RUMUAL ÉKISSA Brasil 3 x Gana 0

RUMUAÉKISSA Brasil 3 x Gana 0 

Sexta-feira, Junho 30, 2006

* Eu tenho que comentar o jogo porque sou bem supersticiosa, e como eu venho fazendo isso desde o inicio… Mas o que comentar sobre um jogo em que a gente ganha de 3 a zero e joga mal feito a moléstia ?! 

* Falar bem do Lúcio? Pois é, eu vivi pra falar bem do Lúcio, nem acredito! 

* Eu lembro de 94 pra me consolar, pensando que naquela copa o sufoco foi muito maior. Mas logo logo eu me revolto mais, porque aquele time era muito pior também! 

* Muito, muito estranho a seleção não comemorar, vocês repararam? Sem futebol, sem vibração, assim fica difícil, né? 

* Eu percebi que inventei um palavrão, que eu só xingo em jogos de futebol. A pessoa desboca, na falta de ofensa suficiente e nova, se supera. 

* Monix, o Zagallo não ta babando na gravata, não. Segundo minha amiga Solange, que perde a copa mas não perde a piada, ele já está embalsamado, o povo só faz virar ele quando o time troca de campo. 

*Quanto ao cliping do jornais, a maioria preferiu, no dia seguinte, destacar o caráter vingativo do jogo contra a Fraca do que comentar o jogo de Gana. Cansaram do ”venceu mas não convenceu”, tanto de ver quanto de noticiar. O Dia seguiu na sua onda poliglota e mais uma vez me fez rir, dessa vez com uma manchete em francês: 

Otros gramados:
– Até aqui meu muso na copa é o Klinsmann, tá?
– Alguém reparou que no jogo contra a Holanda, já no final do 2o tempo, o Figo fez uma jogada típica de Garrincha? Deus perdoe a blasfêmia, mas ele fez: ele e o adversário disputando a bola, ele dá um toquinho pro lado, deixando a bola, continua correndo e o marcador atrás dele, então ele volta pra pegar a bola. Assim escrito não tem a menor graça, mas vendo foi lindo.
– No jogo México e Argentina, na primeira vez que o locutor falou no goleiro Abbondanzieri meu compadre comentou: ”Nossa, o cara conseguiu ter um nome com todas as letras do alfabeto!”
– Sinto pela Argentina que, como se sabe, é um país irmão. Não, não é um país vizinho, é irmão – porque irmão a gente não escolhe! Hahahahahahahahaha!

Helê 

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Identidades e alteridades, ainda

 Junho 30, 2006

Fora o fato da douda da Monix ter vindo aqui, iniciado a polêmica e ter me deixando sozinha com as visitas, eu estou achando ótima toda essa discussão sobre patriotismo, brasilidade, nacionalismo. A Kathleen deu um depoimento tão bacana ali nos comentários que la Outra sugeriu que a gente trouxesse aqui pra sala:

Estou morando em Manaus há alguns meses (vim de Curitiba) e sinto exatamente isso que você escreveu. Boa parte do tempo acho que moro em outro país, que por acaso fala português (assim tipo Macau, sabe). Tudo é muito diferente, a maneira de pensar, de vestir, de comer, como falar, o cuidado que preciso ter quando trato alguém para não ofender, enfim, praticamente outro planeta (meus amigos curitibanos que vieram me visitar constataram que a ligação para o inferno daqui deve ser local e não DDD devido ao calor básico).
E realmente, durante a copa, por uns pequenos instantes, me pareceu que “pertencemos” a um mesmo ideal. Confesso, foi estranho.
Cheguei a conclusão que fronteiras não são feitas pelas linhas do mapa e sim pela cultura/costumes do povo. Um grande beijo!!
Kathleen 29.06.06 – 1:15 pm 

Acho que o ainda há muitos panos e mangas possíveis nessa discussão que la Otra vai retomar quando voltar, tenho certeza. Por ora, apenas um lembrete: quando a gente diz que a e copa uma expressão de civismo, patriotismo e tals a gente não quer dizer que é a única, muito menos obrigatória, viu? E que a constatação de que ”Só no Brasil é assim” dita com alegria e não com vergonha, essa é a maneira singular que os brasileiros encontramos de estar no mundo.

Helê

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