Lembrar:

Não postar bêbada (Se beber, não poste.)

Não fazer revizão revisão de resssssaca ressaca.
Manternha uma sócia abstêmia (ou quase).
Helê

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Boa Noite, Boa Sorte

Boa Noite, Boa Sorte.
Recomendo fortemente a qualquer dos nossos leitores que tenham alguma ligação profissional ou emocional com a atividade da comunicação social, ou qualquer tipo de interesse na área. Sério. Não percam.
-Monix-

Update: no mesmo cinema, sessão seguinte, ia rolar o lançamento de Carnaval, Bexiga, Funk e Sombrinha, um documentário sobre os blocos de clóvis do subúrbio carioca. Estava bem animado, e também fiquei bem a fim de assistir o filme. Deve ser legal.

O carnaval inesquecível de La Otra

Meu carnaval inesquecível foi o de 1993. E, por uma dessas coincidências da vida, a escola que me proporcionou essa emoção indescritível foi o Salgueiro, que vem a ser o berço de Joãozinho Trinta, na década de 1970, quando seu nome ainda se escrevia com Z. Foi nessa época que a escola consagrou o lema “nem melhor, nem pior: apenas diferente”. Mas nada disso tem a ver com a história do meu momento-mágico-carnavalesco – só queria registrar o fato.
No início dos anos 1990, Carnaval já era puro show-business. OSambódromo (sempre preferi o nome Passarela do Samba, mas agora é tarde) completaria seu 10º aniversário no ano seguinte, os cronômetros já ditavam as regras, as transmissões televisivas já dominavam a festa popular. Meio desconfiada, resolvi me agregar a um grupo de fanáticos por samba e conferir de perto o que era esse tal Carnaval na Avenida que tanto se comentava.
Fui levando meus preconceitos, inerentes aos 22 anos. Achava que todos os desfiles seriam iguais, todas as escolas trariam a mesma (des)animação, todos os enredos seriam tão confusos quanto a gente pensa que são assistindo pela TV. Quebrei a cara, caí o queixo.
Assisitir ao Carnaval na Avenida é a única forma de compreender o que é um enredo. Antes de chegar, eu estava meio na dúvida sobre como poderia acompanhar os desfiles sem a narração da Leci Brandão, mas descobri que os carnavalescos são artistas muito mais talentosos do que supõe nossa vã filosofia, e que no caso a narração é que atrapalha. Descobri (e na época eu nem sonhava em trabalhar em televisão) que as transmissões confundem o público, porque é preciso preencher os intervalos de tempo provocados pelo desfile linear, então as câmeras vão e voltam, sem nenhum seqüência lógica. Porém, o desfile tem seqüência lógica.
Existem enredos ruins e enredos bons. Existem escolas que evoluem bem e outras que são um desastre. O mais incrível é imaginar que por trás da festa e da alegria existe uma logística complicadíssima, um planejamento minucioso, que permitem a encenação do equvalente a dez Broadway shows por noite, sem ensaio geral.
Só a experiência de estar no Sambódromo, ao lado do recuo da bateria, conseguindo finalmente entender o funcionamento do grande espetáculo da minha cidade, já seria suficiente para marcar para sempre o Carnaval de 1993. Mas nada me preparou para o Salgueiro.
Quem nunca foi ao Sambódromo não sabe que é necessário aguardar por longos intervalos de tempo entre uma escola e outra. Eu estava no setor 11, um dos últimos, quase na Apoteose, portanto só quando a escola se aproximava da metade do desfile conseguia ver o carro abre-alas e os primeiros componentes, ao longe.
Mas quando o Salgueiro pisou na Avenida, o mundo parou. É impossível explicar, mas acreditem: a sensação foi física, uma onda de euforia se propagou no ar e chegou até nós. Eu não conhecia o samba, eu não sou salgueirense (devo à Portela de 1981 minha introdução no mundo do Carnaval, e certas coisas a gente não esquece), eu nem fazia questão de estar ali, mas naquele momento tudo ficou diferente.
Meu coração explodiu e nunca mais foi o mesmo.

-Monix-

Meu carnaval inesquecível

Debutei no Sambódromo em 2001 – sim, porque ao contrário do que a Globo informa, amigo leitor do interior de Pernambuco, os cariocas não desfilam todos na Sapucaí todos os anos, tampouco vão à praia todo dia. Bem, como dizia, em 2001, eu, mi maridón e uma família amiga fomos pras arquibancadas populares, as que ficam antes do início do desfile pra valer. Aquela da farofa, que a galera chega às 4 da tarde e leva farnel, travesseiro, isopor…

Vi ao vivo – e com sabor totalmente diferente, claro – tudo aquilo que já havia me acostumado a ver pela TV: a Luma de Oliveira levantando o povo, eletrizante; Luiza Brunet, rainha nobre e majestosa, respeitada mas distante; o gari sambando para delírio da platéia; minha verde e rosa florindo a avenida.

Eu já havia dormido e acordado, e manhãzinha, dia clareando, preparava-se para desfilar a última escola, Grande Rio – que, não sendo uma escola tradicional, prendia muita gente na arquibancada apenas porque tinha como carnavalesco ninguém menos que Joãosinho Trinta – aplaudido de pé pela platéia das arquibancadas, num reconhecimento espontâneo e emocionante por tudo que ele já aprontou naquela avenida.

Tudo pronto para o início do desfile, comissão de frente a postos, arrumadinha à nossa frente, tudo certo e de repente… um barulho ensurdecedor… e toda a avenida atarantada passa a procurar de onde vinha aquele som e zuuuuuuuuuuuuuuuum!!! , passa um homem avoando na minha frente. Gente, eu ainda me lembro da minha emoção e excitação na hora (e quase sinto novamente), os olhos marejados, apertando o braço do Luciano e exclamando: ”O cara tá voando! O homem tá voando, Lu!!!” Eu me senti como uma criança, realmente; fiquei maravilhada com a emoção de ver algo tão inusitado pela primeira vez; ser colhida, arrebatada assim pelo inesperado, sem ter tido a menor suspeita de que poderia acontecer. As reações ao redor eram semelhantes: várias pessoas gritaram, assustadas e excitadas; a comissão de frente desmanchou, assim como as primeiras alas, pulando de alegria e entusiasmo; os jornalistas corriam para registrar e entender. Foi um momento absolutamente mágico.

No dia seguinte eu li jornais e revistas, assisti a todos os telejornais possíveis, mas nada conseguiu traduzir, nem de longe, a emoção daquela surpresa que nos fez, por breves segundos, recuperar a inocência, a capacidade de admirar-se com o novo e de vibrar com descoberta. Por essa emoção, Joãosinho Trinta, sou-lhe profundamente grata e devedora. Você fez daquele o meu carnaval inesquecível.

Helê
Curiosidade: Encontrei a foto que ilustra o post num site em que o repórter Luiz Carlos Azenha conta a sua versão da mesma história. Li depois de ter escrito o texto e é bacana como as sensações são semelhantes, vale a a pena comparar.

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