Isto Não É Um Sabonete

“Em 1913, o dicionário Webster definia a beleza como uma propriedade que agrada aos olhos, aos ouvidos, ao intelecto, à faculdade estética ou ao senso moral. Mas, em 2004, este padrão encolheu lamentavelmente. As contribuições do ouvido, do intelecto, a ampla faculdade estética e as sensibilidades morais se foram. (…) A beleza é diversa e o olho humano anseia por novos prazeres e fontes de inspiração.”
Dra. Nancy Etcoff – Universidade de Harvard

“Os últimos 50 anos testemunharam um interessante paradoxo: a beleza, como uma idéia e um ideal deixou de ser apenas proveniente da fábrica de sonhos de Hollywood, de modelos e jovens noivas, para tornar-se um essencial atributo ao qual as mulheres de todas as idades devem prestar mais atenção. Mas, ao mesmo tempo em que mulheres de todas as idades e classes sociais querem reivindicar a beleza para si, tem havido um insidioso estreitamento da estética para um padrão físico limitado: alto e magro – o que inevitavelmente exclui milhões de mulheres. A associação entre democratizar a idéia de beleza e o limite do que constitui o ideal da mesma, tem causado considerável angústia nestas mulheres – jovens e idosas – que lutam para encontrar os meios para achar estes valores estéticos.”
Dra. Susie Orbach – Escola de Economia de Londres

As opiniões destas especialistas estão na abertura de umapesquisa internacional encomendada pela Dove/Unilever ao grupo Strategy One, e que deu origem à Campanha pela Real Beleza.

A pesquisa já é meio antiga (foi divulgada em setembro de 2004), mas os resultados, obviamente, continuam atualíssimos. É claro que o objetivo último da coisa é vender sabonetes, mas a verdade é que a reboque do aumento de vendas (que deve ter ocorrido, embora o site seja puramente “institucional” e não divulgue dados “mercadológicos”) deu-se uma discussão no mínimo interessante sobre os padrões de beleza vigentes.

Entre outras coisas, concluiu-se que, em grande parte, as mulheres não se sentem confortáveis em se definirem como “bonitas”. Quase a metade afirma que quando se sentem menos bonitas também sentem menos bem-estar geral; ou seja, a sensação de auto-estima e felicidade é altamente influenciada pela percepção da própria beleza. A maioria das entrevistadas se define como “mediana” e considera que seu peso é muito acima do normal.

A boa notícia vem para nós, brasileiras: aqui tivemos o maior percentual de mulheres que se descrevem como “bonitas” (6%). Em compensação, metade das entrevistadas no Brasil já consideraram a hipótese de fazer cirurgia plástica, sendo que 7%, o mais alto índice neste item, já fizeram.

O curioso é que na comparação entre os dados desta pesquisa e resultados de outras pesquisas feitas nos EUA e na Europa Ocidental percebe-se que as taxas de satisfação com a vida variam entre 70% e 80%, o que sugere que a satisfação com a aparência é menor do que a satisfação com a vida em geral.

Outra conclusão importante é que as mulheres tendem a acreditar que hoje em dia beleza é um conceito restrito e inatingível. Mais de dois terços acreditam que a mídia transmite um padrão irreal de beleza e não querem que este conceito seja transmitido às novas gerações. Oitenta e dois por cento das pesquisadas concordam fortemente com a seguinte afirmação: “se eu tivesse uma filha, gostaria que ela se sentisse bonita, ainda que não fosse fisicamente atraente.” No mundo inteiro espera-se que a mídia mostre mulheres com diferentes pesos, formas corporais e idades, além de mulheres comuns e não apenas modelos, tanto nos meios de comunicação quanto na publicidade.

O que será que eles estão esperando?

Monix, belíssima

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