Gosto sim, e daí?

Sempre que eu digo que gosto de funk é a mesma coisa: as pessoas me olham de um jeito estranho, como se estivesse dizendo que já fui a Júpiter ou coisa do tipo. Não é que eu conheça muitos funks – a Helê, a Letícia e o Emule me ajudaram muito -, nem freqüente o baile do Chapéu Mangueira, muito menos que vá sair por aí ouvindo o proibidão, que desse eu tô fora. Mas, preconceitos à parte, a batida é boa, embora às vezes meio tosca, e afinal, música é feita pra se dançar, não é?
Então pare de torcer o nariz e conheça alguns funks cariocas bem legais, antes de vir pra cima de moi com aquela mesma velha opinião formada sobre tudo. Hmpf.

É som de preto
De favelado
Mas quando toca ninguém fica parado
O nosso som não tem idade, não tem raça
E nem vigor
Mas a sociedade pra gente não dá valor
Só querem nos criticar pensam que somos animais
Se existia o lado ruim hoje não existe mais
Porque o funkeiro de hoje em dia caiu na real
Essa história de porrada isso é coisa banal
Agora pare e pense, se liga na responsa
Se ontem foi a tempestade hoje vira a bonança
(Som de Preto, Amilka e Chocolate)

Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer,
Com tanta violência eu sinto medo de viver.
Pois moro na favela e sou muito desrespeitado,
A tristeza e alegria que caminham lado a lado.
Eu faço uma oração para uma santa protetora,
Mas sou interrompido a tiros de metralhadora.
Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela,
O pobre é humilhado, esculachado na favela.
Já não aguento mais essa onda de violência,
Só peço à autoridade um pouco mais de competência.
Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.
(Rap da Felicidade, MC Cidinho e MC Doca)

Conheça os funks que eu acho mais legais

-Monix-

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Estréia em grande estilo

(…) Então eu sorrio pra vocês, puxo o balde do poço da memória e derramo um dos meus começos favoritos, que permanece, não como um quadro, mas mais como o museu em si, onde a cada visita descubro uma ala nova, uma nova obra, um novo detalhe.

Eu, se fosse você, não perdia essa história; é tão bela quanto o jeito lírico como ela a derramou. Vale muito a pena o começo da Seal no Condomínio Brasil.
Helê

Ainda as manias

O Ina ignorou (quem mandou a gente se metê com blog star?), mas o Cláudio obedeceu, a Marina respondeu, o Zé aceitou (e convidou o Outro dele) e o Fernando prometeu. E essa moçaaqui inovou, costurando uma colcha bacana com os retalhos-mania que encontrou pelaí e por aqui. Gostei, Mariza. Ah, ::Fer::, aproveitando a metáfora costureira, sua viagem sobre o encontro entre Ben Harper e Marvin Gaye dá pano pra mangas, hein? Musicais e literárias…
Helê

De cabo a rabo


Na lista dos “quatro cds que você adora“- em que enumerei doze – por favor, incluam Sobre todas as coisas, da Zizi Possi. Um disco bom do início ao fim, antológico, atemporal, imperecível. Por causa dele Zizi consquistou meu respeito perene. Com “Sobre todas as coisas” – que tem um projeto gráfico equivocadao, com ilegíveis letras dourado-escuras sobre um fundo vermelho – ela inscreveu definitivamente seu nome entre as grandes cantoras brasileiras.
Helena Costa

Em algum lugar

Soube que a mulher do Super-Homem morreu na semana passada, vítima de câncer, aos 44 anos (Dana Reeves, viúva do ator Christopher Reeves, que com ele fundou a Paralysis Resource Center ). Fez-me lembrar dos inúmeros casos que ouvimos falar de casais idosos, em que, morto um deles, o outro não se demora muito por aqui. Eu não acompanhava o trabalho deles de perto; mas a morte de Danna tocou-me; lamentei com um suspiro, que seguiu-se a um sorriso terno. Não pude evitar pensar que os dois se reencontrarão – expressão inesperada de um espiritismo que eu não pratico e de um romantismo que eu não reconheço. Mas que de vez em quando me entrega, o safado.
Helê

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