Personagens, seriados

Eu queria ser a Samantha Jones, claro – liberada, bem resolvida, quase vulgar mas nem um pouco preocupada com isso; glamourosa… Mas eu sei que estou mais pra Miranda Hobbes, a mais neurótica, racional e menos atraente das quatro mulheres do finado Sex and the City. No que eu mantenho, aliás, um padrão infantil: aos 10, 11 anos a gente brincava de As Panteras e eu era a Sabrina, a menos bonita porém inteligente.
Mas a vida é real e de viés, diria o Caetano, e eu sei que participo mesmo é da Grande Família. Como figurante.

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Falando em seriados: será que um dia alguém vai reprisar Os Waltons? Saudades de John Boy, Mary Helen e seu indefectível ”Boa noite!” E uma grande curiosidade para ver se, com os olhos de hoje, aquilo é tão bom quanto parece pelas lentes do passado (eu gostava deles ou do ritual de assiti-los com a minha mãe e meu irmão?).

Helê
PS: Agora a música tema não pára de tocar na rádio cabeça… Como pode uma melodia tão antiga, que eu não ouço há tanto tempo, permanecer aqui nos arquivos mentais?

Você sabe que está ficando velha quando observa o Rodrigo Santoro na tevê e pensa: ”Ele é lindinho, mas quando envelhecer mais um pouco vai ficar muito melhor!”

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Acontece que ele tem a combinação imbatível de um corpo másculo e aqueles olhinhos de menino pidão. Como o Richard Gere, o The Edge (do U2)… E com o passar dos anos o contraste fica cada vez mais interessante.
(O que justifica a especulação, mas não esconde o fato de que estou realmente envelhecendo) .

Helê

Outra resenha fora de hora

Confissões de Schimdt é um bom filme, embora melancólico, triste mesmo. Bem feito pra mim, que fujo dos dramas explícitos (órfãos, guerras, cânceres) e aprendi que um filme pode ser muito triste sem nada disso, apenas falando de uma vida ordinária. Ah, e o Jack Nicholson trabalha muito bem, mesmo não fazendo ele mesmo.

Helê

Raciais

Alvíssaras

Ouro Preto muda bandeira “racista”
Considerada racista e motivo de constrangimento para os moradores, a bandeira da cidade histórica de Ouro Preto (89 km a sul de Belo Horizonte) ganhou ontem um novo texto. A frase em latim “proetiosum tamen nigrum” (precioso ainda que negro), referência ao ouro coberto por óxido de ferro encontrado na região, foi substituída por “proetiosum aurum nigrum” (precioso ouro negro). A lei que mudou a bandeira de 1931 foi sancionada ontem pelo prefeito Ângelo Oswaldo (PMDB).
Folha de S. Paulo, 19 de novembro de 2005

Mais subsídio

Brasil dos negros é o 105º de ranking social
Um estudo divulgado ontem pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) mostra que, se os negros brasileiros formassem um país, ele ocuparia a 105ª posição no ranking que mede o desenvolvimento social no mundo, enquanto o Brasil “branco” seria o 44º. (…) Se brancos e negros do Brasil formassem países separados, seriam 61 posições de diferença. O ranking liderado pela Noruega tem 173 países. O Brasil “unificado” fica em 73º.
Folha de S. Paulo, 19 de novembro de 2005

Helena Costa

Estatísticas

Tenho em mãos um material de divulgação da Fundação Abrinq que reúne dados sócio-econômicos sobre o Brasil. Pára o que você está fazendo e prestenção porque a coisa é séria:

O Brasil é a 15ª economia mundial (na época do Milagre Econômico chegamos à oitava posição, lembram?), mas nosso país ocupa a 9ª posição no ranking da desigualdade social. Agora, os números:
– 10% mais ricos têm 50% da renda = R$ 571,00 mensais per capita
– 40% estão na classe média = entre R$ 131,67 e R$ 571,00 per capita
– 50% mais pobres têm 10% da renda = menos de R$ 131,67 per capita
Existem 56,9 milhões de pobres, sendo 24,7 milhões vivendo em extrema pobreza.

Números, números.
Agora vamos pensar. Segundo esses dados (replicados de fontes confiáveis, como IBGE e PNUD), uma empregada doméstica que ganhe dois salários mínimos, casada com um vigia que ganha um salário mínimo, e apenas um filho (eu conheço uma família assim), está na classe média brasileira. Uma secretária que ganhe dois mil reais, mãe solteira de dois filhos, está na faixa mais alta de renda, junto com o Antônio Ermírio de Moraes.

Então vamos parar com essa mania de achar que dá pra comparar o Brasil com Estados Unidos (ou com a Suíça, como recentemente fez a pouco respeitada revista Veja).
E não venham dizer que a culpa é (apenas) do governo Lula, que eu dou um grito.

Update: Segundo a mesma fonte, mais da metade das crianças brasileiras são pobres (segundo o critério dos cento e poucos reais por cabeça). Setenta por cento dos indigentes são negros. Mas é claro que no Brasil não existe racismo.

-Monix-

Representação

O Henrique deixou o seguinte comentário a respeito do prêmio Valeu, Zumbi:

“Tem um filme que é altamente didático nessa questão. Ele consegue esfregar na cara da gente um fato que passa despercebido aos olhos da maioria – a falta de negros na mídia. Isso justamente se trata não de uma presença, mas sim de uma ausência, um ruído na comunicação, um significado nas entrelinhas. Esse filme é “A cor da fúria”. Não é nem o caso de discutir se é bom ou não. O mais importante é a idéia básica de inverter os papéis, mostrando uma sociedade em que os negros são a elite, enquanto a classe proletariada é de maioria branca. Através dessa brincadeira, o roteiro faz saltar aos olhos situações que nos são pouco perceptíveis. Só uma cena já vale o filme: O John Travolta fica trocando de canal na TV, e nas novelas, filmes, noticiário, só aparecem negros. É uma coisa com que vivemos normalmente, no sentido oposto, e só os mais politizados conseguem enxergar.”

Não vi o filme, fiquei curiosa. E me lembrei de um programa que assisti no GNT (e que teve como efeito colateral a aproximação de duas queridas) sobre o experimento realizado pela americana Jane Elliot. Chama-se Blue Eyes, Brown Eyes Exercise. A professora reúne um grupo de participantes e os classifica a partir da cor de seus olhos. As pessoas que têm olhos azuis são identificadas como o grupo inferior, recebendo todos os estereótipos negativos normalmente atribuídos aos negros. No grupo mostrado pelo programa, as reações foram muito fortes. Uma das moças de olhos azuis se retirou da sala aos prantos. Os olhos-castanhos diziam frases como “eu não sou racista, tenho até mesmo um grande amigo olhos-azuis.”
Foi assistindo a essa experiência que entendi que racismo é um conceito subjetivo. Mesmo. Consegui ver, perceber, constatar, enfim, enfiar na minha cabeça branca-moça-zona-sul, que se um negro grita: discriminação!, é porque ele sentiu assim. E não, eu não tenho condições para julgar.

Estamos apenas engatinhando.

-Monix-

Na night

Papo com o DJ: “os ingleses são estranhos, ninguém se beija, a festa acaba e tá todo mundo sozinho. Às vezes rola de umas mulheres se pegarem. Mas aí pode. É que todo mundo sabe que elas estão só brincando, e que não vai rolar sexo depois.” É. Estranho é pouco.

-Monix-

Desperdício

Esta noite sonhei que estava numa deliciosa cena de sexo com… meu marido!
Se é pra ser com o marido, por que sonhar ao invés de fazer?
Se é pra sonhar, por que não o Brad Pitt ou com Denzel Washington?
Ô inconscientezinho sem ambição!

PS: A foto do marido não rola – vai que cês sonham com ele também?

Helê

Da série Favoritos das Fridas

Nossas cenas favoritas: Harry e Sally

A já clássica “Cena do orgasmo”. Pelo conjunto da obra: a encenação da Meg Ryan, a cara de babaca do Billy Cristal e a velha (mãe do diretor Rob Reiner) pedindo ao garçom o mesmo que ela. Genial e hilária.
Helê

No carro, indo para Nova York, acabam de se conhecer e Harry lança a questão polêmica: homens e mulheres não podem ser amigos, “por causa do sexo”. A Sally discorda, mas eu não. Adoro esse desvelamento de um assunto familiar a (quase) todo mundo, mas nunca verbalizado com a naturalidade que deveria. A tensão sexual é um fato. O que vamos fazer com ela, é outra história.
Monix

Condecoração

O 20 de novembro, dia nacional da consciência negra, este ano cairá num domingo – o que diminuirá a visibilidade da data, ajudou a dividir o já belingerante movimento negro em duas marchas à Brasília e, horror dos horrores, roubou dos cariocas um feriado.

Como o movimento por aqui cai bastante no finde – ainda bem, sinal que cês tem coisa muito melhor pra fazer do que ficar em frente ao computador no sábado e domingo – fica registrada hoje a minha condecoração Valeu, Zumbi (que eu acabei de inventar, of claro). Vai para o cineasta Jorge Furtado, que me deu a oportunidade tardia, mas não menos importante por isso, de assistir a um filme bacana, muitíssimo bem feito, onde um negro é protagonista sem fazer “papel de preto”. Você sabe o que eu quero dizer: não é escravo, nem guerreiro, nem jogador de futebol, nem faz discurso sobre “ser negro” e coisas do gênero. É pobre, mas poderia ser um pobre branco e nenhuma linha do filme precisaria ser reescrita. Em O homem que copiava o brilhante (e belo) Lázaro Ramos protagoniza uma história absolutamente verossímil sem ter que, em nenhum momento, fazer qualquer menção à sua cor ou etnia.

Considero importantíssimo que o cinema, a televisão e todos os outros produtores e reprodutores de iconografia, memória e cultura (entre outras coisa) abordem as mais variadas questões relativas aos negros – incluindo aí biografias de destaque para além dos gramados e dos palcos. Em que pesem estas demandas, no meu mundo ideal, o mais importante não seria uma filmografia sobre a história negra ou elencos majoritariamente negros. A regra – e não a exceção ou a concessão – seriam filmes onde os negros atuassem apenas por dois critérios: existência e talento.

Helena Costa

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