Desenhos animados – I

Como vocês sabem, eu sou do tempo em que cartun chamava desenho animado. Outros tempos, eu sei. Mas alguém por favor me diz se os desenhos que víamos também eram cheios de referências adultas como hoje e eu não sacava porque era criança? Porque descontados os desenhos pra gente grande, tipo South Park e Os Simpsons, eu encontro citações que definitivamente não são para serem decifradas pela minha filha, nem mesmo pelos meus sobrinhos, um tanto mais velhos. Se não vejamos:

– Num episódio das Meninas Superpoderosas, vários vilões se reúnem e formam os Beat all (cuja pronúncia é semelhante a beatles). O delegado convoca e imprensa para falar dos crimes do bando e faz uma apelo: ‘Socorro, nós precisamos de alguém. Socorro, precisamos de qualquer um…’ (sim, sim, a letra de ‘Help’). E a única maneira encontrada para destruir o grupo foi arranjar uma namorada para um dos integrantes – chamada Mojo Ono.

– Já no Laboratório de Dexter, ficamos sabendo porque Mandark, o antagonista, é tão revoltado e dedicado à ciência e à tecnologia: seus pais eram hippies radicais, que desprezavam todo tipo de modernidade. Além disso, para desafiar as determinações de gênero, colocam nele o nome de …Susana.

Alguém me fala aí se na Corrida Maluca, no Ligeirinho ou no Papa-léguas tinha coisa semelhante? Não acho ruim não; é só pra saber.


Helê
A propósito: tem um desenho no cartum que chama-se Pixicodelics, em que o vilão quer tomar a internet. Sinal dos tempos…

From my Inbox:

e a naomi, que fez um ddd na cabeça da empregada e foi em cana??? bem feita!

Hohoho, essa Petita me mata de rir.

-Monix-

Nem sempre é prazeroso criar uma obra de arte. Que o diga Camille Claudel. E nem sempre é prazeroso vê-la. Quem já viu a Guernica ao vivo e a cores, sabe do que eu falo. Não dá prazer. Dá medo. Dá raiva. Dá vontade de sair correndo e salvar a vida do seu filho, e só dali umas 4 quadras você se dá conta de que não tem filhos e de que roubou o filho duma turista alemã.

Vocês acharam que eu estava puxando o saco da Fal só porque ela é minha amiga, confessem. Agora me digam se esse aperitivo (em primeiríssima mão, tá boa, fia?) não prova o que eu disse antes? Esse curso é ou não é diversão garantida ou seu dinheiro de volta?
Corram lá, bobos.

-Monix-

O assunto é outro, mas de alguma forma sinto que estamos falando mais ou menos do mesmo tema:
acredito muito na capacidade humana de inventar desculpas pra não fazer o que seu coração sabe que deve ser feito.
tipo o paciente que eu mandava parar de fumar, e ele me disse que sabia que o cigarro fazia mal. ó vítima!
eu disse a ele:
– mas, o cigarro não faz mal!
ele me olhou espantado. continuei:
– o cigarro não faz nada, ele é um objeto inanimado. você é que vai lá pegar ele e acender. você é que se faz mal, entenda isso.

A dra. Badaud sabe das coisas, pessoal.

-Monix-

Eu estudei na UFRJ porque meu pai cresceu em Botafogo, estudou no Andrews e na UFRJ. Ele estudou na UFRJ porque meu avô estudou engenharia no Instituto Eletrotécnico de Itajubá (turma de 1938) e trabalhou nas obras da Usina de Paulo Afonso, com a Chesf. Meu avô foi engenheiro porque meu bisavô, nascido na época da escravidão, saiu do Mato Grosso pra estudar no Colégio Militar, no Rio, onde foi primeiro aluno e tem uma plaquinha lá com o nome dele até hoje, depois formando-se engenheiro militar.
Em 1888, com 12 anos de idade, meu bisavô estudava na capital do Império, em um dos melhores colégios públicos do país, com bolsa integral, soldo e emprego garantido após a formatura.
Se, ao invés disso, nesse mesmo ano, ele tivesse sido libertado (leia-se posto pra fora de casa) com a roupa do corpo e sem nem saber ler, onde será que a cadeia de acontecimentos que foi dar na minha vida iria parar? Teria eu tido a chance de conhecer a Europa de primeira classe ou de estudar no colégio mais caro do Rio? Provavelmente, não.
Ou seja, dado que os efeitos nocivos da escravidão ainda se fazem sentir na pele dos descendentes das vítimas, não é tarde demais para serem indenizados pelo Estado.

O blogueiro Alex Castro mudou de opinião e agora é a favor das cotas para afrodescendentes nas universidades públicas. Leia os argumentos dele e saiba o porquê.

-Monix-

Julices renovadas e novas imagens no Empadalheia

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