Títulos

3 fevereiro de 2006

Eu sou apaixonada por títulos. Sou capaz de comprar um livro, visitar várias vezes um blogue, procurar uma letra de música na internet apenas por um título bem feito, original, impactante. Às vezes o que atrai é o humor; noutras a sonoridade; outras ainda a surpresa; muitas vezes nem sei definir ao certo. Mas o fato é que de um bom título eu não escapo. Eis alguns da minha coleção:

Vem buscar-me que ainda sou teu – uma peça que não vi mas que jamais esquecerei (de Carlos Alberto Soffredini). O título é o verso de uma canção de Vicente Celestino (!) chamada Coração Materno.
Nunca te vi, sempre te amei – um clássico na categoria títulos.
Tesouros da blogosfera:
*Uma dama não comenta – é quase um quadro, eu até imagino uma ilustra de uma dama início do século passado, ruborizada, fazendo fofoca com a mão em concha.
*Ao mirante, Nelson – um trocadilho delicioso, e eu não resisto a um bom trocadilho.
*Mothern – um achado, sintetiza numa palavra origem, mensagem e público.
A pessoa é para o que nasce – tem um sotaque nordestino que me é bastante familiar, embora também tenha um quê de Guimarães Rosa.
Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá – título de uma peça de Fernando Melo. Pra quem não é do Rio: Irajá é o nome de um subúrbio da cidade, lugar humilde e simples. O contraste entre a diva suprema e o suburbão é impagável.
Premeditando o breque – banda paulista de canções engraçadíssimas, que eu conheço graças à vastíssima cultura musical do meu irmão (eu, como a Calcanhoto, presto atenção ao que o meu irmão ouve…;-).
Mar de Espanha – na verdade é o nome de uma cidade… em Minas Gerais! Fala sério, isso não é nem título nem um nome, é uma utopia!
Pé Limpo – botequim pésujíssimo no Largo do Machado, aqui no Rio.
Vastas emoções e pensamentos imperfeitos – quem não os teve, quem não as sentiu?
Cordel do fogo encantado – nome de uma banda que traduz seu charme, sutileza, origem e encantamento
Livro – um bom nome para um… um cd. Da categoria “imperdíveis do Caetano”.
Mar de histórias – coleção contos do Aurélio Buarque.
Old habits die hard – belíssima canção de Mick Jagger para o filme Alfie e uma verdade duríssima, quase intranponível…

Helê

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Sem enfeite nenhum

Dia desses assisti Dois filhos de Francisco. Como quase todos os meus conhecidos, rendi-me ao filme a despeito de não gostar da música da dupla. Muita gente comentou sobre a força daquela história, a luta daquela família, sobre uma certa brasilidade retratada no filme, que escapa do eixo rio-são-paulo-nordeste, mais presente no cinema. Impossível não destacar a atuação do elenco em geral, de Ângelo Antônio em especial, cujo simples olhar consegue passar torrentes de sentimentos.

Aliás, o que mais me emocionou e inquietou no filme foi exatamente aquele pai áspero, mais grosso que lixa zero, rude e seco, mas capaz de um amor profundo e incondicional, capaz de apostar todas as suas fichas, literais e metafóricas, na carreira dos filhos. Um amor sem enfeite, sem chamegos e agrados, mas ainda assim, amor; quase irreconhecível, porém inconteste. Como se estivesse sendo dito em outra língua, como se usasse outra roupagem, muito estranha e quase avessa ao esperado – mas ainda assim, amor.
Fez-me lembrar desse poema da Adélia Prado:

Ensinamento
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
“Coitado, até essa hora no serviço pesado”.
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.

Helê
Ainda estamos devendo um post sobre o MM, eu sei, mas esse aí já estava prontinho e assado. Devemos não negamos; pagaremos quando pudermos.

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