ver, perceber, constatar, enfim, enfiar na minha cabeça branca-moça-zona-sul, que se um negro grita: discriminação!, é porque ele sentiu assim. E não, eu não tenho condições para julgar.

Estamos apenas engatinhando.

-Monix-

Na night

Papo com o DJ: “os ingleses são estranhos, ninguém se beija, a festa acaba e tá todo mundo sozinho. Às vezes rola de umas mulheres se pegarem. Mas aí pode. É que todo mundo sabe que elas estão só brincando, e que não vai rolar sexo depois.” É. Estranho é pouco.

-Monix-

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