Gula

Nasci numa família de cozinheiras de mão cheia. Até hoje me lembro do gosto dos sequilhos da minha bisavó, que morreu quando eu tinha 16 anos. E da gemada que ela me ensinou a fazer e até hoje eu sei. E da ambrosia, leve, nunca comi outra igual.
Aliás, minha memória gastronômica é bem antiga, lembro de quando viajei para a casa do meu avô em Brasília (com uns cinco anos de idade) e ele nos dava leite condensado pra “mamar na lata” e queijinho para “abrir o apetite” antes do almoço. Minha avó ficava louca da vida.
Minha avó é outra quituteira de mão cheia. Quando eu era criança, ela ocupava dois apartamentos do mesmo andar, ligados pelas cozinhas. Era uma mega-cozinha cercada de apartamento por todos os lados. As lembranças da minha infância são cheias de lanchinhos na copa, comidinhas gostosas, bolos (amor em pedaços, cuca de banana), docinhos, pãezinhos com queijo, sanduíches em camadas, tipo canapé, nas festas e nos domingos. Pasta de ricota com cenoura, que delícia. No meu aniversário, eu tinha direito a pedir o Bolo Campeão, uma receita que só a minha avó tinha, um chocolate cremoso com uma cobertura macia, nossa, uma coisa divina, de só parar de comer por decreto.
Minha mãe é a rainha do improviso na cozinha. Era uma cena comum vê-la remexendo a geladeira, misturando um restinho disso com um pouquinho daquilo, temperando, batendo com ovos e, voilà – uma comidinha nova. Fora isso, eram livros e mais livros de receitas, fichários, coisas recortadas de revistas e embalagens de maizena, anotações, dicas. Não existe nada que minha mãe ponha a mão que não fique simplesmente divino. Até para fazer um sanduíche ela inventa uma coisinha diferente, um toque criativo, um charme – pode ser um molho, uma combinação diferente, o jeito de cortar o pão…
Ou seja, Carol: eu não aprendi a cozinhar, eu cresci sabendo.

-Monix-

Update necessário – Minha família tem uma certa quedinha pelo matriarcado, e eu sem querer repito o padrão, às vezes ignorando solenemente os homens (aaaanos de análise e certas coisas não mudam!), mas é importante esclarecer que além dessa mulherada toda, também temos nossos mestres-cuca super talentosos. Um tio-avô era dono de um restaurante que marcou época na região serrana fluminense; um tio é especialista em chili com carne; meu irmão (que lê este blog) faz um estrogonofe delicioso e os melhores sanduíches do mundo, sempre um igual pra mim. :-)

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