Ainda as bonecas


Pesquisando na internet para escrever o post sobre a informação errada divulgada pelo portal Terra, acabei encontrando um site que vende, de fato, bonecas lésbicas. O Dykedolls comercializa alguns modelos e promete para breve um casal com filho, as ”Mamães”. As dykedolls possuem acessórios como vibradores e outros add ons.

Socorreu-me o dicionário Oxford, ensinando que dyke* significa lesbian, esp a masculine one. O que explica o fato das bonecas reproduzirem um estereótipo – limitado, como qualquer um – de lésbicas masculinizadas. E então ficou claro porque a campanha da American Girl causou tanto alvoroço entre conservadores: porque não era direcionada exclusivamente às lésbicas, mas ao público em geral. Em outras palavras, saiu do gueto. Especialmente nos Estados Unidos, mas também cá como lá, quase tudo é permitido desde que cada macaco permaneça no seu galho, cada um desempenhe o papel esperado, nos locais e horários previstos.

Portanto, não causa comoção e provavelmente nenhuma reação maior a venda bonecas lésbicas, pela internet ou ”ao vivo”. Mas é inadmissível que uma tradicional fabricante de bonecas (talvez o equivalente à Estrela aqui no Brasil) repasse fundos a uma organização feminista que reconhece lésbicas como cidadãs. Apenas isso já configura uma ameaça suficientemente grave à família – pra não falar da tradição e da propriedade.

Argh.

Helena Costa
*Considerada pelo mesmo Oxford uma taboo word, isto é, que pode ser ofensiva, indecente ou chocante para certas pessoas. Talvez a melhor tradução seja sapatão – que me perdoem (ou ajudem) as tradutoras presentes.

10:23 PM

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