RUMUAL ÉKISSA… em 2010!

Meu batismo (de fogo) em copas do mundo aconteceu em 1982. Eu tinha 11 anos e cumpri o ritual completo: fiz pedágio na rua, pintei o asfalto, cantei o ‘voa, canarinho’, torci muito e chorei ainda mais, torrencialmente, quando aconteceu o que a imprensa esportiva (sempre melodramática) chamou de ‘a tragédia do Sarriá’ (nome do estádio em que o time brasileiro foi eliminado pela Itália de Paolo Rossi).

Seis copas e dois títulos depois eu tenho certeza que o sofrimento de 82 me deixou cascuda o suficiente para não me abalar desnecessariamente. No jogo de sábado, terminado o 1º tempo eu já estava meio descrente. Quando o babaca do Parreira colocou em campo o Adriano eu desisti de vez. E juro que não fiquei triste, nem mesmo brava.

Só me comovi mesmo com minha afilhada, 10 anos, que chorava sem parar ao fim do jogo, a quem eu fiz questão de amparar, dando total liberdade. Nada de ‘chora não, é só um jogo’. Não, disse a ela pra chorar mesmo, à vontade, que ninguém iria sacaneá-la. Porque certas coisas a gente só aprende assim mesmo. E porque, é claro, reconheci nela aquela menina inconsolável de vinte anos atrás.

*
Resta torcer para que esse seja o fim de algumas carreiras, que coloquem o Zagalo no sarcófago, junto com seu discípulo Parreira, e só abram daqui a 5 mil anos.

*
Em menos de 24 horas Luís Felipe Scolari foi canonizado e santificado, salve salve. Calma, pessoas, menos, menos. Julgamentos sumários e apressados como esse que contribuem decisivamente para que nosso futebol esteja na situação caótica em que está.

*
Eu confesso que achei estranho ver a seleção chegando naquela farra, aquele pagodão rolando no ônibus. Tentei relativizar – afinal somos brasileiros, é o nosso jeito de descontrair e talz. Mas achei um pouco de descontração demais, beirando a negligência. Deu no que deu.

*
Eu vou sentir falta mesmo é do climão, a vida suspensa, esse momento único de brasilidade à flor da pele, o verdeamarelo reluzente e feliz, orgulhoso de ser.

*
Ponto pro Kaká, de quem eu nunca gostei muito por causa daquela cara de menino-criado-pela-vó, mas que foi o único que eu ouvi pedir desculpas à torcida pelo fracasso. Coisa de gente grande.

*
Agora, se tem uma coisa que faz falta nesse momento é um jogador do tipo que fala o que vem à cabeça, nénão? Mesmo aqueles jogares que a gente livra a cara do vexame são excessivamente cuidadosos em suas declarações, talvez mais preocupados com sua imagem e futuras convocações. Um saco esse discurso dos jogadores, pasteurizado e oco, sem personalidade. Como, de resto, foi o futebol jogado pela seleção.

*
Ainda assim, não podemos esquecer que a melhor partida da copa aconteceu no sábado: os argentinos partindo para Buenos Aires…

Helê

Anúncios

Cuba

A quem interessar possa: comecei a postar fotos de Cuba no meu fotolog. Uma por dia, infelizmente. Mas não estamos com pressa… ou estamos?

-Monix-

%d bloggers like this: